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Capítulo 4 02

🛩️

Os dias que se seguiram foram feitos de pequenas felicidades. Passeios lentos pela praça central de Santa Aurora, sorvetes divididos ao meio, risadas contidas e mãos que se tocavam de forma quase tímida, como se ainda estivessem aprendendo a pertencer uma à outra. O amor deles não chegou com pressa - chegou com cuidado.

Obviamente, em todos os encontros, Dália estava presente. Sempre atenta, sempre vigilante, sempre protegendo Teresa como se fosse sua própria irmã. Sentavam-se nos bancos da praça, observavam o movimento simples da cidade, ouviam o sino da igreja marcar as horas e falavam de coisas pequenas, mas importantes: o clima, os sonhos, a infância, o futuro.

Augusto nunca se aproximava demais sem antes olhar para Teresa, como se pedisse permissão apenas com os olhos. E Teresa sempre respondia com um sorriso discreto, autorizando-o a ficar.

- Você olha para ela como quem já escolheu ficar - Dália comentou certa tarde, enquanto Teresa caminhava alguns passos à frente.

- Porque eu escolhi - Augusto respondeu, sem hesitar. - Desde a primeira dança.

Dália o observou em silêncio. Não havia arrogância em sua voz. Apenas certeza.

Na véspera de Natal de 2000, a cidade estava enfeitada com luzes simples. As casas exibiam guirlandas feitas à mão, e o cheiro de rabanada e café fresco se espalhava pelas ruas. A praça estava mais iluminada, cheia de famílias e crianças correndo.

Teresa usava um vestido claro, simples, mas bonito. Augusto estava à paisana naquela noite, mas ainda assim carregava consigo a postura firme de quem já viveu longe demais para não valorizar o agora.

Caminhavam lado a lado, enquanto Dália seguia alguns passos atrás, conversando com conhecidos.

Foi sob uma árvore iluminada por pequenas lâmpadas coloridas que Augusto parou. Teresa o olhou, confusa.

- Está tudo bem? - perguntou.

Ele assentiu. Aproximou-se devagar, como se aquele gesto exigisse coragem.

- Teresa... - chamou, com a voz baixa. - Desde o dia em que te conheci, eu sei. Sei que não devia ser tão rápido, sei que o mundo espera mais tempo... mas eu nunca aprendi a adiar aquilo que é verdadeiro.

Ela sentiu o coração acelerar.

- Augusto...

Ele tocou o rosto dela com delicadeza.

- Se você pedir para eu esperar, eu espero. Mas se você permitir... eu gostaria de te beijar.

Teresa não respondeu com palavras. Apenas se aproximou.

O beijo foi suave, respeitoso, carregado de emoção. Um beijo que não roubava nada - apenas prometia.

- Augusto! - Dália surgiu imediatamente, posicionando-se à frente de Teresa. - Você não podia ter feito isso!

- Ele não é o único culpado, Dália - Teresa disse, com firmeza. - Eu permiti.

- Mas você é mulher, Teresa. Isso, por si só, poderia acabar com sua reputação.

- Não acabará - Augusto disse, sério. - Porque ela será minha esposa.

Dália cruzou os braços, respirando fundo.

- Amanhã eu volto para mais uma missão - Augusto continuou. - Mas antes de ir, hoje mesmo vou à sua casa pedir sua mão em casamento.

- Não faz mais que sua obrigação - Dália respondeu, ainda contrariada.

Naquela mesma noite, Dália levou Teresa de volta para casa. O céu estava claro, a lua cheia iluminava a estrada de terra. Teresa sentia o coração aos pulos, como se estivesse vivendo algo grande demais para caber no peito.

Pouco depois, quando a noite já havia caído por completo, Augusto chegou. Vestia o uniforme, a mala pequena repousava ao seu lado. Os pais de Teresa o receberam na sala simples, mas arrumada.

Ele permaneceu de pé, respeitoso.

- Senhor... senhora... fui convocado novamente para uma missão. Mas antes de partir, gostaria de pedir a mão de Teresa em casamento.

O silêncio tomou conta do ambiente por alguns segundos. A mãe de Teresa levou a mão ao peito, emocionada. O pai observou o jovem à sua frente com atenção, avaliando não apenas o pedido, mas o homem.

- Eu espero que vocês sejam muito felizes - disse, por fim.

Teresa sentiu as pernas fraquejarem. Augusto a abraçou com cuidado, como se aquele gesto já fosse uma promessa.

- Essa será a minha missão - ele disse, sorrindo. Beijou o dorso da mão dela. - Voltar para você.

Se tudo desse certo, Augusto retornaria em dois meses. Casariam assim que ele voltasse. Até lá, se comunicariam por cartas e um telefonema por mês.

E foi assim que começou a espera.

As cartas de Augusto chegavam sempre dobradas com cuidado, escritas com uma caligrafia firme.

Minha Teresa,

Conto os dias no calendário. Cada noite penso em você antes de dormir. Prometo que volto. Prometo que essa distância não nos mudará.

Teresa respondia com letras arredondadas, cheias de emoção.

Meu Augusto,

Aqui tudo continua igual, mas eu não. Estou aprendendo a esperar com o coração cheio de amor. Acordo todos os dias com uma saudade imensa de você, mas penso que essa distância não será para sempre, e que teremos nosso momento de ser felizes. Eu amo você.

Uma vez por mês, o telefone tocava.

- Teresa? - a voz dele vinha distante, mas firme.

- Sou eu - ela respondia, tentando não chorar.

- Estou mais perto de voltar.

- Eu sei. Eu sinto.

- Mal posso esperar o dia de te chamar de minha esposa.

- Eu espero ansiosa por esse momento também.

As promessas se repetiam. O amor crescia. A espera se tornava parte deles.

Nenhum dos dois sabia que aquele seria apenas o começo de uma espera muito maior.

Mas, naquele tempo, o amor ainda parecia suficiente. O amor era suficiente, e ele seria o principal alicerce da espera.

Pois alguns amores não sabem partir.

{...}

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