Meus lábios se abriram, hesitantes no início, tentando se adaptar àquela sensação nova, intensa. Era desconfortável... mas, ao mesmo tempo, havia algo ali que fazia meu corpo reagir de forma completamente oposta.
Um calor crescente.
Uma necessidade que eu não entendia.
- Tão apertada... - ele murmurou, a voz carregada, enquanto me guiava com firmeza.
Eu ainda estava tentando me acostumar, sem saber até onde conseguia ir. Cada movimento era novo, incerto... mas também estranhamente envolvente.
- Vai... assim... - ele insistiu, puxando levemente meu cabelo de novo, fazendo meu corpo estremecer.
Aquilo provocava algo em mim.
Não era só físico.
Era mais profundo.
Eu me apoiei nele, usando as mãos para acompanhar o ritmo, tentando entender o que fazia ele reagir daquela forma.
Aos poucos, comecei a perceber... a sentir.
E, quando deixei minha língua explorar, mesmo que timidamente, a resposta veio imediata.
- Isso... - ele soltou um som rouco. - Exatamente assim.
Meu corpo respondeu ao tom da voz dele, ao controle que ele exercia... ao jeito como cada reação dele parecia me guiar.
Era como se eu estivesse aprendendo ali, naquele momento.
E gostando disso.
Uma sensação estranha crescia dentro de mim, insistente... quase desesperada. Meu corpo inteiro estava sensível, cada detalhe amplificado.
- Você está gostando disso, não está? - ele disse, em um tom baixo, quase provocador.
Eu não respondi.
Mas ele não precisava de resposta.
Ele já sabia.
Suas mãos guiaram as minhas novamente, e eu obedeci sem questionar. Agora meus movimentos eram mais firmes, mais confiantes... como se algo dentro de mim tivesse despertado de vez.
Eu não era indiferente.
Nunca fui.
Eu só... nunca tinha sentido isso antes.
De repente, ele se levantou.
A diferença de altura ficou ainda mais evidente. Ele parecia maior, mais imponente... como se dominasse completamente o espaço ao redor.
Meu olhar subiu lentamente, ainda atordoado.
- Olhe para você... - ele disse, analisando minha expressão, meu corpo. - Finalmente reagindo.
Minhas pernas ainda tremiam levemente.
Eu não sabia o que dizer.
Nem se queria dizer algo.
- Diga - ele exigiu, se aproximando um pouco mais. - Você quer continuar?
Minhas palavras ficaram presas na garganta.
Mas o silêncio... disse tudo.
Ele soltou um riso baixo, satisfeito.
- Então peça.
Meu coração disparou.
Havia algo naquele pedido... naquela exigência... que me fazia perder completamente o controle.
- Eu... - tentei falar, mas hesitei.
Ele se inclinou um pouco mais, diminuindo a distância.
- Peça.
Engoli em seco.
E então, sem pensar direito, as palavras escaparam:
- Por favor...
Ele fechou os olhos por um segundo, como se apreciasse aquilo.
- Melhor.
Havia algo naquele jogo de poder... naquela dinâmica... que fazia meu corpo responder ainda mais forte.
E, naquele momento, eu percebi.
Era isso.
Era isso que me faltava antes.
Não era incapacidade.
Era falta de conexão.
De intensidade.
De alguém que despertasse aquilo em mim.
De repente, o som da porta se abrindo ecoou pela casa.
Eu me afastei imediatamente, o coração disparando, enquanto ele rapidamente pegava a toalha e a envolvia novamente na cintura.
- Depois continuamos - ele disse, baixo, antes de se afastar um pouco.
Endireitei meu corpo, tentando parecer normal, mesmo sentindo meu rosto quente e a respiração descompassada.
- Helena? - a voz da minha mãe veio do corredor, seguida pelo clique das luzes se acendendo.
- Mãe... - respondi, tentando parecer natural.
- Helena? - o homem repetiu, virando-se para mim com surpresa. Eu congelei. - Você é a Helena?
Não respondi.
Mas minha mãe respondeu por mim.
- Sim, Sr. Riviera. Essa é minha filha. Vejo que vocês já se conheceram.
Meu estômago virou.
- Tem algum problema? - minha mãe perguntou, olhando entre nós dois.
Ele passou a mão pelo rosto, soltando um suspiro curto.
- Não... nenhum problema.
- Que bom - ela sorriu. - Helena, esse é o Sr. Riviera. Amigo do seu pai.
Ele tem nos ajudado todos esses anos.
Minhas pernas ficaram fracas.
Meu olhar voltou lentamente para ele.
O homem.
O estranho.
Aquele que tinha despertado algo em mim que eu nem sabia que existia...
Era o mesmo homem que sustentava nossa vida.
- Droga... - ele murmurou, baixo.
E naquele instante, uma única pergunta ecoou na minha mente:
O que foi que eu acabei de fazer?