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Capítulo 7 *7

Lívia

Já faz uma semana desde que o conheci no hotel. Quando a campainha da porta tocava, eu parava tudo, esperando que fosse ele. Fingi estar ocupada e acabei ficando histérica à toa - com certeza ele achou que eu era louca.

Pelo menos começaram a chegar novos clientes, apesar do desastre com a mulher do Felipe.

Não contei nada para a Renata - não por causa do Felipe, mas por causa dela. Ia descrever como a mulher se pendurava no braço dele, como se colava nele; como ele aparecia em público com a esposa enquanto escondia a Renata num hotel vagabundo?

De qualquer forma, ela me bombardeou com perguntas.

- Como foi? Ele estava lá?

- Foi bem. Tenho novos clientes agora. E sim, estava lá. Como não estaria?

- E aí? No final você não me mandou nem uma foto - ela me olhava com aquela cara entusiasmada, gesticulando com as mãos como sempre fazia quando alguma coisa a empolgava. Igual à adolescência, quando o magricelo com quem ela saía lhe dava pelúcias.

- Não tive tempo; ele estava em todo lugar. Juro que me lembrei, mas tinha tanta gente... - menti.

Não sei se ela percebia ou fingia que não. Doía vê-la assim, inventando histórias na própria cabeça.

- Ele estava muito feliz. Disse que o chefe o parabenizou e que a inauguração foi algo novo e diferente - ela parecia orgulhosa.

Mais tarde, ela encontrou as fotos que tinham tirado para as redes sociais da empresa. Não disse nada, mas eu também as vi: o Felipe aparecia em várias delas, com a esposa. Como com tudo que a ligava à vida real dele, ela fingia não ver, fazia-se de desentendida. Acho que até se afastava.

Me convenci de que queria saber se tinham me mencionado, a mim e à Essenza. Por isso, sentei no meu estúdio com o celular, entrei no perfil do Instagram do Grupo Monteiro e fui passando de uma foto para outra.

Sim. Eu esperava encontrá-lo. Fiquei um pouco decepcionada de haver tão poucas. Todas do dia da inauguração de algum hotel, e nada mais. Na maioria delas, ele estava igual àquela noite: elegante, formal... alto.

Mas foram suficientes para eu enfiar a mão na calcinha. Fechei os olhos e imaginei que eram os dedos grossos dele me percorrendo, se misturando com a minha umidade e a espalhando. Coloquei um dedo, depois outro. Eu o via entre as minhas pernas, afundando a boca, brincando com a língua. Se alguém tivesse entrado naquele momento, teria ouvido os meus gemidos. Ficava excitada só de pensar nisso.

Aceleiei o ritmo enquanto mordia os lábios - estava quase chegando, sentia isso na barriga. Aquele calor que se forma como uma bola, me fazendo palpitar, me molhando mais, me fazendo dizer o nome dele. Queria que fosse ele, que fosse ele bombeando dentro de mim, que me abrisse e me penetrasse como um animal.

O som do telefone da loja me arrancou daquele momento antes de eu terminar. Saí para atender, irritada.

- Alô.

- Alô, Lívia? - Era ele. Fiquei nervosa e me endireitei. Aquela voz...

- Dário?

- Sim. Como você está? Tá ocupada?

- Bem, e você? Não, de jeito nenhum. Essa tarde tá tudo meio parado.

- Não esqueci do perfume - é que tive uma semana complicada. Estou por aí agora; que tal eu passar aí? Sei que é tarde, mas...

Era tarde. Eu ia fechar em quinze minutos.

- De jeito nenhum! Eu já estava fechando, mas te espero - interrompi, apressada.

- Tem certeza?

- Sim. Você é um cliente especial - quis morder a língua. Pareceu desespero. Ouvi a gargalhada dele. Que a terra me engula, pensei.

- Bom, obrigado. Então chego em dez minutos.

Será que pensei nisso com tanta força que acabei chamando ele? A ideia me fez rir.

O estúdio estava uma bagunça por causa dos ingredientes da manhã, que eu nem tinha arrumado. Minha mão estava uma bagunça. Minha calcinha também. Fui para o fundo resolver tudo. "Cliente especial", repeti. O ano que passei sozinha tinha afetado meu bom senso - desde quando eu ficava ansiosa por um homem? Desde quando eu ficava no fundo da minha loja com o celular na mão, olhando para uma foto?

- Você precisa se acalmar - disse em voz alta.

Já tinham se passado tantos dias que eu tinha me convencido de que aquilo do perfume tinha sido só uma formalidade, uma gentileza da parte dele. Como eu ia fazer isso? Não sabia. Dário ocupava grande parte dos meus pensamentos desde a inauguração do hotel. E era tão estranho. Ele me olhou de um jeito - ou estava me imaginando sem roupa, ou tentava me ler.

Acendi as luzes lá fora e baixei um pouco a persiana metálica. Voltei para trás do balcão e sentei. Respirei fundo: pelo menos ia fingir que a voz grave e profunda dele não me perturbava, que os olhos dele não perfuravam a minha alma, que eu não morria de vontade de passar os dedos pelo cabelo grisalho dele enquanto ele estivesse entre as minhas pernas...

- Meu Deus, Lívia! Você vai passar por idiota de novo! - soltei entre os dentes.

Ouvi um carro estacionar e o vi. O que era aquilo? Um Bugatti, um Aston Martin? Parecia um daqueles esportivos de luxo que só aparecem nas fotos de jogador de futebol. Instintivamente, coloquei o cabelo atrás da orelha e me sentei mais ereta, fingindo ler um folheto. Todas aquelas coisas que a gente faz para não se entregar.

Mesmo assim, levantei um pouco o olhar bem quando ele saiu do carro. Meus joelhos fraquejaram: ele estava parado na frente da loja, olhando tudo. De repente, percebi um toc-toc-toc insistente. Era eu, batendo o pé no chão de leve. Não conseguia parar.

Pronto. Se aquele homem entrasse e me oferecesse uma semana de sexo sem compromisso no estilo Uma Linda Mulher, eu diria que sim. De graça. Eu é que pagaria. Naqueles dez segundos, todas as imagens possíveis passaram pela minha cabeça: ele me tinha em pé no chuveiro, enficava na minha boca até eu me engasgar, beijava meus seios, mordia minhas coxas. Todas.

Por trás da minha névoa hormonal, havia algo mais. Senti isso quando o conheci, mesmo sem saber como chamar.

A campainha tocou, a porta se abriu e, com o primeiro passo dele dentro da Essenza, aquela pontada no meio do peito - a que sentia toda vez que pensava nele - atravessou meu corpo.

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