Mas a quem eu queria enganar, a verdade é que eu não podia lidar com ele, um louco estável, um caçador insaciável que não estava se importando em me machucar no processo, mas aquelas sensações, aquele beijo faminto e selvagem como se quisesse me devorar, ele me tocou, sentiu toda minha excitação, estou me odiando por ter quase tido um orgasmo com ele, não! Impossível eu ter gostado disso.
Não mesmo. Repito na minha mente como se isso fosse apagar tudo que aconteceu.
Kamille e Isa chegaram algum tempo depois, me encolhi em uma bolha e fingi está dormindo, enquanto elas discutiam de quem era a culpa por ter me abandonado, acordei cedo e andei até o lugar que meu celular havia sido jogado, minha esperança era que nenhum sem teto houvesse pegado, para minha sorte encontrei o que sobrou dele perto do meio fio, estava completamente destruído. Tirei o chip e joguei os destroços fora, como eu explicaria aos meus pais o que houve?
Estava andando e pensando em uma boa desculpa quando vejo uma caixa preta na porta do quarto.
Pequena Valentine.
Kay! Olho ao redor, mais não vejo sinal dele, nem sinto sua presença obscura me sufocando, penso em jogar no lixo, mas se isso fosse mesmo o que eu estava pensando usaria até comprar um novo. Dentro da caixa tinha um iPhone branco e uma rosa-branca, com uma única pétala vermelha, seguro em minhas mão e tento entender como ele havia feito isso até perceber que era sangue!
Seguro a flor e parto em pedaços para jogar no lixo, mas antes que eu conclua meu trabalho furo o dedo nos espinhos, sádico do caralho! Após me livrar da flor esquisita entro no quarto e ligo o celular, as meninas continuam dormindo, só tinha um único número, o dele.
Desligo o aparelho e retiro o chip, nem pensar que eu iria usar um número que ele escolheu, coloco o antigo e espero a enxurrada de mensagens. Kamille, Isa, mamãe, após responder todas, as abro as mensagens de Kaio, eu ainda estava magoada pelo gelo que ele havia me dado, mas entendia que precisávamos conversar, combino de tomar café com ele antes da aula. Como o tempo estava um pouco frio coloco um vestido preto de gola alta, e uma meia escura, o vestido era bem, mas curto do que me lembrava, mas irá servir com a bota da Prada que ganhei de aniversário, sem falar que o vestido esconde a mancha roxa no meu pescoço.
Estupido doente.
Pego minha bolsa e alguns itens pessoais e minhas chaves, a universidade era bem perto dos alojamentos, mas eu pretendia ir ao shopping após a aula então teria que ir de carro, quando entro na praça de alimentação me pergunto se tem algo no meu rosto já que as pessoas não param de me olhar, bem a maioria era garotos, então supus que era o vestido curto.
Vê o garoto que eu sempre fui apaixonada depois do que aconteceu ontem faz um bolo subir pela minha garganta. Mas eu digo a mim mesma que nada disso teria acontecido se ele não tivesse me abandonado. Kaio abre um sorriso assim que me vê, tento não o comparar com Kay, mas desde que começou a me perseguir como um Stalker estava ficando difícil não pensar nele.
- Oi linda! Diz me envolvendo em seus braços. Kaio sempre foi tão protetor e carinhoso, eu não me lembro de quando me apaixonei por ele já que sempre fomos próximos, a única diferença entre ele e Kay eram os olhos e a altura, enquanto Kaio tinha olhos verdes como os da sua mãe Kay tinha olhos escuros e uma presença ameaçadora, só que não de um jeito ruim, pelo contrário, de um jeito totalmente quente, tatuagens no pescoço nos braços.
Desde quando eu acho isso quente?
- Cassie me desculpe, eu não sei o que aconteceu ontem, eu saí com os meninos da fraternidade e quando estávamos lá Colin me disse que tinha uma garota passando mal, quando entrei no quarto o idiota me trancou, mas eu juro que não aconteceu nada.
– É claro que não! Estávamos falando do Kaio, não do Kay. Por que eu estou pensando nele? Porque estou comparando os dois.
-Tudo bem! Eu fui com as meninas. Ele me lança um olhar preocupado, e não sei porque isso me incomoda.
- Mas eu voltei bem cedo. Não sei porque me justifiquei, na verdade sei sim, por que eu estava me sentindo culpada.
-Kay estava lá, eu tenho quase certeza que isso é coisa dele, já que o Collin e eles são amigos, ele se aproximou de você? – Eu nunca tinha mentido para ele, mas dizer o que Kay fez, o que fiz, me envergonhava até os ossos.
- Eu não o vi! Ele respira aliviado, a mentira faz meu estomago embrulhar. Kaio passa a mão no meu rosto e o gesto de carinho me faz rir, isso me lembra de quando éramos crianças, nosso momento é quebrado quando chega uma mensagem no meu celular de um número desconhecido.
Ainda posso sentir seu gosto, lembre-se que você é minha foda premium, não a deixarei até que eu tenha o que quero.
