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Capítulo 3 Capitulo 3

Eu sabia que ele não aceitaria aquilo bem.

Mas, quando finalmente cheguei em casa, larguei a caixa do vestido sobre o sofá e tranquei a porta do apartamento atrás de mim, tentei convencer a mim mesma de que o assunto tinha terminado ali. Eu tinha recusado. Tinha deixado claro. E, por mais arrogante que Lorenzo Ferraz fosse, ele ainda devia entender o significado simples e universal de um não.

Ou pelo menos foi nisso que tentei acreditar enquanto tomava banho, vestia uma camiseta velha e um short confortável e prendia o cabelo em um coque frouxo. Coloquei água para ferver, fiz um macarrão instantâneo porque meu talento culinário e meu estado emocional não permitiam nada mais elaborado, e me joguei no sofá com a intenção de assistir qualquer coisa tão idiota que desligasse meu cérebro por algumas horas.

Não funcionou.

Toda vez que eu olhava para a caixa preta sobre a poltrona, meu estômago se contraía do mesmo jeito. Como se aquele objeto tivesse vida própria. Como se ocupasse mais espaço do que deveria no meu apartamento pequeno demais, na minha noite silenciosa demais, na minha cabeça já lotada demais.

Hoje, às oito.

Passei a mão pelo rosto e resmunguei sozinha.

- Narcisista do inferno.

Eu ainda estava xingando mentalmente Lorenzo Ferraz quando a campainha tocou.

Congelei.

Olhei para a porta.

A campainha tocou de novo, dessa vez mais longa.

Meu coração desacelerou por um segundo, só para então voltar a bater forte demais. Ninguém me visitava sem avisar. Clara não aparecia do nada. Minha vizinha do andar de baixo costumava mandar mensagem antes de subir quando precisava de alguma coisa. E eu definitivamente não tinha encomendado comida.

Levantei devagar.

A terceira vez foi uma batida firme na porta, não a campainha.

Meu corpo inteiro ficou alerta.

Andei até a entrada em passos silenciosos e parei, olhando pelo olho mágico.

Prendi a respiração.

Lorenzo.

É claro que era Lorenzo.

Por um segundo ridículo, meu cérebro se recusou a processar a imagem dele parado no corredor estreito do meu prédio. Aquilo parecia errado em tantos níveis que chegava a ser quase ofensivo. O terno escuro, o corpo grande demais para aquele espaço apertado, a postura impecável, a presença absurda. Era como ver uma peça cara demais de outro mundo jogada dentro da minha realidade simples.

Fechei os olhos por um instante.

Quando abri de novo, ele ainda estava ali.

- Eu sei que você está aí, Aurora - a voz dele atravessou a madeira da porta, baixa e calma.

A familiaridade no jeito como ele disse meu nome fez um arrepio descer pela minha espinha.

Fiquei imóvel por mais dois segundos, debatendo comigo mesma se fingia que não estava em casa. Mas, honestamente, já era tarde para isso. Ele sabia. E eu também sabia que um homem como Lorenzo não tinha subido até o meu apartamento para ir embora depois de ser ignorado.

Abri a porta só o suficiente para meu corpo preencher a passagem.

- Você perdeu a noção completamente?

Os olhos dele desceram por mim num único movimento lento, atento, detalhado demais. Da minha camiseta larga ao meu short simples, das pernas nuas ao cabelo preso de qualquer jeito, até voltar ao meu rosto.

Eu odiei sentir o calor instantâneo que aquele olhar provocou.

- Boa noite para você também - disse ele.

- Não. Não vamos fazer isso. Você mandou um carro atrás de mim sem eu confirmar nada e agora aparece na minha casa? Isso não é normal.

Lorenzo não pareceu minimamente abalado pela minha irritação.

- Não, não é.

A resposta me fez franzir a testa.

- Então você admite?

- Admito que você não me parece o tipo de mulher que aceitaria um pedido comum.

Cruzei os braços.

- E isso, na sua cabeça distorcida, justifica agir como um perseguidor elegante?

Por um instante, algo brilhou nos olhos dele. Não ofensa. Quase humor.

- Elegante é melhor do que perseguidor.

