Ela estava rindo por dentro, não estava acreditando que aquele homem qual ela nunca tinha visto, estava pedindo-a em casamento. Esse tipo de coisa só acontece nos livros, era loucura demais para estar acontecendo com ela.
- Sabe que por um segundo eu comecei a acreditar que você estava falando sério. - A rosada riu de si mesma, enquanto analisava se a mancha tinha saído ou não.
Já Rafael estava pensando na melhor forma de contar para ela que realmente ele estava falando sério. O pior que podia acontecer era ela dizer não, ou quem sabe o atingir com seu sapato.
- Mas eu estou falando sério - disse Rafael.
Ela riu.
- Tá brincando com a minha cara, não é? - A rosada já não sabia se ria ou se chorava, se batia na cara dele, ou se batia na própria cara para ter certeza de que estava acordada.
O moreno passou a mão entre os cabelos, nunca tinha pedido ninguém casamento e aquilo estava sendo mais difícil do que ele imaginava, acreditava que seria apenas pedir e a mulher aceitar, simples como um mais um é igual a dois.
- Não tô brincando com a sua cara, é sério, olha, eu sou um escritor e preciso terminar o último capítulo do meu livro, mas não posso terminar sem antes entender como funciona um casamento de verdade, eu só preciso de um ano! - Essa era a maneira de Rafael tentar convencer aquela mulher de que precisava o ajudar e que se casar com ele seria pelo bem da literatura.
Mas rosada não estava com cara de quem estava a fim de colaborar com os planos do Sr. Rocha, quando olhava para ele, era capaz de ver uma mistura de maluco fugitivo de um sanatório e um doido fugitivo de um hospício, se é que existe diferença nisso. Estava sem seus óculos, o via meio embaçado também, mas era um embaçado até que bem bonitinho.
Doidinho, mas bonitinho.
- Deixa eu ver se entendi. - A mulher balançava os braços toda cheia da razão, estava se sentindo por cima da carne seca depois desse pedido. - Você quer que eu me case com você, e quer que a gente fique casado por um ano, isso mesmo?
Rafael balançou a cabeça positivamente, e ela prosseguiu.
- E tudo isso para você terminar de escrever o seu livro? - Ela parecia aqueles promotores interrogando o réu.
E mais uma vez o moreno assentiu sorrindo tentando dar uma de bom moço.
- Ok, mas o que eu ganho com isso? - a rosada perguntou como quem estava esperando um lance em um leilão.
- Uma Lua de Mel em Paris e ainda vou te levar para morar comigo na cobertura de um dos melhores hotéis da cidade, além disso, quando o livro for lançado, te dou 10% de todo o lucro.
Aquela proposta realmente balançou seu coração, só de ouvir a palavra Paris, suas pernas tremeram, e só de imaginar em deixar o cafofo dela e ir morar em um hotel de luxo, seus olhos estavam começando a brilhar.
O que uma queda pelo luxo não faz?
- Quando casamos?
E ela nem tinha perguntado o nome dele.
[...]
- Como assim você vai se casar? - isso era Vivian gritando aos quatro ventos enquanto andava de um lado para o outro pela sala, se debatia tanto que já havia quebrado o abajur.
Eduarda coçava a cabeça como quem estava tentando disfarçar. Sabe aqueles momentos que você fala bem baixo e com uma voz bem fina, torcendo para outra pessoa demorar pra entender e, que durante esse tempo ela se acalme? Era o que a rosada estava fazendo.
- É só um casamentinho bobo, coisinha de nada. - E ela achava que essa era uma boa explicação.
Vivian quase jogou um vaso na cabeça da irmã, só não fez isso porque o vaso tinha sido caro demais e precisou brigar com uma velhinha por ele, o objeto que foi comprado em um bazar.
- Senhor dai-me paciência, porque se me der força eu vou matar essa infeliz agora! - foi o que Vivi disse quando se sentou no sofá tentando se acalmar, como se isso fosse possível.
