Sienna POV
Eu o encurralei no corredor estreito perto dos banheiros, onde a música orquestral do salão era abafada a um zumbido rítmico e surdo.
O desespero arranhando minha garganta, bati a mão em seu peito para detê-lo.
Dante olhou para mim, sua expressão se contraindo de irritação.
"O que foi agora, Sienna?"
Mostrei meu celular rachado, minha mão tremendo enquanto mostrava a foto.
Então, deixei minhas mãos falarem por mim. Gesticulei agressivamente, meus movimentos afiados e irregulares.
*Foi ela. Valeria enviou isso.*
Dante olhou para a foto por apenas um segundo.
Ele não parecia zangado. Parecia totalmente indiferente.
"É só uma foto sua trabalhando, Sienna. É a verdade. Por que tem vergonha de onde veio?"
Minha boca se abriu em um grito silencioso de frustração. O som morreu na minha garganta, me sufocando.
*É humilhação!*, gesticulei, meus dedos voando. *Ela está zombando de mim para toda a Família!*
Dante segurou minhas mãos novamente, calando minha voz.
"Valeria é filha de um Homem da Família. Ela tem classe. Ela não se rebaixaria a enviar mensagens mesquinhas. Isso provavelmente foi um de seus velhos amigos do cais tentando te extorquir."
Ele me soltou, limpando o paletó como se meu toque o tivesse sujado.
"Dê um jeito nessa cara. Seu jantar de aniversário é em dez minutos. Pare de agir como uma vítima."
Ele se afastou.
Ele a defendeu.
Ele sempre a defenderia.
O jantar foi realizado em uma sala de jantar privativa fora do salão principal, um espaço reservado para a elite.
A mesa era longa, carregada de cristal e prata, e cheia do círculo íntimo.
Valeria sentou-se à minha frente, perfeitamente equilibrada.
Enquanto os garçons traziam o antepasto, a esposa de um soldado ao meu lado se inclinou.
Ela cheirou o ar teatralmente, enrugando o nariz.
"Vocês estão sentindo esse cheiro?", ela perguntou à mesa, sua voz alta o suficiente para ser ouvida. "Cheira a... maré baixa."
A mesa explodiu em risadas educadas e cruéis.
Valeria cobriu o sorriso com um guardanapo de linho, seus olhos dançando com malícia.
Eu encarei meu prato.
Apertei meu garfo com tanta força que o metal cravou na minha pele, me ancorando à realidade.
De repente, a grande tela na parede - destinada a uma apresentação de slides da minha vida - piscou.
A estática sibilou pelos alto-falantes.
Mas não foi uma foto minha que se materializou.
Foi uma foto de Valeria.
Ela estava nua. Amarrada a um poste da cama.
E ela não estava sozinha.
Ela estava com um homem que definitivamente não era Dante. Era um soldado rival.
A sala explodiu.
Cadeiras rasparam violentamente contra o chão enquanto os homens pulavam de pé.
Valeria gritou, quebrando a atmosfera frágil como vidro.
"Desliguem isso! Desliguem isso!"
Ela olhou para Dante, seus olhos arregalados de pânico.
Então, encontrando seu bode expiatório, ela apontou um dedo trêmulo para mim.
"Foi ela!", Valeria gritou. "Ela hackeou o sistema! Ela está tentando armar pra mim!"
Dante se levantou.
Seu rosto era uma máscara de fúria.
Ele olhou para a tela, depois para Valeria e, finalmente, voltou seu olhar frio para mim.
Ele não viu a verdade.
Ele não viu que eu não tinha as habilidades, os recursos ou o acesso para fazer isso.
Ele só viu sua amante humilhada.
E sua esposa sentada ali, com o rosto de pedra.
"Sienna", ele disse.
Não era uma pergunta. Era um aviso.
Uma sentença.
Ele acreditou nela.
De novo.