- Nenhum dos dois é bom.

Ele sustentou meu olhar sem pressa, sem vacilar, como se a minha raiva fosse apenas mais uma camada interessante a ser observada.

- Posso entrar?

Soltei uma risada curta, incrédula.

- Não.

- Então vamos conversar aqui no corredor?

- Lorenzo, nós não temos nada para conversar.

- Temos. Você recusou meu convite.

- Exatamente. Fim da história.

- Não para mim.

A forma simples como ele disse aquilo fez meu estômago apertar.

Eu devia bater a porta. Devia. Era o óbvio, o sensato, o coerente. Só que havia alguma coisa perigosamente hipnótica no fato de ele realmente ter vindo até ali. Não por ego ferido, eu percebia isso. Não só por isso. Havia intenção demais na presença dele. Foco demais. Como se, desde o instante em que me viu naquela festa, algo tivesse travado dentro dele numa direção sem retorno.

- Você sempre faz isso? - perguntei. - Quando alguém te contraria, você invade a vida da pessoa até conseguir o que quer?

- Nem sempre.

- Que alívio. Então sou um caso especial.

- Sim.

A palavra saiu sem hesitação.

Sem jogo.

Sem charme disfarçado.

Só verdade.

Meu corpo inteiro ficou estranhamente tenso.

Lorenzo deu um passo à frente, mas parou antes de tocar a porta.

- Passei o dia inteiro pensando em você - disse ele, a voz ainda baixa, controlada. - E isso não costuma acontecer comigo.

Eu deveria ter revirado os olhos. Debochado. Rido na cara dele.

Mas não fiz nada disso.

Porque ele não parecia um homem dizendo a frase certa para conseguir levar alguém para a cama. Ele parecia irritado com a própria confissão. Como se aquilo o desagradasse quase tanto quanto mexia com ele.

- Isso não é problema meu - respondi, embora minha voz tenha saído menos firme do que eu queria.

- Está se tornando.

O silêncio caiu pesado entre nós.

Eu podia ouvir uma televisão ligada em algum apartamento distante, o barulho do elevador subindo no fim do corredor, o som da minha própria respiração ficando mais rasa. Lorenzo ocupava aquele espaço de um jeito absurdo. Tudo nele parecia grande demais. A altura, a presença, a intensidade. Até o silêncio dele parecia maior que o normal.

- Você não pode simplesmente aparecer aqui - falei, mais baixo desta vez.

- E, no entanto, eu apareci.

- Isso não torna a situação menos absurda.

- Não. Mas torna honesta.

Franzi a testa.

- Honesta?

- Eu poderia ter mandado flores. Joias. Poderia ter feito tudo do jeito correto, previsível, ensaiado. Mas eu não queria uma resposta educada, Aurora. Eu queria olhar para você quando dissesse não.

Meu coração bateu uma vez, forte.

- E agora você olhou.

Os olhos dele escureceram um pouco mais.

- Sim. E continuo não gostando da resposta.

A ousadia daquela frase deveria me irritar ainda mais. Em vez disso, ela fez alguma coisa quente e perigosa se espalhar dentro de mim. Uma sensação ruim. Errada. Quase elétrica.

Apertei mais os braços contra o peito.

- Você é insuportável.

- Já me disseram isso antes.

- Imagino que com frequência.

- Não por mulheres que me interessam.

A resposta veio imediata demais.

Firme demais.

Meu corpo inteiro percebeu antes da minha mente. O calor no pescoço. O estômago apertando. A consciência irritante da proximidade dele. Eu odiava o efeito que Lorenzo Ferraz tinha em mim. Odiava porque ele sabia. E, pior, porque não parecia disposto a esconder que sabia.

- Você nem me conhece - rebati.

- Conheço o bastante.

- Em duas conversas?

- Conheço o bastante para saber que você não se impressiona com dinheiro, não baixa a cabeça quando se sente pressionada, fala o que pensa mesmo quando seria mais seguro mentir e tem o hábito irritante de continuar na minha cabeça quando eu deveria estar pensando em coisas mais importantes.

Pisguei, surpresa.

Não pela observação em si.

Mas pelo fato de ele ter prestado atenção de verdade.

