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Capítulo 5 O Despertar do Ouro

Capítulo 5: O Despertar do Ouro

Aurora Frost

​A primeira coisa que senti foi o calor. Não era o calor de uma lareira, mas algo que vinha de dentro, como se o meu sangue tivesse sido substituído por metal derretido. Minha cabeça latejava e a voz que eu ouvi antes de apagar, aquela voz feminina e imponente, ainda ecoava nos confins da minha mente, deixando um rastro de eletricidade na minha pele.

​Abri os olhos devagar. O teto esculpido do quarto de Dominic foi a primeira coisa que vi. Eu estava deitada na cama king-size, mas minhas roupas tinham sido trocadas por uma camisola de seda branca que eu não lembrava de ter vestido.

​- Você demorou a acordar.

​A voz dele veio da poltrona ao lado da cama. Dominic estava sentado na penumbra, ainda sem camisa, com uma bandagem atravessando o peitoral largo. Ele segurava um copo de uísque, mas seus olhos estavam fixos em mim com uma intensidade que me fez querer me cobrir até o pescoço.

​- O que aconteceu? - Tentei me sentar, mas a tontura me empurrou de volta contra os travesseiros. - Os homens... a Maya...

​- Estão mortos. E Maya vai sobreviver, embora vá carregar uma cicatriz no rosto para lembrar do seu erro em não ter se trancado a tempo - ele disse, a voz fria, mas havia algo nela que vibrava de tensão. - Você desmaiou nos meus braços. O médico disse que foi choque traumático, mas o seu cheiro...

​Ele se levantou, deixando o copo de lado. O movimento foi lento, mas carregado de uma agressividade contida. Ele parou na beirada da cama, olhando para mim como se eu fosse um enigma que ele precisava decifrar antes de destruir.

​- O meu cheiro o quê? - perguntei, sentindo meu coração acelerar.

​- Ele mudou, Aurora. Por alguns segundos, enquanto você estava apagada, você não cheirava a uma Ômega indefesa. Você cheirava a poder. Algo antigo. Algo que fez até o meu lobo recuar por um instante.

​Eu desviei o olhar, sentindo um arrepio. Eu não podia contar sobre a voz. Se eu contasse que estava ouvindo coisas, ele me acharia louca, ou pior, um perigo maior do que já imaginava.

​- Deve ter sido o medo, Dominic. Eu nunca vi ninguém ser morto na minha frente.

​- Eu conheço o cheiro do medo. Não foi isso - ele se inclinou, apoiando um joelho na cama, aproximando o rosto do meu. - O que você sentiu quando os renegados te tocaram? Alguma coisa despertou?

​- Nada! - menti, rápido demais. - Eu só queria sobreviver.

​Dominic estreitou os olhos. Ele levou a mão ao meu pescoço, onde os hematomas do invasor começavam a aparecer. O toque dele, que antes me assustava, agora parecia ser a única coisa capaz de ancorar meu corpo à terra.

​- Você mentiu para mim no escritório - ele sussurrou, o polegar roçando minha mandíbula. - Disse que estava fazendo isso pela sua família. Mas eu vi o jeito que você olhou para o contrato. Você tem orgulho, Aurora. E o orgulho é perigoso em uma casa cheia de lobos famintos.

​- E você? - retruquei, ganhando uma coragem que não sabia que tinha. - Mentiu sobre o quê? Por que me defendeu com tanta fúria se eu sou apenas um "negócio"? Você quase destruiu aquele homem com os dentes.

​O maxilar de Dominic travou. As pupilas dele dilataram, o cinza sendo engolido pelo preto.

​- Eu protejo o que é meu. E você assinou um papel que diz que me pertence.

​- Propriedade - cuspi a palavra, sentindo uma raiva súbita queimar no meu peito. - É só isso que você consegue dizer? "Me pertence", "meu herdeiro", "meu contrato". Você é um homem, Dominic, ou apenas uma fera com um talão de cheques?

​O silêncio que se seguiu foi cortante. Dominic soltou meu rosto e, em um movimento rápido, segurou meus pulsos, prendendo-os acima da minha cabeça contra a cabeceira da cama. O peso do corpo dele sobre o meu era esmagador e inebriante.