Eduarda se encolheu onde estava sentada e abriu um daqueles sorrisos de quem está completamente perdido na vida. A mais velha se tremia e mudava de posição a cada segundo, esganava o ar e olhava para Eduarda com aquele sangue nos olhos. A rosada já estava esperando a irmã ter uma convulsão ou explodir a cabeça.
Vivian e seu caso de combustão espontânea.
- Eu já te falei com quem eu vou me casar? - parecia que ela estava falando de uma colcha de cama que tinha comprado.
Gente, sem noção.
A cacheada revirou os olhos e meneou a cabeça para trás, do jeito que ela estava ali, não tinha Tadeu que a acalmasse. Tadeu era seu marido.
- Com quem, Madu? - perguntou ela, pegando o copo com água que estava na mesinha ao lado do telefone.
- Um tal de Rafael Rocha, ele diz que é escritor.
Vivian cuspiu a água todinha na cara de Eduarda, vingança ou não, os olhos da cacheada estavam arregalados e ela olhava para a irmã, - que se limpava da cuspida, - com a boca aberta e uma expressão de quem iria dar um grito. A mais velha mexia a boca, mas não falava nada. Depois de alguns segundos ela só ficava fazendo uns barulhos meio sem sentido.
- Rafael Rocha? Como? Quando? Por quê? - a cacheada começou a fazer umas quinhentas perguntas, nem sabia em que ordem fazer. E com aquela cara de espanto, parecia que tinha visto um fantasma de calcinha.
- Você conhece? - Eduarda perguntou parecendo uma criança pedindo doce, estava mesmo sem entender nada da reação de Vivian.
E mais uma vez Vivi fez aquelas poses sem sentido que mulher faz quando quer falar alguma coisa, mas não sabe como. E Eduarda lá olhando para ela, enrolando o cabelo com o dedo e fazendo um cachinho, queria ter cachinhos como a irmã.
- A pergunta certa é: você não conhece? - Isso era Tadeu aparecendo do além na sala, segurando uma garrafinha de água gelada.
Eduarda olhou para o cunhado, estava tentando lembrar se conhecia Rafael de algum lugar do mundo, mas não conseguia lembrar de nada. Nunca vira mais gordo, ou mais magro, nunca vira de jeito nenhum.
- Todo mundo conhece esse cara, menos eu? - Eduarda perguntou fazendo aquela cara de monga que só ela sabia fazer.
- Ele é escritor, Dudoca, ele que escreveu aquele livro "É Ela Quem Manda", te demos um de aniversário no ano passado, você não leu? - Tadeu perguntou para a cunhada, ocupando lugar no chão próximo a TV.
A de cabelos cor de rosa começou a coçar a nuca disfarçando.
"Disfarça, Eduarda, disfarça".
E o casal lá olhando pra ela com aquela cara de "nunca mais te damos nada". Eduarda tentava fazer cara de pessoa muito ocupada e que por isso não tinha lido, mas sua irmã sabia que ela tinha tido tempo, mas a preguiça era maior que ela.
- Sabe, a vida é muito engraçada né, tanta coisa que acontece - ia ela comentando e disfarçando, mas no fundo esperava Vivi jogar a mesa em cima dela.
- Vai já acontecer a minha mão na sua cara! - Vivian já chegou na ameaça. - Você tem ideia da pessoa com quem você vai se casar? Eduarda, esse cara é rico, ele é famoso, ele é uma pessoa influente e ainda por cima foi eleito pela revista Caras, o escritor mais bonito da atualidade!
Eduarda só tinha ouvido a parte do rico, Vivian falava e ela só escutava ele é rico, ele é rico, ele é rico, ele é podre de rico!
- Ele é rico? - foi dito que ela só tinha escutado isso. - Por isso que me ofereceu uma Lua de Mel em Paris.
Para o mundo, que Vivian queria descer.
- Eduarda, agora você vai se casar com esse cara, querendo ou não querendo!