Quando Kamille chegou no nosso quarto eu queria me enfiar em um buraco, a parte ruim de dividir um apartamento com outras pessoas é que você não conseguia ficar sozinha.
- Eu não acredito que não me contou isso! Cassie, esse é o tipo de coisa que amigas não devem esconder das outras. – Diz emburrada.
- Não foi grande coisa Kamille, eu estou bem e viva. - Bufo irritada, talvez o fato de eu nunca ter tido amigas tenha me tornado uma pessoa fechada e bem egoísta.
- Não foi grande coisa? Pergunta me lançando um olhar afiado - Eu descobri pela fofoqueira da Savannah que aquele maluco do Kay saiu te arrastando da festa. – Isa que havia acabado de entrar me olha com uma sobrancelha arqueada.
- Você não namora o irmão? Meu deus! Quando minha vida virou um livro aberto, queria descobrir quem era essa Savannah para eu mesma matá-la.
- Ele só queria me importunar sério! Não aconteceu nada. Mentira, mentira, mentira. Isa me lança um olhar de quem não estava comprando minhas desculpas. – Se ele tiver encostado em você vou esmagar as bolas daquele bastardo! Ela diz em tom agressivo, isso faz com que eu me sinta um pouco melhor, saber que tinha amigas que se importavam comigo mesmo que eu fosse uma grande mentirosa era um alívio.
- Você chama isso de importunar? É por isso que você estava entranha no dia seguinte, também vi a marca no seu braço, não acho que isso foi qualquer coisa, eu sei que talvez tenha medo de nos contar, mas se ele te machucou precisa dizer. Me jogo na cama e fecho os olhos eu queria fingir que não estávamos tendo essa conversa, contar o que Kay fez envolvia contar o que eu também tinha feito.
- Por Deus Kamille, ele só é um idiota e sim, apertou me braço o suficiente para deixar uma marcar, mas isso é algo que ele sempre fez comigo desde pequena. E não se preocupe vou ficar bem longe dele.
- E se a gente riscasse o carro dele? Kamille pergunta me deixando nervosa. Eu sei que ele ama aquele carro, ou podemos fazer uma bomba fedorenta eu aprendi fazer uma na aula de química que vai deixá-lo distante de qualquer pessoa por muito tempo. Isa pula da cama bem interessada no assunto.
- Eu acho que estou gostando dessa ideia. – Dou um sorriso fraco por que sei que nem brincando Kay deixaria isso passar.
- Isso é loucura. Vocês sabem disso. Isa, você não pode achar que isso vai dar certo, e se ele fizer da gente seus alvos vocês mesmo falaram sobre ficar longe dele e dos amigos, eu prefiro seguir esse conselho.
- Eu acho que devemos mostrar para ele que não deve se tratar uma garota dessa forma, seu namorado não vai se importar né? Elas não estavam dando a mínima para minha opinião quando Kamille colocava algo na cabeça era impossível de tirar.
- Kaio me disse para ficar longe dele, e eu prometi então não! Não vamos fazer isso mocinhas.
-Kaio não deve saber o que ele fez, e eu entendo de você não ter contado, acho que ele poderia pensar que rolou algo entre vocês. Isa diz olhando para as unhas e eu dou graças a deus que não estava olhando pra mim ou veria a mentira estampada no meu rosto.
- Está decidido, será na sexta a noite. Kamille põe fim ao assunto e eu fecho os olhos enquanto elas discutem como farão para fazer as bombas de fedor. Penso no que meus pais diriam ao ver a pessoa que me tornei, mentirosa, vingativa.
Você envergonha nossa família Cassie.
A semana passou voando quando me dei conta já era sexta feira, para minha sorte consegui evitar Kay todo esse tempo, é claro que ele continuou me importunando com suas mensagens doentias. Mas as poucas vezes que me encontrei com ele estava na companhia de Kaio ou das meninas então não tive o desprazer de ter que lidar com ele, para minha sorte as meninas concordaram em não falar isso para o Kaio ou as coisas ficaram bem piores, tentei convence-las de que sexta eu iria para casa dos meus pais, mas elas me importunaram para ir após a noite da gaiola. Um nome ridículo para uma festa mas ridícula ainda, era literalmente um lugar com bebidas, musica barulhenta, corrida de carros, e uma gaiola onde idiotas universitários lutavam por dinheiro, e o grande autor desse circo não podia ser ninguém menos que ele Kay Yamazaki.
Saio correndo da aula para organizar minhas coisas antes de passar o final de semana em casa com meus pais, eles já estavam me enlouquecendo por ter que ir tarde da noite, mas Kamille me fez dizer que teria uma noite das garotas no nosso quarto vendo series e comendo chocolate, eles concordaram contra gosto, mais ela prometeu que me levaria para casa as onze e conhecendo minha prima, ela sabia ser bem convincente quando queria algo. O estacionamento estava estranhamente vazio exceto por uma BMW preta, estacionada ao lado do meu carro. Mas que inferno Kay.
