Caminhei pela estrada sob a chuva, sem pressa, deixando a água escorrer pelo meu corpo como se pudesse lavar tudo o que eu estava sentindo. Cada passo parecia pesado, mas ao mesmo tempo libertador. Era estranho... aquela sensação da chuva tocando minha pele despertava algo que eu nunca havia sentido antes - algo que meu ex-namorado nunca conseguiu provocar.
Ele tinha terminado comigo naquela mesma noite.
As palavras dele ainda ecoavam na minha cabeça, afiadas e cruéis. Disse que eu era fria, distante... que nunca reagia aos toques dele como "deveria". Que eu não me entregava. Que parecia... vazia.
Talvez o que mais tivesse doído não fosse o término em si, mas a forma como ele falou do meu corpo, como se houvesse algo errado comigo.
Uma semana antes, eu tinha cedido. Deixei que ele avançasse mais do que o normal. E o que recebi em troca? Um comentário seco, impaciente, dizendo que eu não estava pronta... que aquilo só iria doer.
E agora, no fim, ele ainda teve a audácia de sugerir que eu deveria simplesmente desistir. Que talvez eu fosse feita para nunca desejar ninguém.
Soltei um riso baixo, sem humor.
- Que se dane ele... - murmurei, parando diante do portão de casa.
A propriedade estava mergulhada na escuridão. Nenhuma luz acesa. Estranho... minha mãe costumava estar em casa àquela hora. Pensei que talvez tivesse se atrasado por causa da chuva e, sem dar muita importância, entrei.
Desde que meu pai morreu, quando eu ainda era criança, nossa vida tinha sido instável... até que, de repente, tudo mudou. Aquela casa enorme, confortável... tudo graças a um "amigo" dele que nunca conheci. Um benfeitor invisível que, segundo minha mãe, nos ajudava por respeito à memória do meu pai.
Nunca vi seu rosto. Nem ouvi sua voz.
Até agora.
Assim que entrei na sala, senti.
Uma presença.
Meu olhar se ajustou à penumbra e então o vi.
Um homem sentado no sofá, completamente à vontade, como se aquele lugar fosse dele. Estava sem camisa, o corpo exposto sob a luz suave de uma única lâmpada. A toalha presa à cintura era a única coisa que o cobria.
Meu primeiro instinto deveria ter sido gritar. Fugir. Perguntar quem ele era.
Mas nada disso aconteceu.
Fiquei parada.
Observando.
Os contornos do corpo dele eram impossíveis de ignorar - músculos definidos, pele levemente bronzeada, cada detalhe parecendo... calculado. Quando seus olhos se ergueram e encontraram os meus, senti algo diferente. Um impacto direto, como se aquele olhar atravessasse qualquer defesa que eu tivesse.
Meu coração disparou.
Não era medo.
Ele era ainda mais impressionante.
A expressão séria, quase fria... e então seus olhos se ergueram e encontraram os meus.
Azuis.
Intensos.
Meu coração disparou de um jeito que eu nunca tinha sentido antes.
- Vai ficar aí parada? - ele perguntou.
A voz dele...
Grave. Profunda. Masculina de um jeito que fez meu corpo reagir imediatamente. Minhas coxas se pressionaram sozinhas, e uma sensação estranha me atravessou.
Aquilo não era normal.
- Venha até mim. Não gosto de esperar - ele disse, no mesmo tom firme.
Eu tentei pensar.
Quem era ele?
O que estava fazendo ali?
Por que estava me dando ordens?
Mas eu não conseguia organizar meus pensamentos.
Era como se meu corpo estivesse reagindo antes da minha mente.
E eu obedeci.
Caminhei até ele, sentindo minhas pernas se tocarem a cada passo, o calor aumentando de forma desconcertante.
- Então é isso que eu tenho hoje? - ele murmurou, me analisando. - Ajoelhe-se.
Aquilo soou como uma ordem direta.
E, contra tudo o que fazia sentido... eu me ajoelhei.
Senti o calor crescer dentro de mim, pulsante, insistente.
Ele levou a mão até a toalha e a soltou, deixando o tecido cair.
Prendi a respiração.
O que vi fez meu corpo reagir ainda mais forte. Era maior do que eu imaginava... e ainda assim parecia apenas parcialmente rígido.
Minha mente gritava que aquilo era errado.
Mas meu corpo... queria.
- Use as mãos - ele disse, olhando diretamente para mim.
E, naquele instante, senti meu corpo responder de forma intensa, um calor úmido que não tinha nada a ver com a chuva.
Aquilo vinha de mim.
De dentro.
Confusa, mas incapaz de resistir, estendi as mãos e o toquei.
Era quente, firme... diferente de qualquer coisa que eu já tinha sentido.
Engoli seco.
Eu queria aquilo.
E perceber isso me deixou ainda mais perdida.
Meu vestido encharcado colava no meu corpo, revelando minha excitação sem que eu pudesse esconder.
Minhas mãos se ajustaram, envolvendo-o com dificuldade.
- Hm... melhor do que parece - ele murmurou.
Aquilo soou como um elogio.
E eu reagi.
Minhas mãos começaram a se mover, ainda inseguras no começo, mas guiadas por algo instintivo. Foi quando percebi que ele também reagia ao meu toque.
- Não fique parada. Use essa boca linda que você tem - disse ele, a voz mais baixa, carregada.
Aquilo me fez estremecer.
Aproximei o rosto, sentindo o calor dele, o cheiro... tudo parecia intensificar aquela sensação dentro de mim.
Eu já tinha visto aquilo antes, em vídeos... mas nunca imaginei que faria algo assim, muito menos com um estranho.
E ainda assim...
Eu estava ali.
Fazendo exatamente isso.
Fora de controle.
Confusa.
Mas, ao mesmo tempo...
Sentindo algo que nunca tinha sentido antes.