Seus cabelos e olhos eram como chocolates, o rosto fino e delicado, um nariz pequeno e afilado, lábios cheios e rosados, uma mexa grossa estava solta do seu penteado, repousando por seu ombro, tocando-lhe a cintura, formando um grosso cacho no final.
Eu aderir uma habilidade que poucos tem, meus olhos são treinados para enxergar na penumbra, mesmo com a pouca iluminação eu consigo enxergar o que a maioria não enxergam, não gosto de claridade, nem nada que me mostre quem eu me tornei, assim que Isabela pisou em minha sala, fui impactado com sua beleza delicada, pois ela é o oposto de tudo que sou, ela é agradavel de se olhar.
Não sabia como agir em sua presença, sua beleza me tocava de alguma forma, a principio a quis fazer ir embora, mas a garota parecia determinada em seu proposito de ver seu pai, não sei como ela conseguiu chegar até minha casa ilesa, pois alguns malfeitores se escondem por esses caminhos, longe da civilização, a fim de se esconderem da policia.
A policia não me representa medo, a muitos anos temos um acordo, meu bar é um portal que só facilita esse acordo, não são todos, existem policiais honesto, mas a maioria movimentam e alimentam o trafico de drogas, distribui e vende drogas apreendias, armamento e também são envolvidos com lavagem de dinheiro e meu bar é uma ponte para muitas coisas ilegais.
Por isso quando ela falou, que me denunciaria a policia e a imprensa, não contive a risada debochada, eles não teriam coragem de vim minha casa e acabar com nosso acordo de paz, eles tinham muito a perder, era muito dinheiro envolvido, a impressa teria medo, pois estariam arriscando suas vidas, eles sabem que não podem contar com a policia, eu estou fora do alcance deles!
Tentei faze-la ir embora de todas as maneiras, mas vendo que ela permanecia ali, não porque eu era uma pessoa boa, mas eu a dei uma oportunidade de não cair em minhas garras, eu fiz a última coisa que poderia fazer, usando meu último recurso disponível, me aproximei dela, seu tamanho era muito pequeno em comparação aos meus 2,10m de altura, não estava preparado para o aroma doce que ela tinha e que me invadiu as narinas me causando um frenesi perturbador, tentei me manter estável, me curvei bastante para ficar com o rosto visível ao seu, então revelei minha aparência crua para ela.
Prendi a respiração apreensivo, pronto para ver sua expressão de nojo, eu não entendia porque estava me sentindo assim, nunca me importei com o que achavam de minha aparência, aprendi a conviver com isso, mas pela primeira vez depois de anos, estou apreensivo!
Convicto de que ela iria correr sem olhar para trás, após ver minha face, afinal quem em sua sã consciência, iria querer ficar perto de alguém como eu? Principalmente alguém tão linda.
Quando a sala foi clareada com um forte relâmpago, os olhos de Isabela brilharam como raios, em uma chuva de tempestade numa noite escura, eu vi muitas coisas dentro deles, muitas mesmo, mas ali não havia nojo e muito menos medo, eu não vi medo em suas intensas bolas brilhantes cor de chocolate, muito pelo contrario, posso até jurar que vi fascinação, não, eu estava errado, Isabela deve saber esconder muito bem seus sentimentos, com certeza ela sentiu nojo de mim.
- Estou esperando, que me leve até meu pai.
Suas palavras me trazem até onde estou, me sentindo agitado, peço que me acompanhe e caminho até a masmorra de minha casa. O caminho sempre muito mal iluminado, escuto seus passos apressados atrás dos meus, quando chegou ao corredor onde Ivan está, tiro um molho de chaves do bolso do meu sobretudo de capuz e sem dificuldades pela falta de iluminação abro o cadeado.
- Fique o tempo que precisar, ou melhor, quando o sol nascer eu volto para expulsa-la de minha casa.
A empurro para dentro da cela, e forço o cadeado, o trancando, eu dei a oportunidade, agora não sei como seria.
ISABELA GARCIA
Escuto os passos do homem se afastando, não vejo nada a minha frente, aqui está muito escuro.
- Pai?
- Filha!
Chamo por meu pai e escuto sua voz, o qual levamos um tempo até conseguimos encontrar um ao outro e então eu o abraço forte.
- Paizinho!
- Bela minha filha, o que você veio fazer aqui? Filha você precisa ir embora, o senhor Rivera é um homem ruim.
Meu pai fala quando nos afastamos.
- Rivera?
Então esse era o nome do homem que me intrigou.
- Adam Rivera, ele é metido com trabalho escravo, drogas e várias outras coisas Isabela, você precisa ir embora.
- Paizinho, não vou deixa-lo aqui, o senhor já é de idade.
- Isabela eu vou dar meu jeito.
- Ele lhe acusou de rouba-lo! O senhor fez isso papai?
- Isabela, a vida não é um mar de rosas, como você pensa que paguei seu tratamento médico quando você adoeceu de uma forte pneumonia e ficou dias na UTI? Sabe quanto custa uma diária na UTI?
- Papai, você falou que esse dinheiro era sua reserva, eu falei que lhe resolveria assim que começasse a trabalhar!
Falo magoada, eu sei das dificuldades e tudo mais que passamos todos os dias, mas sinto uma tola por ter sido enganada.
- Venha filha, vamos sentar um pouco, eu vou te falar o que aconteceu.
Tinha um colchão no chão e ali nos sentamos, meu me contou que a alguns anos passamos por uma situação difícil, quando ele trabalhava no bar do Rivera, papai deu um valor considerável a Mari que estava devendo algo alguém e estava sendo ameaçada, seu salario não dava para manter a casa com todos os gastos e ainda pagar a divida da Mari, na época eu adoeci e tudo piorou, então meu papai desviou dinheiro do senhor Rivera, sem levantar suspeita, até quitar toda dívida e pagar o hospital em que me internei, mas agora o Adam se deu conta dos valores desviados e acrescentou juros abusivos na divida do meu pai.
- Ele está me cobrando quase três vezes o valor que desviei!
- Papai!
Exclamo sabendo que estamos muito ferrados.
- Temos que negociar, ele precisa nos dar um prazo, eu posso procurar um emprego, trancar a faculdade por um tempo, nós podemos tentar papai, o senhor fez o que fez por suas filhas!
Estou disposta a tudo para tirar meu pai dessa situação, o que ele fez foi errado, mas sei que ele fez por amor.
- Isabela, ele não vai mais me dar um prazo, não tem o que ser feito, irei trabalhar para Adam Rivera até...
Papai para sua frase no meio do caminho, eu sinto um forte mal pressagio.
- Até?
Repto sua última palavra.
- Até o final Isabela.
- Não papai, tem que ter outra solução, eu não vou deixar você morrer aqui, eu não vou, de certa forma eu também sou culpada por sua dívida!
Falo me sentindo mal, eu precisava fazer algo, meu pai não aguentaria maus tratos, ele tem dores nas costas, além de sua idade, uma ideia me vem a cabeça: Se eu ficasse no lugar do meu pai?