Aquilo não era um homem repetindo frases treinadas. Era um homem que observava. E homens que observavam demais eram sempre mais perigosos.

- Você analisa todo mundo assim? - perguntei.

- Não. Só quem importa.

Meu estômago afundou de novo.

Dei um passo para trás, mais por instinto do que por decisão. Lorenzo notou. Claro que notou. Os olhos dele acompanharam o movimento com a atenção afiada de sempre.

- Você está com medo de mim? - perguntou.

A pergunta veio calma, mas havia algo tenso por baixo da superfície. Não fragilidade. Lorenzo Ferraz não era frágil. Era controle. Um controle tão rigoroso que qualquer rachadura parecia ainda mais intensa.

- Eu estou tentando decidir se deveria estar.

Ele inclinou a cabeça, me estudando.

- E qual foi a conclusão?

Olhei direto para ele.

- Que você é o tipo de homem que transforma interesse em obsessão muito rápido.

Por um instante, o rosto dele ficou completamente imóvel.

Então, bem devagar, o canto da boca se curvou.

Não era um sorriso de diversão.

Era pior.

Era reconhecimento.

- Talvez - disse ele.

O ar ficou preso nos meus pulmões.

Ele não negou.

Não tentou suavizar.

Não recuou.

Só aceitou.

Aquilo deveria me fazer fechar a porta na cara dele imediatamente. Só que, em vez disso, eu continuei parada, encarando-o como uma idiota, sentindo meu corpo reagir a uma honestidade que eu não estava preparada para receber.

Lorenzo baixou os olhos para a minha boca por um segundo rápido demais para ser inocente.

- Convide-me para entrar, Aurora.

A voz dele saiu mais baixa.

Mais íntima.

Meu coração praticamente bateu no pescoço.

- Não.

- Você quer.

- Isso é diferente.

- É?

Aquele homem tinha o dom insuportável de fazer perguntas que não eram perguntas. Como se já soubesse a resposta e só quisesse me ver lutar contra ela.

Agarrei a borda da porta com mais força.

- Você é arrogante.

- Sim.

- Controlador.

- Às vezes.

- Obsessivo.

Dessa vez, ele não respondeu imediatamente.

Seus olhos permaneceram nos meus por tempo demais, escuros, firmes, intensos de um jeito quase sufocante.

- Ainda estou decidindo até onde isso vai - disse, por fim.

Meu ventre se contraiu de leve com aquelas palavras, e eu me odiei por isso.

Era como conversar com algo perigoso e saber exatamente disso, mas continuar chegando perto mesmo assim.

- Você devia ir embora - sussurrei.

Lorenzo deu mais um passo.

Agora perto o suficiente para que eu sentisse o cheiro dele. Limpo, sofisticado, masculino demais. Perto o suficiente para que eu precisasse erguer mais o rosto. Perto o suficiente para que o corredor inteiro parecesse pequeno.

- Se eu for embora agora - disse ele, a voz baixa, firme, quase roçando na minha pele -, você vai pensar em mim a noite toda.

Minha respiração falhou.

- Isso é presunção demais até para você.

- Não. Isso é observação.

Eu devia odiar aquele homem.

Talvez odiasse um pouco.

Mas o pior é que meu corpo não parecia compartilhar da mesma revolta que a minha cabeça. Porque Lorenzo estava perto demais, bonito demais, atento demais. E havia uma força crua na maneira como ele me olhava, como se estivesse se segurando em uma linha muito fina entre controle e impulso.

- Você não pode decidir esse tipo de coisa por mim - falei.

- Eu não decido. Eu percebo.

A sinceridade fria na resposta me desmontou por um segundo.

Lorenzo ergueu a mão devagar, com tempo suficiente para que eu recuasse.

Eu não recuei.

Os dedos dele tocaram uma mecha solta do meu cabelo perto do rosto, deslizando-a com leveza para trás da minha orelha. O gesto foi tão simples, tão pequeno, que deveria ter sido inofensivo.

Não foi.

Meu corpo inteiro ficou em alerta.

Meu coração disparou.

