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Herdeiros de Sangue - O Trono do Don
img img Herdeiros de Sangue - O Trono do Don img Capítulo 1 A Moeda de Troca
1 Capítulo
Capítulo 6 O Troféu de Vidro img
Capítulo 7 O Teatro da Submissão img
Capítulo 8 Batismo de Sangue img
Capítulo 9 O Gelo que Queima img
Capítulo 10 O Ultimato do Sangue img
Capítulo 11 A Lei da Carne img
Capítulo 12 O Eco do Toque img
Capítulo 13 O Protocolo do Descarte img
Capítulo 14 O Laboratório de Carne img
Capítulo 15 O Escudo de Gelo img
Capítulo 16 O Veredito de Sangue img
Capítulo 17 A Herdeira do Veneno img
Capítulo 18 O Brinde de Cinzas img
Capítulo 19 O Testamento dos Condenados img
Capítulo 20 O Retorno da Secretária img
Capítulo 21 O Inventário das Sombras img
Capítulo 22 O Código Hipocrático img
Capítulo 23 Cinzas e Chumbo img
Capítulo 24 O Batismo de Fogo e Água img
Capítulo 25 O Abismo do Don img
Capítulo 26 O Relicário de Vidro img
Capítulo 27 A Ascensão da Víbora img
Capítulo 28 O Altar das Cinzas img
Capítulo 29 O Santuário do Silêncio img
Capítulo 30 O Trono de Gelo img
Capítulo 31 O Espelho da Alma img
Capítulo 32 A Sombra sobre o Egeu img
Capítulo 33 O Labirinto do Pânico img
Capítulo 34 A Descoberta img
Capítulo 35 A Presa de Prata img
Capítulo 36 O Berço Vazio img
Capítulo 37 O Peso da Coroa de Gelo img
Capítulo 38 O Veneno da Realeza img
Capítulo 39 Gaiola de Seda img
Capítulo 40 Interrogatório e Ódio img
Capítulo 41 A Sombra do Irmão img
Capítulo 42 O Convite do Lobo img
Capítulo 43 O Açougueiro Humilhado img
Capítulo 44 A Fortaleza de Vidro img
Capítulo 45 A Diplomacia das Sombras img
Capítulo 46 O Abatedouro de Gelo img
Capítulo 47 O Encontro de Sangue e Gelo img
Capítulo 48 Sangue do Meu Sangue img
Capítulo 49 A Verdade Amarga img
Capítulo 50 O Labirinto da Carne img
Capítulo 51 O Conselho de Sangue img
Capítulo 52 As Sombras de Milão em Solo Russo img
Capítulo 53 O Despertar do Monstro img
Capítulo 54 O Pacto das Cinzas img
Capítulo 55 O Refúgio das Sombras img
Capítulo 56 O Som do Vidro Quebrando img
Capítulo 57 A Aliança dos Predadores img
Capítulo 58 O Espelho de Sangue img
Capítulo 59 O Crepúsculo da Rainha de Vidro img
Capítulo 60 O Banquete dos Abutres img
Capítulo 61 O Último Ato da Tragédia img
Capítulo 62 O Gelo Sob o Fogo img
Capítulo 63 A Caçada sob as Catedrais img
Capítulo 64 O Réquiem de Roma img
Capítulo 65 O Silêncio das Sombras img
Capítulo 66 A Coroa de Espinhos img
Capítulo 67 O Calor do Inverno Russo img
Capítulo 68 O Eco das Cinzas img
Capítulo 69 O Czar e a Sua Devoção img
Capítulo 70 O Sangue nas Oliveiras img
Capítulo 71 O Ventre do Inverno img
Capítulo 72 O Desgelo do Czar img
Capítulo 73 O Cerco Invisível img
Capítulo 74 A Teia de Vidro img
Capítulo 75 A Dança das Lâminas img
Capítulo 76 O Pacto de Sangue img
Capítulo 77 As Sombras no Papel img
Capítulo 78 O Som do Osso Quebrando img
Capítulo 79 O Silêncio da Herdeira img
Capítulo 80 O Martelo e o Bisturi img
Capítulo 81 O Fantasma de Papel img
Capítulo 82 O Peso da Geada e o Calor do Berço img
Capítulo 83 O Reflexo do Abismo img
Capítulo 84 Cinzas e Brasa img
Capítulo 85 O Retorno do Espectro img
Capítulo 86 O Despertar do Rei das Cinzas img
Capítulo 87 O Peso de Dois Reis img
Capítulo 88 A Geada Antes do Degredo img
Capítulo 89 O Último Voo do Falcão img
Capítulo 90 O Silêncio da Neve img
Capítulo 91 O Testamento de Gelo img
Capítulo 92 A Coroa de Espinhos e Gelo img
Capítulo 93 O Crepúsculo do Lobo img
Capítulo 94 O Trono de Ferro e Veludo img
Capítulo 95 O Banquete da Czarina img
Capítulo 96 Sombras no Jardim img
Capítulo 97 A Audiência Privada img
Capítulo 98 O Legado do Rival img
Capítulo 99 Sangue na Neve img
Capítulo 100 A Vulnerabilidade do Lobo img
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Herdeiros de Sangue - O Trono do Don

