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A Noiva da Alvorada e o Lobo de Prata - Crônicas de Aethelgard
img img A Noiva da Alvorada e o Lobo de Prata - Crônicas de Aethelgard img Capítulo 1 O Peso da Santidade
1 Capítulo
Capítulo 6 O Gosto da Cinza e da Verdade img
Capítulo 7 O Sangue dos Reis e o Desafio das Sombras img
Capítulo 8 O Brilho que Cega e o Sangue que Salva img
Capítulo 9 A Tactilidade da Escuridão img
Capítulo 10 O Pó dos Séculos e a Morte da Fé img
Capítulo 11 O Peso do Silêncio e o Calor da Pele img
Capítulo 12 A Luz que não Consome img
Capítulo 13 O Veludo da Noite e o Roubo dos Deuses img
Capítulo 14 O Rastro de Luz e o Abismo do Desejo img
Capítulo 15 O Ponto Onde a Luz Encontra a Noite img
Capítulo 16 O Eco do Predador e o Cálice da Traição img
Capítulo 17 O Aço e a Cinza img
Capítulo 18 O Preço do Trono de Sombras img
Capítulo 19 O Retorno ao Ventre da Serpente img
Capítulo 20 O Espelho Quebrado da Pureza img
Capítulo 21 O Eclipse do Coração img
Capítulo 22 O Preço da Liberdade img
Capítulo 23 O Despertar da Fênix de Prata img
Capítulo 24 O Calvário das Sombras img
Capítulo 25 O Rugido do Abismo e o Eclipse de Ouro img
Capítulo 26 O Crepúsculo dos Reis img
Capítulo 27 O Dogma e a Divindade img
Capítulo 28 O Último Sopro do Crepúsculo img
Capítulo 29 O Dia que Não Tinha Nome img
Capítulo 30 O Alvorecer de Sangue e Estrelas img
Capítulo 31 O Prelúdio de Vidro img
Capítulo 32 O Arquiteto do Silêncio Eterno img
Capítulo 33 O Labirinto de Cristal e Pânico img
Capítulo 34 O Rei das Feras img
Capítulo 35 Fuga para as Raízes da Terra img
Capítulo 36 A Profecia dos Ossos img
Capítulo 37 A Jornada pelo Mar de Sal img
Capítulo 38 O Acampamento Sob a Lua Sangrenta img
Capítulo 39 O Desafio de Balthazar img
Capítulo 40 O Sangue das Estrelas img
Capítulo 41 O Cerco de Cristal img
Capítulo 42 O Resgate das Almas Silenciadas img
Capítulo 43 O Banquete de Voss img
Capítulo 44 O Beijo da Despedida img
Capítulo 45 A Traição do Mármore img
Capítulo 46 As Cinzas de Erebus img
Capítulo 47 O Vale dos Unicórnios Negros img
Capítulo 48 A Primeira Ressonância img
Capítulo 49 O Treino das Runas Vivas img
Capítulo 50 A Noite das Sombras Uivantes img
Capítulo 51 A Convocação da Terra img
Capítulo 52 O Sacrifício do General img
Capítulo 53 O Voo Sobre o Abismo img
Capítulo 54 O Coração de Cobalto img
Capítulo 55 O Espelho da Verdade img
Capítulo 56 O Rei Fera Vs O Deus Morto img
Capítulo 57 O Grito da Criação img
Capítulo 58 O Banimento dos Arquitetos img
Capítulo 59 O Alvorecer de Orvalho img
Capítulo 60 O Som do Destino img
Capítulo 61 O Céu Rasgado img
Capítulo 62 O Matadouro Celestial img
Capítulo 63 O Sacrifício de Sangue img
Capítulo 64 As Cidades de Ferro img
Capítulo 65 O Batismo de Lava img
Capítulo 66 A Marcha das Bestas img
Capítulo 67 O Pântano das Sombras img
Capítulo 68 Os Elfos Selvagens img
Capítulo 69 O Vale dos Crânios img
Capítulo 70 O Sangue das Montanhas img
Capítulo 71 O Código de Balthazar img
Capítulo 72 A Ascensão da Fera img
Capítulo 73 Infiltração Orgânica img
Capítulo 74 O Coração da Cidadela img
Capítulo 75 O Crepúsculo de Porcelana img
Capítulo 76 A Maldição do Éter img
Capítulo 77 Os Carniceiros de Helios img
Capítulo 78 O Vale dos Rejeitados img
Capítulo 79 O Tear de Sangue img
Capítulo 80 A Batalha do Rio de Sangue img
Capítulo 81 O General Thorne img
Capítulo 82 Anatomia da Guerra img
Capítulo 83 O Uivo da Ruptura img
Capítulo 84 A Traição da Trama img
Capítulo 85 O Sacrifício de Balthazar img
Capítulo 86 Confronto no Ápice img
Capítulo 87 A Era da Cicatriz e o Despertar do Abismo img
Capítulo 88 O Pânico no Vale img
Capítulo 89 O Comando de Thorne img
Capítulo 90 O Delírio de Balthazar img
Capítulo 91 Sombras sem Rosto img
Capítulo 92 A Floresta de Ferro img
Capítulo 93 Diálogos de Seiva e Ferro img
Capítulo 94 A Morte da Devoradora de Luz img
Capítulo 95 O Chamado das Estrelas img
Capítulo 96 O Sacrifício do Santuário img
Capítulo 97 O Êxodo da Aliança img
Capítulo 98 O Deserto de Areia Cantante img
Capítulo 99 A Ressonância da Seiva img
Capítulo 100 A Travessia do Espelho img
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A Noiva da Alvorada e o Lobo de Prata - Crônicas de Aethelgard

