Dante Vitiello POV
A recepção não passava de um circo.
Sorrisos falsos. Parabéns falsos. Lealdade falsa.
Eu odiava cada maldito segundo daquilo.
Tinha tomado três copos de uísque só para tolerar o som da voz de Valeria. Ela estava bêbada de champanhe e poder, desfilando pela sala como se fosse dona do ar que respirávamos.
Enquanto isso, eu não conseguia tirar a imagem de Sienna da minha cabeça.
O jeito que ela parecia naquela cela. Quebrada. Suja.
E aqueles olhos.
Eles não imploravam. Eles julgavam.
"Dante, querido", Valeria arrastou as palavras, me puxando em direção aos elevadores. "Vamos subir. A noite é uma criança."
Deixei que ela me levasse para a suíte nupcial.
Eu não a queria.
Eu ansiava por silêncio.
Valeria chutou os saltos e desabou na cama. Ela enfiou a mão na bolsa e tirou um pedaço de papel dobrado.
"Olha o que o Rocco me deu", ela riu. "A mudinha finalmente assinou."
Ela jogou o papel para mim.
Ele flutuou até o chão entre nós.
Eu o peguei.
A sentença de divórcio.
Na parte inferior, a assinatura era trêmula, mas firme.
Sienna Vitiello.
Ela havia renunciado ao seu nome. Ela havia renunciado ao seu lugar ao meu lado.
Algo dentro de mim se partiu.
Foi uma fratura violenta e feia no meu peito.
Não senti alívio. Não me senti livre.
Senti fúria.
Fúria pura e derretida.
"Ela assinou?", perguntei, minha voz perigosamente baixa.
"Sim!", Valeria bateu palmas. "Agora somos oficiais. Sem mais pontas soltas."
Eu encarei o papel.
Ela desistiu.
Sienna nunca desistia. Ela me enfrentava a cada passo. Ela me desafiava com seu silêncio.
Assinar este papel não era rendição. Era uma saída.
Rasguei o papel ao meio.
Depois em quartos.
"Dante?", Valeria se sentou, seu sorriso vacilando. "O que você está fazendo?"
Deixei o confete de documentos legais chover sobre o carpete.
"Ela é minha esposa", rosnei, caminhando em direção à cama. "Ela continua sendo minha esposa até o dia que EU disser o contrário."
Valeria recuou contra a cabeceira. "Mas... mas acabamos de nos casar! A cerimônia!"
"Um show", eu disse. "Para o seu pai. Para a Comissão."
Agarrei o queixo de Valeria, forçando-a a olhar para mim. Seus olhos se arregalaram de medo.
"Você é um tapa-buraco, Valeria. Não se esqueça disso. Você usa o anel porque eu permito. Mas a Sienna..."
Meu peito arfou.
"A Sienna me pertence. Mesmo naquela cela. Mesmo no inferno."
Eu a soltei. Ela caiu de volta contra os travesseiros, soluçando.
Caminhei até a janela e olhei para os jardins escuros.
Por que eu sentia que tinha acabado de perder algo que nunca poderia substituir?