Meus pulsos estavam acorrentados à parede de pedra acima da minha cabeça, puxados com tanta força que meus pés mal tocavam o chão.
"Você acordou."
Dante saiu das sombras.
Ele segurava um balde de metal vazio.
Apesar da sujeira da sala, ele parecia impecável. Seu terno estava impecável, seu cabelo penteado para trás sem um único fio fora do lugar.
Como se ele não tivesse acabado de drenar o sangue de sua esposa para salvar sua amante.
"Por quê?", ele perguntou.
Uma palavra.
Ele não gritou. Ele parecia genuinamente curioso, como um cientista estudando um espécime que se comportou de forma inesperada.
Eu fiquei pendurada ali, meu corpo gritando de dor. O local da agulha no meu braço latejava no ritmo do meu coração acelerado.
Instintivamente, tentei mover meus dedos para falar, mas as algemas de ferro cravaram na minha pele. Eu não conseguia gesticular. Minhas mãos estavam presas.
Eu olhei para ele.
Deixei todo o ódio, toda a tristeza, todos os anos de silêncio jorrarem dos meus olhos como uma arma.
*Porque ela é má*, pensei, gritando as palavras dentro do meu crânio. *Porque você é cego.*
Dante se aproximou. Ele passou um dedo pela minha bochecha molhada, seu toque terrivelmente gentil.
"Você quebrou a Omertà, Sienna. Você atacou a família. A pena é a morte."
Ele fez uma pausa, inclinando a cabeça ligeiramente.
"Mas a morte é fácil demais para você. Você gosta de silêncio? Você gosta do escuro?"
Ele gesticulou para o espaço úmido ao nosso redor.
"Esta é a antiga adega. Aquela em que você tentou trancar a Valeria. Agora, é a sua casa."
A pesada porta de carvalho rangeu atrás dele.
Valeria entrou.
Ela parecia fraca, apoiando-se pesadamente em uma bengala, mas seu sorriso era vibrante, alimentado por uma nova fonte de vida.
Ela estava viva.
Meu sangue corria em suas veias agora. Era minha força vital mantendo seu coração batendo, alimentando o próprio fôlego que ela usava para zombar de mim.
"Oh, Dante", ela arrulhou, mancando até ele e descansando a cabeça em seu ombro. "Isso é sensato? Seus pais podem fazer perguntas."
Dante passou um braço em volta da cintura dela, apoiando sua fragilidade.
"Os pais dela acreditam que ela foi enviada para uma clínica de repouso particular na Suíça por causa de sua... condição mental. Eles estão gratos por eu estar pagando pelo melhor tratamento."
Valeria riu. Foi um som agudo e quebradiço que ecoou nas paredes de pedra.
Ela se aproximou de mim, seu olhar predatório.
Ela se inclinou, tão perto que apenas eu podia ouvir seu sussurro.
"Você me deu seu sangue, peixinha", ela sibilou. "Agora eu sou parte da família de verdade. E você? Você é apenas um fantasma."
Ela se virou para Dante, seu rosto se transformando em uma máscara de adoração.
"Os preparativos do casamento estão quase prontos, meu amor. Precisamos enviar os convites."
Dante olhou para mim uma última vez.
Não havia arrependimento em seus olhos. Apenas uma determinação fria e dura.
"Deixe-a apodrecer", ele disse.
Eles saíram, me deixando para as sombras.
A porta pesada bateu.
A fechadura engatou com um som de tiro, selando meu destino.
Eu estava sozinha no escuro.
Enterrada viva.