Autor: Melissa Mel
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Capítulo 1 O Peso da Santidade

A NOIVA DA ALVORADA - O ACORDAR DAS SOMBRAS

Crônicas de Aethelgard - Livro I

Capítulo 1 - O Peso da Santidade

O cheiro não era de santidade, era de fumaça e morte disfarçada.

O incenso de mirra-de-fogo, uma substância rara colhida nas bordas do deserto solar, inundava a pequena câmara de pedra, rastejando pelas minhas narinas e se prendendo ao fundo da minha garganta como uma garra áspera. No convento, as noviças eram ensinadas que a fumaça branca carregava nossas preces diretamente ao trono do Pai Solar, mas, para mim, ela sempre teve o gosto metálico do sufocamento. Era uma tentativa de abafar o grito que eu mantinha guardado atrás dos dentes desde o primeiro badalar do sino ao amanhecer.

- Fique imóvel, criança - murmurou a Irmã Vesper.

Sua voz era como o raspar de um pergaminho velho contra o chão de mármore.

As mãos de Vesper eram ossudas, frias e implacáveis enquanto apertavam meus ombros, me mantendo fixa no banco de pedra. Eu não me mexi. Não por uma questão de obediência ou piedade, mas porque qualquer inclinação, por mínima que fosse, poderia selar meu destino antes da hora.

Sobre a minha cabeça, a Coroa de Vidro Sagrado exercia sua tirania. Ela não era uma joia, nem um adorno de rainha, era uma sentença esculpida em cristal vulcânico, tão transparente que parecia invisível sob a luz das tochas, mas tão pesada quanto o ferro. As bordas afiadas das pontas de vidro pressionavam minhas têmporas. Eu podia sentir o latejar do meu próprio sangue contra o material frio, um ritmo frenético que parecia ecoar o medo que eu não tinha permissão para demonstrar. Cada uma das doze pontas da coroa representava uma das "Virtudes da Luz". Para mim, elas pareciam doze adagas esperando o menor deslize para perfurarem meu couro cabeludo.

- A pureza exige sacrifício, Aurora. A luz exige ordem - continuou a velha, alheia ao suor frio que descia por minha espinha.

Olhei para o espelho de bronze polido à minha frente, a única coisa que me permitia ver a estranha em que eu havia me tornado. A garota no reflexo estava envolta em camadas de linho branco, tão fino que eram quase translúcidas, presas por fios de ouro que serpenteavam meu torso como correntes de uma prisioneira de luxo. A "Noiva da Alvorada". Minha pele, normalmente corada pelo pouco tempo que me permitiam passar nos jardins, estava pálida, quase da cor da cera das velas que derretiam ao redor.

