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O Pacto de Casamento Falso da Herdeira Muda
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Capítulo 2 2

O jantar foi um estudo sobre exclusão.

A mesa de jantar era longa o suficiente para pousar um avião, posta com porcelana fina e talheres pesados o bastante para serem armas.

Brisa sentou-se na extremidade oposta, de frente para Ápice. Havia trocado de roupa por uma camiseta branca lisa, o tecido fino e lavado tantas vezes que era quase transparente.

Diante de todos os outros, pratos de pato assado com cobertura de cereja.

Diante de Brisa, uma tigela de salada verde. Sem molho.

Gema cutucou seu pato.

- O baile de gala é amanhã - disse ela, a voz leve e borbulhante. - Vou usar o Dior personalizado. As provas foram um pesadelo, mas finalmente está perfeito.

Ela olhou para Brisa, esperando uma reação. Brisa cortou uma folha de alface com precisão cirúrgica.

Ápice bateu na taça com uma colher.

- Brisa também comparecerá. Existem... obrigações.

Brisa mastigou. Encarou o centro de mesa, um arranjo maciço de lírios brancos. Não assentiu.

- Ela entende português? - perguntou Gema, olhando para Cerne. - Talvez precisemos de linguagem de sinais.

- Ela entende - disse Cerne, sem levantar os olhos do celular. - Ela só é difícil.

Após o jantar, Brisa retirou-se para o terceiro andar. Mal havia fechado a porta quando ela foi empurrada com força.

Gema estava lá, a máscara de irmã doce havia desaparecido. Seu rosto estava retorcido em um sorriso de escárnio.

- Não pense - sibilou Gema, entrando no quarto e chutando a porta para fechar -, que só porque você tem o sobrenome, você ganha a vida. Você é uma peça de reposição. Um estepe.

Brisa ficou parada perto da escrivaninha. Observou Gema avançar.

- Estes são meus pais - disse Gema, cutucando Brisa com força no ombro. - Minha avó. Meu dinheiro. Você é lixo.

Ela empurrou Brisa.

Brisa cambaleou para trás, a omoplata batendo na parede com um baque surdo. A dor irradiou pelo braço.

Ela não emitiu nenhum som. Seu rosto permaneceu uma tela em branco.

Essa falta de reação enfureceu Gema. Ela agarrou um copo de água da mesa de cabeceira e jogou o conteúdo no rosto de Brisa.

- Diga alguma coisa! - gritou Gema. - Sua aberração! Sua idiota muda!

A água pingava dos cílios de Brisa. Ela não limpou. Simplesmente piscou, os olhos acompanhando uma gota enquanto ela caía de seu queixo para o chão.

Gema soltou um grito frustrado e saiu tempestuosamente, batendo a porta com tanta força que o vidro da janela estremeceu.

Brisa ficou ali por um minuto inteiro. Então, lentamente, limpou o rosto com a bainha da camiseta. Caminhou até a porta e acionou a tranca.

Foi até a cama e levantou o colchão. Por baixo dele, enfiado em uma fenda no estrado, estava um tablet preto. Era um protótipo, criptografia de nível militar que ela mesma havia resgatado e consertado.

Sentou-se no chão, cruzou as pernas e digitou uma senha de vinte caracteres.

A tela ganhou vida. Ela conectou um pequeno dongle USB caseiro - um "Abacaxi Wi-Fi" que construíra com peças sobressalentes - para contornar o firewall comercial da família. Levou menos de trinta segundos para encontrar a porta legada que Cerne não se dera ao trabalho de atualizar.

Abriu um aplicativo de desenho. Seus dedos, geralmente fechados em punhos ou pendurados frouxamente, tornaram-se fluidos. Dançavam pelo vidro.

Linhas se formaram. Formas coalesceram.

Em dez minutos, estava pronto. Uma caricatura no estilo de horror gótico grotesco. Retratava uma garota em um terno Chanel, mas sua pele descascava como papel de parede podre. Por baixo, ela não era humana. Era uma massa de vermes se contorcendo e moedas de ouro. Sua boca estava costurada com fio de diamante.

Brisa assinou no canto: E-11.

Logou em um servidor seguro, roteado por três países diferentes, e postou a imagem no fórum de arte underground.

Legenda: Bem-vinda ao Lar. ValoresFamiliares

Ela atualizou a página.

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Comentários inundaram.

User_X: "E-11 está de volta! A rainha retornou."

Art_Snob: "A textura na pele... visceral. Isso é um comentário sobre a burguesia?"

Dark_Soul: "Sinto essa imagem nos meus dentes."

Brisa observou os números subirem. Uma notificação surgiu de um escritório de advocacia representando um grande estúdio de jogos. "E-11, em relação à aquisição de direitos para seu recente portfólio de personagens..."

Ela deslizou para dispensar.

Colocou seus fones de ouvido com cancelamento de ruído. Rolou para uma playlist rotulada "RUÍDO". Metal industrial pesado e caótico explodiu em seus ouvidos, uma parede de som para manter as memórias afastadas.

Flashback. Um porão. Cheiro de mofo. Crianças rindo. Um pé conectando com suas costelas. "Diga alguma coisa, aberração!"

Brisa apertou os olhos com força. Sua mão tremia violentamente. Não procurou pílulas; não tinha acesso a elas ali. Em vez disso, pegou um lápis de carvão e um pedaço de papel.

Começou a sombrear, contando de trás para frente a partir de mil, de sete em sete.

993. 986. 979.

A música martelava. O grafite quebrou. O tremor parou.

- Começou o jogo, Gema - sussurrou ela para o quarto vazio.

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