Tento não olhar em sua direção enquanto procuro as chaves na minha bolsa, mas os barulhos estranhos atiçam minha curiosidade, a janela estava aberta e seus olhos estavam fechados sua sobrancelha escura erguida enquanto murmurava baixinho, uma de suas mãos descansava sobre o volante e a outra estava: Oh céus. Me arrependo de olhar no mesmo instante, tinha uma garota fazendo um boquete nele ali em pleno estacionamento ainda era final do dia, meu rosto esquenta de vergonha eu não queria ser pega vendo essa depravação, mas a intenção dele era justamente essa pois estava ao lado do meu carro, como se percebesse que eu estava olhando seus olhos escuros me encaram, ele aperta ainda mais firme os cabelos loiros da garota que gemia enquanto o chupava. Sem que eu queira meus olhos descem para seus lábios, seu pescoço, e as tatuagens escuras que marcavam sua pele. Kay sabia que era bonito, e Deus não sei por que, mas ele estava tão sexy, meus olhos se aventuram mais pelo seu corpo. Desvio o olhar e repreendo os pensamentos tão logo vieram em minha mente.
Abro a porta do carro e entro apressadamente me certificando de estar mesmo trancada, minha respiração e minha pulsação estavam super aceleradas, só consigo respirar normalmente quando já estou longe da universidade, eu estava sentindo um mau está na boca do estomago, e digo a mim mesma que isso era nojo daquele maluco, ou medo pelo que faríamos logo mais. Meu celular vibra com uma nova mensagem não precisava nem olhar para saber de quem era.
Poderia ser você aqui, gostou do que viu?
Eu tinha ignorado todas as suas mensagens durante o resto da semana, tinha feito uma promessa de que me manteria longe, aliás eu e Kaio estávamos bem eu prometi a ele não chegar perto de Kay, mas uma parte insana do meu cérebro não queria que ele pensasse que me afetava.
Não achei grande coisa, na verdade não achei nada grande! Você se gaba de muito pouco.
Mentira! Você gostou do que viu.
Meu subconsciente grita, irritado jogo meu celular na bolsa e penso em hoje à noite e nas inúmeras possibilidades do nosso plano dar errado. Quando chego no apartamento fico aliviada que as meninas ainda não chegaram as vezes eu só queria ficar um pouco sozinha e ouvir meus pensamentos. É claro que a paz e o sossego não duram muito, Isa é a primeira a chegar, ela sorrir enquanto segura três balões de aspecto entranho nas mãos.
- Sorria Cassie hoje mostraremos aquele idiota porque não se deve mexer com a gente. Gemo baixinho e enfio o rosto no travesseiro, eu tinha uma pequena esperança de que elas haviam desistido desse plano idiota.
"Oi minha linda? Que tal saímos hoje a noite, podemos sair para comer e te levo em casa antes da meia noite.
Meus olhos brilham quando vejo a mensagem de Kaio na tela, meu estomago embrulha só de pensar que terei que mentir para ele, mas uma vez.
- Pela sua cara o irmão bonzinho te mandou mensagem. – Jogo o travesseiro em seu rosto, eu era tão óbvia assim.
-Eu posso não ir para esse show de horrores que será hoje a noite e sair com o cara que eu sou super mega afim? Ela coloca o dedo sobre o queixo e finge pensar. – Não mesmo mocinha, vamos restaurar a sua honra, fala para ele te encontrar depois disso, sei lá, abre a janela do seu quarto. Meu rosto fica vermelho com a possibilidade.
- Meus pais me matariam. – Isa sorri de forma maliciosa. – Não precisa dizer a eles, isso é a parte divertida de namorar. Penso no que ela diz e uma sensação de ansiedade me domina, eu poderia fazer isso já tinha dezoito anos e nunca fiz nada de errado.
Será?
"Tenho planos com as meninas hoje, que tal eu deixar minha janela aberta, acha que consegue chegar até lá?
Eu não acredito que fiz isso, meu peito vibra de expectativa o nível máximo que tive de amasso com algum garoto foi o episódio traumatizante com Kay.
"Nem precisa perguntar, eu dou um jeito.
- Pela cara de sapeca está fazendo o que eu disse. - Dou de ombros. - Talvez sim! Nossa conversa é interrompida por uma eufórica Kamille que entra empurrando a porta do jeito mas barulhento possível.
- Você não tem ideia do significado de bater não é? Iza bufa irritada. - Tem alguém transando? Não! Então foda-se bater. Minha noite seria longa com essas duas.
Sim nos estávamos fazendo merda, por mas que a intenção fosse me ajudar elas não sabiam com quem estavam lidando, na verdade nem eu sabia, Kay não era apenas mais só o irmão asustador do meu melhor amigo, ele era o garoto sombrio e cruel que não conhecia a palavra limites e estávamos indo em direção a toca da cobra. Então porque não recuar? Era meio tarde para isso, Kamille e Isa estavam atrás de mim com com uma bolsa cheia de bexigas fedorentas, ambas me olham com expectativa, e minhas mãos estavam suadas e trêmulas, eu sentia que iria vomitar a qualquer minuto, o lugar estava lotado de gente, a grande maioria eram estudantes alcoolizados e sorridentes, evitamos a maior parte do tumulto ao entrar com Lory e Marcos pelos fundos, a gaiola era uma antiga pista de corrida que se estendia além do que eu conseguia ver, as arquibancadas estavam lotadas a maioria do público eram garotas com shorts curtos e mini saias, no lado esquerdo da pista havia um galpão onde as lutas aconteciam, existia literalmente uma gaiola onde caras grandes e asustadores lutavam, meus pais me matariam se soubessem onde eu estava.