- É uma honra que poucas podem carregar - disse Vesper, mergulhando o polegar em um frasco de óleo dourado. - Milhares nascem sob o sol, mas apenas uma é escolhida a cada geração para garantir que o ciclo não se quebre. Você deveria estar transbordando de gratidão.

Ela traçou um círculo solar no centro da minha testa com o óleo. O líquido ardeu instantaneamente, penetrando nos meus poros com um calor químico. Eu fechei os olhos por um segundo, e por trás das pálpebras, vi as imagens que os sermões da Igreja haviam gravado na minha mente desde os oito anos, o Reino Solar desmoronando, as sombras devorando as plantações, os monstros de olhos vermelhos arrancando crianças de seus berços.

"Minha vida pelo brilho do mundo", repeti mentalmente, a oração automática que era o meu único escudo contra a loucura.

- O Véu de Ébano está fraco, Aurora - a voz de Vesper baixou para um sussurro conspiratório, enquanto ela ajustava as dobras do meu vestido. - As criaturas do sul estão famintas. Elas arranham a barreira todas as noites, buscando uma fresta para transformar Aethelgard em um cemitério de gelo. Se o seu sangue não for oferecido no precipício hoje, o Rei das Sombras não hesitará. Ele virá e reduzirá este templo a cinzas. Você quer ser a razão da queda da humanidade?

- Não, Irmã - respondi. Minha voz saiu seca, sem vida.

- Então aceite o peso. Ele é a sua salvação.

Vesper não via a ironia em suas palavras. A Igreja da Luz pregava a salvação através da dor. Eles me chamavam de salvadora, mas me tratavam como gado premiado que precisava ser limpo e adornado antes do abate.

O sino de bronze, o maior da Catedral de Ouro, ressoou pela terceira vez. O som foi tão potente que fez o ar na câmara vibrar, e a vibração viajou pelo cristal da coroa, transformando o silêncio em uma agonia aguda dentro do meu crânio. Era o sinal. O sol estava em seu ápice. O momento da transição havia chegado.

- Está na hora. Mantenha o queixo erguido. O povo precisa ver a santidade em seu rosto, não a dúvida. A dúvida é a semente das sombras.

As portas duplas de carvalho da câmara se abriram com um estrondo. O corredor externo estava ladeado por Guardas Solares em suas armaduras de placas douradas, polidas a tal ponto que refletiam a luz das foscas janelas altas em feixes cegantes. Eles bateram a base de suas lanças no chão em uníssono, um som metálico que reverberou no meu peito.

Eu dei o primeiro passo. Cada movimento era coreografado. Meus pés descalços sentiam a frieza do mármore. Eu sentia cada músculo do meu pescoço rígido, segurando a coroa como se minha alma dependesse daquele equilíbrio.

Enquanto eu caminhava pelo corredor em direção ao pátio externo, a luz do dia começou a inundar o ambiente. Eu podia ouvir o rugido da multidão lá fora. Milhares de pessoas haviam viajado de todas as províncias para ver a Noiva passar. Elas gritariam meu nome, jogariam pétalas de jasmim e fariam o sinal do sol enquanto eu passava, implorando por uma benção que eu não tinha o poder de dar. Elas queriam o espetáculo da minha morte para que pudessem dormir tranquilas por mais um século.

Mas, sob o véu de obediência, algo dentro de mim queimava. Não era a luz do Pai Solar. Era uma fagulha de raiva, um desejo proibido de ver o que aconteceria se a coroa caísse, se o ritual falhasse.

Pela primeira vez em dezoito anos, enquanto o calor insuportável do sol atingia meu rosto ao atravessar o portal do templo, eu não rezei pela luz. Eu olhei para o horizonte sul, onde o céu começava a escurecer no cinza profundo do Véu de Ébano, e desejei, com toda a força do meu coração traidor, que as sombras fossem reais o suficiente para me resgatar.

Eu não queria ser uma santa, eu só queria ser livre.

            
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