Filho da puta maluco! Digito uma resposta rapidamente tentando disfarçar o desconforto e vermelho que deve ter subido por todo meu rosto, ele estava aqui? Eu não o via, mas podia sentir sua presença pesada, sua áurea perversa era como se uma sombra negra começasse a me seguir por todos os lugares.
- Está tudo bem? Kaio me pergunta preocupado. Dou um sorriso amarelo e escondo o celular, o idiota continua me enviando mensagens e eu dou o meu máximo para não deixar que estrague meu dia.
-Não é nada, apenas Kamille preocupada, quando eu saí elas estavam dormindo. Mentirosa! Meu subconsciente grita.
-Como está sendo dividir o quarto com duas garotas? A mudança de assunto me faz respirar aliviada.
- Não tão ruim quanto eu havia imaginado, Kamille e Isa são bagunceiras, barulhentas, mas nada que eu não possa lidar. Ele sorri e beija meu rosto, o gesto de afeto me faz ficar igual uma boba, devido à proteção super exagerado dos meus pais, nunca tivemos qualquer oportunidade de se quer darmos um beijo, o que não me impedia de tentar outras coisas sozinha dentro do quarto.
-Cassie me prometa que irá ficar longe do meu irmão! Segura minhas mãos e me encara bastante sério. – Eu sei que isso parece paranoia minha, mas Kay não é, mas o mesmo, que dizer, ele nunca foi bem normal, mas eu sei que ele esta aprontando algo, sei que está envolvido em coisas erradas, ele está nessa de trabalhar para o meu tio em atividades perigosas como limpeza de sujeira, e eu tenho certeza que isso envolve drogas.
Meus olhos saltam com essa revelação, eu já sabia que eles vinham de uma familia poderosa de mafiosos, mas não sabia que esses negocios se stendiam por aqui, já que o Sr. Kaito era contra.
- Eu não vejo Kay, e ele não está bem na lista de pessoas que eu desejo conviver.
Em menos de uma semana na universidade, eu já havia contado mas mentiras do que durante toda minha vida. Ele sorri e se aproxima de mim, logo sinto seus lábios macios e delicados pressionando os meus, sua língua pede passagem na minha boca que logo concedo, nada agressivo, nada bruto. Pare de os comparar.
Nosso beijo não dura muito, mas é suficiente para me deixar radiante pelo restante do dia, tomamos café e ele me leva para minha primeira aula, na correria do dia eu não penso nas mentiras, ou no cara de um metro e noventa que não parava de me importunar. Minha primeira aula foi incrível, nossa professora nos levou a sala de música e meus olhos ficaram presos em um piano marrom junto com os instrumentos da orquestra, meus dedos começaram a coçar para tocar eu não estava resistindo a vontade de dedilhar aquele piano incrível.
- Vá em frente Cassie! Como se estivesse lendo meus pensamentos minha professora diz apontando para o piano, meu rosto esquenta com toda atenção que recebi dos meus colegas, penso em recusar, mas digo a mim mesma que estava aqui para ser a melhor então me sento de frente para ele respiro fundo e começo a tocar.
Meus dedos passeiam com facilidade pelas teclas macias, deixo a melodia me levar, a composição de Franz Liszt era umas das mais difíceis de se tocar, mas já estava gravada na minha mente passei anos tentando aprender agora parecia simples. Quando finalizo todos me aplaudem e sei que estou vermelha igual pimenta.
-É uma musica difícil, deve ter praticado muito. – Ela diz, algumas pessoas vêm falar comigo e isso me deixar um pouco desconfortável, tento agir de forma educada com todos mas eu odiava ser o centro das atenções. – Você é boa, melhor que a Katherine. Uma garota loira de óculos sussurra perto de mim. O gesto repentino faz com que eu me afaste um pouco, -- Desculpa se te assustei. – Meu nome é Miranda. Estende a mão, pego rapidamente para não ser grossa, suas mãos estavam suadas e pegajosas e eu resisto a vontade de não passar na roupa, o álcool estava no meu bolso era só pegar mas não queria que pensasse que eu era esnobe, eu era a nova na turma não estava podendo desperdiçar amigos.
- Cassie, e quem é Katherine? – Pergunto esfregando a mão na roupa discretamente, ela aponta para uma garota ruiva chamada Katherine que não parava de me lançar olhares afiados.
-Ela é a melhor da turma, bem pelo menos era. Miranda tagarela ao meu lado durante boa parte da aula, eu tento não pensar na garota ruiva ou em qualquer outra coisa durante o restante do dia e isso parece funcionar, no final da aula encontro as meninas no estacionamento, Kamille começa a contar como chegou em casa noite passada e eu não consigo conter a risada, ignoro a queimação no meu pescoço finjo esta bem atenta a conversa das meninas e não ao garoto de roupas negras do outro lado do estacionamento.
- Então você conheceu a mis Katherine? Isa pergunta divertida.
- Han acho que ela não gostou de mim. - enfio meu telefone que não parava de vibrar na bolsa.
- Ela não gosta de ninguém! Exceto do irmão malvado do seu namorado. Rolo os olhos, era incrível como Kay sempre estava nos nossos assuntos, era como se a universidade girasse em torno dele.
- Péssimo gosto! Digo enquanto entramos no carro, eu não queria mas falar desse garoto infernal.