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Capítulo 5 03

🛩️

Dois meses.

Dois meses de uma missão inacabada.

Augusto recebeu dispensa apenas para se casar. Três dias. Era tudo o que o Exército lhe concedia antes de chamá-lo de volta. Três dias para viver uma vida inteira condensada em horas.

Quando o trem finalmente parou na estação de Santa Aurora, o coração de Teresa parecia querer escapar do peito. Ela estava ali desde cedo, mesmo sabendo o horário exato. Vestia um vestido simples, os cabelos presos com cuidado, as mãos trêmulas segurando a pequena bolsa. E então ele desceu.

Augusto Vidal. Inteiro. Vivo. Com o mesmo olhar firme e o mesmo sorriso que ela sonhou todas as noites durante a espera.

- Augusto... - ela sussurrou, antes mesmo de perceber que já estava correndo em sua direção.

Ele largou a mala no chão e a tomou nos braços, erguendo-a com força, rodopiando-a no ar como se quisesse recuperar, naquele gesto, cada segundo roubado pela distância.

- Como eu senti sua falta, meu amor. - Teresa disse, enterrando o rosto no pescoço dele, respirando fundo como se quisesse guardar aquele cheiro para sempre.

- Eu contei os minutos para te ver novamente - Augusto respondeu, colocando-a no chão com cuidado e beijando sua testa, demoradamente. - Cada maldito minuto.

- Nós precisamos ir - Dália disse, aproximando-se e abraçando o primo com força. - Ao amanhecer será a cerimônia.

Eles seguiram juntos para a fazenda dos pais de Dália, distante da cidade. Como muitos convidados vinham de longe, todos já estavam acomodados ali. A fazenda estava diferente: mais viva, mais iluminada, tomada por um clima de expectativa que fazia o ar parecer mais leve.

Depois de se acomodarem, Augusto puxou Teresa pela mão e a levou para um canto mais reservado do alpendre. O céu estava limpo, salpicado de estrelas.

- Eu tenho algo pra você - ele disse, colocando a mão no bolso do uniforme.

Teresa o observava com curiosidade e um sorriso nervoso. Augusto abriu a pequena caixa de veludo e revelou um colar de ouro delicado. No pingente, uma margarida cravejada. Ao abri-lo, Teresa viu a foto dele, jovem, sério, com aquele olhar que agora era só dela.

- É linda, meu amor... - ela disse, com os olhos marejados, levando a mão ao peito.

Augusto se aproximou mais.

- Eu quero envelhecer ao seu lado. Quero chegar todos os dias e ser recebido pelos seus abraços. Quero ter muitos filhos com você. Nunca pensei que pudesse amar alguém tão exageradamente como eu te amo, Teresa.

Ela não respondeu com palavras. Não precisava. Apenas o beijou.

Era o segundo beijo deles. Um beijo cheio, profundo, carregado de tudo aquilo que não cabia mais ser contido. Se alguém visse, seria escândalo. Mas o casamento era ao amanhecer, e Teresa não estava preocupada com nada além de mostrar àquele homem o quanto já era inteiramente dele.

Naquela noite, quase não dormiram. Não por falta de sono, mas por excesso de emoção.

O casamento aconteceu no alto da colina, na fazenda dos pais de Dália, tios de Augusto. O lugar estava lindamente decorado. Flores simples, bancos de madeira, tecidos claros balançando com o vento leve da manhã. O sol nascia devagar, pintando o céu em tons suaves.

Dália não conseguiu conter as lágrimas desde cedo. A mãe de Teresa levou a mão ao rosto ao ver Augusto caminhando até o altar improvisado, impecável em seu uniforme. O padre sorria. Abençoar um casamento de amor verdadeiro era algo raro. E ele sabia.

Quando os músicos começaram a tocar Eu Juro, presente de casamento escolhido por Dália, Augusto sentiu o ar pesar no peito. As mãos suavam. O coração batia tão forte que ele tinha certeza de que todos podiam ouvir.

E então Teresa surgiu.

Ela estava linda. O vestido era delicado, simples, puro - exatamente como ela. Ao seu lado, o pai, com os olhos marejados e o coração apertado. O que ninguém sabia era que aquele homem estava doente. E que sua oração final fora apenas uma: levar a filha até o altar e vê-la feliz.

E ali ele estava. Cumprindo sua promessa a Deus.

A emoção naquele lugar era quase palpável. Era possível sentir algo maior, algo sagrado. Teresa e Augusto se olhavam como se mais ninguém existisse. Era o dia mais feliz de suas vidas.

No altar, o pai colocou a mão de Teresa sobre a de Augusto.

- Cuide dela - pediu, com a voz embargada. - Ame-a sempre.

- Com a minha vida, senhor - Augusto respondeu, apertando a mão de Teresa com firmeza.

- Amigos e familiares... - o padre iniciou, e todos se sentaram. - Estamos aqui para unir este homem e esta mulher em matrimônio. Nos dias em que vivemos, sabemos o quão difícil é casar amando o futuro. Augusto e Teresa possuem algo raro: um amor genuíno, nascido à primeira vista. Os planos de Deus são maiores do que podemos imaginar, e cada segundo que vivemos já foi escrito por Ele...

Teresa sentia o coração palpitar descompassado. As lágrimas caíam sem pedir permissão. Ela não tentou contê-las.

- Os votos...

Ela respirou fundo.

- No dia em que te conheci, meu corpo sentiu antes mesmo do meu coração ou da razão. Era como se cada parte de mim soubesse que você já me pertencia. Eu nunca havia amado alguém. Não sabia que esse sentimento podia ser tão avassalador. E agora eu sei. Eu morreria por você, Augusto. Não imagino nenhum segundo da minha vida sem você.

Augusto engoliu em seco.

- Teresa... ah, minha Teresa. Quando pedi a Dália que nos apresentasse, prometi que não brincaria com você. Prometi que me casaria com você. Mesmo sem te conhecer, minha alma já havia te escolhido. Você é o ar que eu respiro. Sem você, eu morro. E eu prometo te amar para sempre.

Não havia um rosto seco entre os convidados.

- Teresa, você aceita Augusto como seu legítimo esposo...?

- Sim, eu aceito.

- Augusto, você aceita Teresa como sua legítima esposa...?

- Com toda certeza, sim!

- Pelo poder concedido a mim, eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.

O beijo foi selado com lágrimas, risos e a certeza absoluta de que aquele amor era eterno.

Teresa sentiu o mundo explodir em confetes dentro de si. Estava casada. Com o amor da sua vida.

E, naquele instante, acreditou que nada jamais seria capaz de separá-los.

{...}

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