E, pela primeira vez naquela noite, vi uma rachadura real no controle de Lorenzo. Estava nos olhos dele. No modo como a respiração pareceu pesar por um segundo. Na tensão dura da mandíbula. Como se me tocar tivesse feito algo pior do que ficar longe.

- Você é uma péssima ideia - murmurei.

- E mesmo assim abriu a porta.

A resposta atravessou direto a minha resistência.

Porque era verdade.

Eu tinha aberto.

Tinha ficado.

Tinha discutido.

E continuava ali, com um homem que claramente não combinava com a minha vida, com o meu prédio, com a minha rotina ou com qualquer decisão sensata que eu já tivesse tomado.

Lorenzo desceu os olhos para a minha boca de novo.

Devagar.

Sem disfarçar.

- Me manda embora, Aurora.

A frase me pegou desprevenida.

Não pelo conteúdo.

Mas pelo tom.

Era quase um desafio. Quase um pedido. Quase uma última chance para que eu recuperasse o juízo antes que alguma coisa entre nós cruzasse uma linha mais difícil de desfazer.

Eu sabia disso.

Ele também sabia.

E talvez fosse exatamente por isso que nenhum de nós se movia.

- Vá embora - falei, mas as palavras saíram baixas demais, fracas demais.

Os olhos dele voltaram aos meus.

- Você não quer que eu vá.

Dessa vez, eu não tive resposta.

Porque qualquer resposta seria uma mentira.

E Lorenzo viu isso. Eu soube no instante em que a mão dele desceu devagar do meu cabelo, passou pela lateral do meu pescoço sem realmente tocar e parou na madeira da porta, ao lado da minha cabeça. Me cercando sem encostar. Pressionando sem prender.

- O que você quer de mim? - perguntei, e odiei o quanto aquilo soou honesto.

Ele demorou um segundo para responder.

Quando respondeu, a voz saiu mais baixa do que nunca.

- Ainda não tudo. Mas estou chegando lá.

Meu corpo inteiro reagiu àquelas palavras.

Não era uma promessa romântica.

Era pior.

Era uma ameaça dita como confissão.

Antes que eu pudesse decidir se batia a porta, o puxava pela camisa ou fazia qualquer loucura entre uma coisa e outra, uma porta se abriu do outro lado do corredor.

O barulho quebrou o momento como vidro.

Eu me afastei um passo de Lorenzo imediatamente, o peito subindo e descendo rápido demais. Uma senhora do apartamento ao lado colocou a cabeça para fora, nos observou com curiosidade indiscreta e depois fingiu que procurava alguma coisa no tapete.

Que maravilha.

Passei a mão no rosto, tentando recuperar o mínimo de dignidade.

- Agora você vai embora - falei, mais firme.

Lorenzo lançou um olhar curto para a vizinha e depois voltou a me encarar.

Por um segundo, achei que ele fosse insistir.

Mas então assentiu.

Um movimento pequeno. Controlado. Perigoso justamente por isso.

- Amanhã eu vou te ver de novo.

Franzi a testa.

- Isso não é uma decisão sua.

- Não - respondeu ele, recuando enfim. - É uma certeza minha.

Meu coração tropeçou.

Lorenzo deu um passo para trás, depois mais um. A distância deveria aliviar alguma coisa. Não aliviou. Ele continuava ocupando espaço demais até longe.

- Durma bem, Aurora.

A forma como ele disse meu nome de novo, baixa, firme e estranhamente íntima, fez um arrepio descer pela minha nuca.

Então ele se virou e caminhou pelo corredor como se aquela visita absurda tivesse sido a coisa mais natural do mundo.

Esperei até que ele desaparecesse no elevador antes de fechar a porta.

E só quando a tranca encaixou é que percebi o estado em que eu estava.

Respiração curta.

Pernas fracas.

Mãos trêmulas.

Encostei as costas na porta e fechei os olhos.

- Isso é um desastre - sussurrei para o apartamento vazio.

Porque era.

Eu ainda não sabia o tamanho exato daquele desastre.

Mas uma coisa já estava muito clara.

Lorenzo Ferraz não tinha entrado no meu apartamento.

Só que, de algum jeito muito pior, ele já estava entrando na minha vida.

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