Autor: Melissa Mel
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Capítulo 1 A Moeda de Troca

Herdeiros de Sangue - O Trono do Don

(PARTE 1)

Capítulo 1 - A Moeda de Troca

Narrado por Leonora Giordano

O silêncio do escritório de Leonardo De Luca às três da manhã tinha um peso físico. Era como se as paredes de ébano e as janelas de vidro à prova de balas estivessem sugando todo o oxigênio de Milão, deixando-me apenas com o cheiro de couro novo e o zumbido elétrico do servidor que eu acabara de invadir.

Minhas mãos tremiam, o suor frio fazendo meus dedos escorregarem pelo teclado mecânico.

- Quase lá... por favor, carrega logo, porra - sussurrei para a tela, meus olhos fixos na barra de progresso que parecia zombar da minha urgência.

Oitenta por cento.

Eu estava há seis meses interpretando o papel da assistente pessoal perfeita. Seis meses sorrindo de forma submissa, agendando reuniões com políticos corruptos e aceitando o olhar gélido daquele homem como se ele fosse apenas um CEO exigente e não o carrasco que tinha o sangue da minha família nas mãos. Meu pai não era um santo, eu sabia disso, mas ele não merecia ter sido descartado como lixo.

Noventa e cinco por cento.

O clique seco de uma porta se fechando atrás de mim fez o meu coração parar, literalmente parar. Um estalo gelado percorreu minha espinha, e eu não precisei me virar para saber quem estava ali. O ar na sala mudou, ficou mais denso, mais perigoso.

- Você sempre foi a minha assistente mais eficiente, Leonora, mas essa sua dedicação noturna é... surpreendente.

A voz dele era um barítono suave, quase uma carícia, mas carregava a lâmina de uma guilhotina. Girei a cadeira devagar, o tablet escondido sob a minha coxa. Leonardo De Luca estava parado a poucos metros, encostado na moldura da porta com uma elegância que me dava nojo. Ele não usava o paletó, as mangas da camisa branca estavam dobradas, revelando os antebraços fortes e a tatuagem de uma coroa de espinhos que rodeava seu pulso.

Ele segurava um copo de cristal com dois dedos de uísque, mas seus olhos cinzas estavam fixos em mim. Não havia fúria neles, havia algo muito pior, diversão.

- Senhor De Luca... eu... - Minha voz falhou, presa no pavor.

- Poupe-me das desculpas patéticas de "esqueci meu celular" ou "precisava terminar um relatório" - ele disse, dando um passo em minha direção. Cada batida do sapato italiano dele no chão parecia um prego sendo martelado no meu caixão. - Eu sei exatamente quem você é, Leonora Giordano. Filha de Pietro Giordano, o homem que achou que poderia roubar da L'Eclisse e sair impune.

Senti o sangue fugir do meu rosto. Ele sabia, o tempo todo.

- Você... se você sabia, por que me contratou? - Perguntei, o desafio começando a queimar através do meu medo.

Leonardo parou na frente da mesa e tomou um gole lento da bebida, observando-me por cima do cristal.

- Porque eu gosto de manter meus inimigos onde eu possa vê-los e porque eu estava esperando o momento em que você se tornaria útil. - Ele se inclinou sobre a mesa, as mãos grandes apoiando-se no carvalho. - Você quer vingança, não é? Quer os nomes dos homens que puxaram o gatilho. Quer ver o meu império queimar.

- Eu quero justiça - sibilei.

- No meu mundo, justiça é uma palavra para os fracos que não podem pagar pela vingança. - Ele sorriu, um movimento cruel dos lábios. - Mas hoje, Leonora, eu não vou te matar por essa pequena invasão. Na verdade, eu vou te oferecer um negócio.

- Eu não faço negócios com monstros.

