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Capítulo 2 Prólogo

🛩️

Maria Tavares

Naquela manhã fria do ano 2025, eu ainda não sabia, mas uma história avassaladora viria até mim. Ela abriria caminhos, rasgaria certezas e me atingiria do jeito mais doloroso e, ao mesmo tempo, mais emocionante possível. A história de amor de Teresa e Augusto era muito mais do que digna da primeira capa dos jornais - era daquelas que cabem em filmes de romance de época, onde o tempo não apaga sentimentos e a esperança se recusa a morrer.

Naquele dia, enquanto revirava arquivos antigos esquecidos no fundo da redação, encontrei o registro de uma mulher que, anos antes, havia procurado a imprensa para divulgar o desaparecimento do marido, sargento da aeronáutica. Um pedido simples, quase ingênuo: ajuda para encontrar o amor da sua vida. Mas o caso foi tratado com indiferença. O artigo nunca chegou aos tabloides. Não vendeu. Não interessou. E assim, aquela mulher teve sua dor arquivada junto com papéis amarelados e promessas quebradas.

E eu, como a boa jornalista que sempre acreditei ser, decidi que iria até o fim do mundo por ela.

- Maria, esse caso foi esquecido por um motivo. Não vende - Dênis, meu editor-chefe, disse sem sequer levantar os olhos da tela do computador.

- Nem que seja no meu blog pessoal, nem que eu perca o emprego. Mas vamos encontrar o Augusto. Essa senhora está esperando o amor da vida dela há vinte e cinco anos - respondi, com a voz firme, mesmo sentindo o coração bater acelerado.

Ele me encarou por alguns segundos, avaliando não apenas a pauta, mas a pessoa que eu era.

- Sua determinação é o que me fascina - disse, por fim. - No que eu puder, eu vou te acobertar.

Eu o abracei sem pensar duas vezes.

- Você é o melhor.

Peguei minha bolsa, as chaves do carro e segui até o endereço de Teresa Vidal.

Durante todo o caminho, meu coração parecia querer saltar do peito. Minhas mãos estavam trêmulas e suadas. Eu temia encontrá-la cansada demais, resignada demais, ou pior - sem esperança alguma. Orei em silêncio para que o coração dela ainda estivesse aberto. Prometi a mim mesma que faria tudo para que aquela mulher tivesse um final. Qualquer final. Porque esperar para sempre também é uma forma de morrer.

Quando estacionei o carro em frente à casa dela, fui tomada por uma sensação imediata de acolhimento. A fachada permanecia igual à de vinte e cinco anos atrás, como se o tempo tivesse decidido respeitar aquele lugar. Cercas de madeira branca, um portão delicado, margaridas amarelas florindo à frente do cercado. Um caminho de pedras bem alinhado cortava a grama verde e bem cuidada. Aquela entrada exalava vida, amor e, acima de tudo, esperança.

Ali morava alguém que ainda acreditava.

Entrei pelo pequeno portão, segui o caminho de pedras, subi os dois degraus que davam acesso à varanda e bati na porta. Em instantes, ela se abriu.

À minha frente estava uma mulher de quarenta e cinco anos. Cabelos grisalhos misturados aos castanhos, maquiagem leve, um vestido florido simples e sapatilhas. Mas nada nela era simples demais. Ela era ainda mais bonita do que nas fotografias antigas. O sorriso que me ofereceu era acolhedor, quente, quase maternal. Meu coração apertou, e a vontade de chorar veio forte. Segurar foi difícil.

- Bom dia, senhora Vidal.

- Bom dia - ela respondeu, sorrindo.

- Me chamo Maria Tavares. Sou jornalista. Encontrei seu caso entre papéis antigos e ele me despertou algo muito profundo. E, como a boa jornalista que acredito ser, não posso deixar sua história sem um desfecho. Quero te ajudar a saber o que aconteceu com o seu esposo.

Ela me encarou por alguns segundos, como se estivesse tentando entender se aquilo era real.

- Ô, querida... - disse, antes de me abraçar com força. - Eu sabia que um dia alguém iria despertar curiosidade.

Ela deu espaço para que eu entrasse.

Soltei o ar que nem percebi estar prendendo. A esperança ainda vivia nela. Teresa Vidal não era apenas uma mulher à espera. Ela era a própria esperança em forma de gente.

- Senhora Vidal...

- Por favor, querida, me chame de Teresa - pediu, com um sorriso doce.

- Teresa, quero começar uma entrevista, aos poucos. Você vai me contar tudo desde o início. Pretendo escrever um artigo e, se você permitir, um livro sobre a sua história. Os direitos autorais serão seus, e tudo que for arrecadado também.

Ela respirou fundo. Seus olhos marejaram.

- Se tudo isso puder, ao menos, acalmar meu coração ou me dar uma notícia do meu Augusto... eu assino em qualquer lugar.

Segurei as mãos dela com firmeza.

- Eu farei tudo que estiver ao meu alcance. E o que não estiver também. Eu prometo.

Meu coração explodia dentro do peito. Eu estava ali, diante de uma mulher, de uma história e de um amor que se recusava a morrer.

- Bom dia, mãe. Estou indo para o hospital - disse uma jovem ao descer as escadas.

- Bom dia, querida. Maria, essa é Eulália, minha caçula. Filha, essa é Maria, a jornalista que vai divulgar minha história - Teresa falou com a voz embargada.

Eulália me olhou com atenção, como se tentasse medir minhas intenções.

- Eu adoraria ficar e ouvir essa história mais uma vez, mas meus pacientes me esperam. Maria... por favor, não decepcione minha mãe.

- Jamais faria isso, Eulália.

Ela sorriu, assentiu e saiu.

A porta se fechou, e a casa voltou ao silêncio. Um silêncio confortável, respeitoso, como se cada parede soubesse o peso da espera que aquele lugar carregava.

Teresa foi até a cozinha preparar café.

- Augusto sempre dizia que café resolve tudo... ou pelo menos ajuda a suportar - comentou, com um meio sorriso.

Sentamos à mesa. Ela trouxe uma caixa antiga, de madeira, com cartas, fotografias, recortes de jornal. Cada objeto era uma memória, uma prova de amor, uma tentativa de manter vivo quem nunca voltou.

- Ele prometeu que voltaria - disse ela, quase num sussurro. - E eu acredito em promessas.

Naquele momento, eu soube. Aquela história não era só sobre desaparecimento. Era sobre fidelidade ao amor, sobre o tempo que passa e não leva tudo, sobre mulheres que esperam não por fraqueza, mas por convicção.

Naquela manhã fria do ano 2025, eu ainda não sabia.

Mas foi ali, naquela casa simples cercada por margaridas, que tudo começou.

E algumas histórias...

não sabem partir.

{...}

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