- Bom gente, temos uma vista privilegiada da luta, Kay vai lutar hoje estou ansiosa para ver aquele rosto bonito sangra. Lory diz calmamente, hoje ela não estava com tanta maquiagem como da última vez, dando a ela uma aparência mas jovem. Elisa a garota que não gostava muito de mim chegou logo em seguida acompanhada de Alex, o ficante premium da minha prima.
- Espero que não! Eu apostei muito dinheiro nele essa noite. - Marcos rebate, Elisa joga os braços em volta da pequena garota e elas duas conversam baixinho olhando para Marcos, eu desconfiava que esses três tinham um lance tipo trisal.
- Bom gente, eu preciso ir ao banheiro, Kamille Cassie, venham comigo. Isa diz sinalizando para direção oposta. Recebemos um olhar interrogativo dos outros mais antes que digam qualquer coisa, Kamille agarra meu braço e me puxa em direção ao mar de corpos.
- Isa vai com calma ou vamos nos separar. A voz de Kamille se perde quando não vemos mas os cabelos escuros da eufórica Isa.
- Que merda! Eu falei para ela ir com calma. Olho ao redor mas nem sinal dela, tinha muitas pessoas passando e esbarrando em mim, me arrependo na mesma hora de ter colocado um louboutin de pedras escuro, eu precisa fazer compras.
- Talvez isso seja uma sinal para desistimos dessa ideia idiota. - Tento convencê-la do contrário uma última vez.
- Nem pensar! Vejo uma menina de cabelos ondulados e cumpridos e a sigo, estava de vestido vermelho logo à frente, solto o braço de Kamille e vou até ela. - Cass não! Seguro no braço da garota e recebo um olhar irritado, droga não era ela. Quando me viro de volta para Kamille não há vejo mais, que ótimo. Empurro as pessoa e tento fazer meu caminho de volta mas não dá, eu não vejo ninguém, percebo que estávamos bem longe da pista de corrida, meu peito sobe e desce e por um momento eu sinto um arrepio na minha nuca.
- Pequena Valentina! Achou mesmo que eu não saberia do seu plano idiota.
Um sussurro horripilante emerge de um canto escuro, meu corpo treme ao ouvir sua voz. Me afasto dele e corro para o outro lado, minha respiração fica presa ao ver que corri para direção errada, aqui estava mas escuro e vazio as poucas pessoas que passavam estavam curvadas com cigarros na boca.
Me aventuro ainda mais longe em busca de um lugar movimentado, mas para esse lado só tinha entulhos e antigas salas vazias.
- Kay fique longe de mim, eu estou com companhia.
- Me parece que está sozinha e vulnerável, toda minha.
Sua voz rouca insiste em me assombrar, era uma droga que todos os balões haviam ficado com Isa, uma bomba fedorenta nesse momento viria a calhar, vejo um corredor com uma luz no fundo e muito barulho meu peito enche de esperança, começo a correr até lá só para perceber que era as luzes da pista de corrida, estávamos abaixo das arquibancadas. Meus olhos queimam quando percebo que estou presa neste lugar com esse doente, ele estava brincando comigo me afastando da multidão para me deixar sozinha, como eu achei que poderia com ele?
- Peguei você ratinha.
Um grito escapa dos meus lábios quando sou empurrada para mas longe, começo a tossir quando minhas costas batem forte sobre uma parede de concreto, minha respiração começa a pesar e meu peito dói eu estava apavorada.
- Temos muito que conversar Cassieee. Diz cantarolando meu nome. Meus olhos vagam pela antiga sala mas não há muita para onde fugir, era uma sala grande com apenas uma entrada e nada de janelas, tinha uma pilha de cadeiras em um canto e um antigo sofá no meio da sala, torço o nariz com nojo desse ambiente. Kay enfia os dedos nos meus fios longos e enrola em suas mãos em seguida ele puxa, gemo de dor quando ele puxa meu rosto para bem perto do seu, não me atrevo a olhar para suas iris negras. Tento recuar, mas ele aperta ainda mas, unindo nosso rostos, sinto sua respiração rente ao meu rosto, o hálito quente com cheiro de menta e álcool, seu perfume amadeirado meio picante invade meu nariz.
- Então, eu não sou grande coisa para você não é? Que tal a gente brincar um pouquinho. Eu sabia que não deveria ter escrito aquela mensagem idiota.
- Kay me deixe ir. Minha voz soa desesperada, minhas mãos tentam inutilmente empurrar seu peito para longe mais ele não move um músculo se quer.
- Nem pensar Cassie, vou fazer você retirar tudo que disse. Sua voz estava assustadora, arregalo os olhos quando sinto sua mão descer sobre o zíper da calça.
- Kay por favor! Seu rosto duro não demostra nada.
- Já está implorando princezinha nem começamos.