Leonardo largou o copo e, em um movimento rápido como o de uma víbora, agarrou meu pescoço. Não para me sufocar, mas para me obrigar a olhar para ele. Seus dedos eram quentes e fortes, uma promessa de domínio que me fez estremecer.

- Você vai aprender a medir as suas palavras, sua vadia insolente - ele rosnou, o rosto a centímetros do meu. - O Conselho da máfia está me pressionando. Eles querem estabilidade, querem um herdeiro para garantir que a linhagem De Luca continue, e eu decidi que você será a mãe desse herdeiro.

Eu congelei. A proposta era tão absurda, tão perversa, que levei alguns segundos para processar.

- Você enlouqueceu? Eu prefiro morrer a carregar um filho seu.

Ele soltou meu pescoço com um empurrão desdenhoso e caminhou até a janela, olhando para Milão como se fosse o dono do sol e da lua.

- Morte é um luxo que eu não vou te dar. Vamos falar sobre a sua tia, Sofia. Aquela mulher doce que vive em Palermo e que você sustenta com o bônus que eu te dou todo mês. - Ele se virou, e o brilho nos seus olhos era puro veneno. - Um telefonema meu, e a casa dela pega fogo com ela dentro. Um comando meu, e os crimes do seu pai, as provas de que ele era um pedófilo e um traidor que você tanto tenta esconder, serão entregues à polícia e à imprensa. O nome Giordano será arrastado na lama até que não sobre nada além de cinzas.

- Você não faria isso... - Minhas lágrimas começaram a cair, quentes e amargas.

- Eu sou um Don da máfia, Leonora, eu faço coisas muito piores antes do café da manhã. - Ele caminhou de volta para mim, parando tão perto que eu conseguia sentir o cheiro de álcool e perigo. - A proposta é simples, você se muda para a minha mansão, você vive sob as minhas regras. Você me dá um filho homem, saudável e forte. No momento em que ele nascer, eu apago o passado do seu pai, garanto a segurança da sua tia para o resto da vida e te dou a sua liberdade.

Ele não mencionou o que aconteceria se eu não desse um herdeiro. Ele não mencionou que eu seria apenas uma incubadora descartável, mas eu via a indiferença cruel no seu olhar. Eu era apenas um meio para um fim.

- Por que eu? - Perguntei. - Há centenas de mulheres que matariam para estar na sua cama, para ter o seu sobrenome.

Leonardo passou a mão pelo meu cabelo, um gesto que parecia um carinho, mas era uma reclamação de posse. Ele enrolou uma mecha nos dedos e puxou, forçando-me a olhar para cima.

- Porque eu quero o fogo que brilha em você. Porque eu quero que o meu filho tenha a inteligência de uma mulher que teve a audácia de tentar me derrubar e, principalmente... - ele se inclinou e lambeu uma lágrima que escorria pelo meu rosto, um gesto tão íntimo e degradante que me fez estremecer de repulsa e um prazer sombrio que eu odiava sentir - ...porque eu quero ver o momento em que eu vou finalmente quebrar esse seu orgulho maldito entre os meus lençóis.

Eu estava presa, não havia saída. Se eu fugisse, minha tia morria, se eu ficasse e não aceitasse, ele me destruiria. Leonardo De Luca tinha armado a armadilha perfeita e eu tinha caminhado direto para o centro dela.

- Eu odeio você - sussurrei, as palavras carregadas de todo o veneno da minha alma.

- O seu ódio não me serve de nada, Leonora, o seu útero, sim. - Ele soltou meu cabelo e caminhou até a porta, parando antes de sair. - Você tem cinco minutos para pegar as suas coisas. O meu motorista está esperando lá embaixo. De agora em diante, você não é mais só minha assistente. Você é minha propriedade.

Ele saiu sem olhar para trás, deixando-me desfeita naquela cadeira de couro. Olhei para a tela do computador, a barra de progresso dizia "Concluído", mas aqueles dados não valiam mais nada. Eu não era mais a caçadora, eu era a presa e o predador acabara de decidir que a temporada de caça estava aberta.

Limpei o rosto com as costas da mão, sentindo o peso da minha nova realidade. Eu entrara naquela empresa para destruir Leonardo De Luca, mas agora, eu teria que carregar a própria semente dele para sobreviver.

Levantei-me, as pernas vacilantes, e caminhei em direção à porta. A vingança teria que esperar, agora, a guerra era pela minha sobrevivência e pela vida do meu filho... um filho que eu já odiava antes mesmo de existir.

            
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