​- Você quer saber o que eu sou? - ele rosnou, o rosto a centímetros do meu. - Eu sou o homem que está tentando desesperadamente não te marcar agora mesmo. Eu sou o lobo que quer rasgar qualquer um que olhe para você. E eu sou o Alfa que vai te dar o herdeiro que o contrato exige, quer você queira ou não.

​Eu o encarei, respirando com dificuldade. A tensão sexual entre nós era um fio esticado prestes a arrebentar. Eu via a luta nos olhos dele, a luta contra o instinto que ele se recusava a nomear.

​- Então faça - desafiei, minha voz saindo rouca. - Se eu sou sua propriedade, se o contrato começou, pare de falar e cumpra a sua parte. Ou você está com medo de que uma Ômega "fraca" como eu descubra que você tem um coração debaixo dessas tatuagens?

​Dominic soltou um som gutural, algo entre um riso seco e um rosnado. Ele soltou meus pulsos e suas mãos desceram para a minha cintura, apertando a seda da camisola contra a minha pele.

​- Você não sabe com o que está brincando, Aurora Frost.

​- Eu não estou brincando - eu disse, sentindo aquele calor milenar subir novamente por minhas veias, me dando uma força que eu não compreendia.

​Ele se inclinou, seus lábios roçando meu pescoço, bem em cima da pulsação acelerada. Meus olhos se fecharam e eu arqueei as costas, me entregando ao toque que meu corpo parecia implorar. Mas, no momento em que os dentes dele rasparam na minha pele, a porta do quarto foi atingida por uma batida violenta.

​- Dominic! - a voz de Kael veio do corredor, urgente. - O conselho está no portão. Eles souberam do ataque e exigem ver a Luna. Agora.

​Dominic parou. Ele enterrou o rosto no meu pescoço por um longo segundo, inspirando meu cheiro como se estivesse tentando se gravar em mim. Quando ele se afastou, seus olhos estavam selvagens.

​- O conselho não pode vê-la assim - ele disse, se levantando da cama com uma agilidade fria. - Eles vão procurar por qualquer sinal de fraqueza. Se virem esses roxos no seu pescoço e nenhuma marca de proteção, eles vão anular o contrato e te levar para ser "leiloada" entre os outros clãs.

​Eu me sentei, tentando recompor minha camisola.

​- O que vamos fazer?

​Dominic foi até o closet e jogou um robe de veludo pesado para mim.

​- Você vai descer e agir como se este ataque tivesse sido apenas um incômodo. E eu... - ele se virou para mim, vestindo uma camisa limpa, os olhos brilhando com um aviso perigoso. - Eu vou dizer a eles que já comecei o processo de marcação.

​- Mas você não começou!

​Ele parou diante da porta, olhando para mim por cima do ombro.

​- Eles não precisam saber disso. Mas se você vacilar, Aurora, se deixar transparecer que somos estranhos, eles vão tirar você de mim. E eu garanto: o que os outros Alfas farão com uma loba sem marca é muito pior do que qualquer coisa que possa imaginar.

​Ele abriu a porta e saiu, me deixando ali com o coração na boca. Eu me levantei e fui até o espelho. Ao puxar a gola do robe, notei algo que me fez perder o chão.

​Onde os hematomas do renegado estavam, agora havia um brilho sutil, quase invisível, como se pó de ouro tivesse sido espalhado sob a minha pele.

​- Senhora? - a voz de Maya, fraca e vinda da porta lateral, me assustou.

​Ela estava com um curativo na testa e o braço em uma tipóia.

​- Maya! Você devia estar descansando.

​- Não há tempo - ela disse, aproximando-se com dificuldade. - O conselho trouxe a Sasha com eles. Ela disse a todos que você atraiu os renegados para cá. Se você não provar que é digna de ser a Luna de Dominic hoje, eles vão te expulsar desta montanha antes do amanhecer.

​Ouvi o som de vozes graves subindo pelo hall principal. Era hora de enfrentar os lobos.

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