- Já eu acho que você devia desistir dessa loucura. - Shin não estava ligando nenhum pouco para as flores e ainda não tinha desistido de fazer o amigo desistir.
- Mas as vermelhas deixam um clima mais romântico - o moreno prosseguiu ignorando o amigo completamente.
O japonês, que era mais brasileiro do que Rafael, bufou, parecia que estava falando com uma parede, não, as paredes dariam mais atenção a ele, já o outro parecia mais um monturo de areia que seguia a favor do vento, sem dar importância as coisas ao seu redor.
- Rafa, você tá me ouvindo?
- Não, não, o casamento vai ser de dia, então as amarelas vão combinar mais com o clima, isso, as flores vão ser amarelas!
Agora Shin tinha certeza que o amigo não estava ouvindo nada do que ele estava falando. O japonês estava morrendo de vontade de fazer Rafael engolir aquela revista todinha. Mas já que o amigo estava muito concentrado, ele viu a oportunidade certa para fugir dali de fininho e não ter que ficar ouvindo o escritor enquanto ele planejava seu casamento.
Porém seus planos foram frustrados quando segundos antes dele se levantar, Rafael o olhar com aqueles olhões arregalados.
- Meu Deus, tenho que escolher o terno que eu vou vestir, o casamento é em dois dias e eu aqui sentado feito uma anta! - foi o que Rafael disse antes de sair arrastando o amigo porta afora indo em direção ao elevador, sem nem mesmo parar para trancar a porta.
Enquanto era arrastado como um saco de babatas, Shin só conseguia pensar no que ele tinha feito para merecer passar por aquilo "Devo ter cortado a barba de Moisés", pense em um carma ruim, Rafael tirava qualquer um do sério.
Os dois desceram até a garagem, e o japonês tentava a todo momento fugir, mas o mais novo sempre era mais rápido, quando deu por si, já estava dentro do carro e Rafael dirigia alegre e satisfeito provavelmente para alguma alfaiataria. Shin olhava pela janela como um cachorro olha quando está sendo levado para a castração, estava meneando a ideia de abrir a porta e pular, só para fugir e não compactuar com as loucuras do melhor amigo. E quando finalmente chegaram, ele até pensou em usar o alfaiate como refém e fugir segurando um sapato no pescoço do mesmo, ameaçando fazer ele cheirar seu chulé, quem sabe funcionasse.
Mas sabia que com Rafael Rocha não tinha acordo, o jeito que tinha era ajudar o amigo a escolher um terno de uma vez por todas e ir logo embora dali.
E lá estava Rafael, experimento alguns ternos, eles eram praticamente todos iguais, mas Rafael era do tipo que olhava do nude para o bege e sabia a diferença.
Vestiu um, mas se sentiu gordo, vestiu outro, mas se sentiu com calor, vestiu mais um e estava apertado. Vestiu uns 40, mas cada um deles tinha um defeito, por mais que Shin achasse que todos eram iguais. Esse era Rafael Rocha, um cara com sérios problemas de indecisão quando o assunto era suas roupas.
Duas horas depois os dois amigos, ou inimigos, Shin não sabia mais como taxar Rafael, estavam tomando o caminho de volta, o moreno muito satisfeito com seu terno novo, que era igual a todos os outros que ele tinha, praticamente, e o mais velho vermelho de raiva parecendo um cachorro que tinha acabado de ser tosado.
[...]
Eduarda estava procurando o vestido mais caro que pudesse achar, estava levando ao pé da letra quanto ao que Rafael tinha dito, ele havia autorizado para que ela pudesse escolher o vestido que quisesse naquela loja e quando o assunto é gastar, Eduarda era a melhor no assunto, especialmente quando Vivian vinha logo atrás, agarrada ao seu calcanhar.
- O que achou desse, Vi? - a rosada perguntou enquanto rodava com ele de frente para o espelho.
- Esse é um dos nossos modelos mais vendidos, Florence Xavier usou um igualzinho no casamento dela - comentou a vendedora. Essa tinha cara de quem sabia o que fazer quando o assunto era fazer a compradora gastar mais.
Mas Eduarda nem sabia quem era Florence Xavier.
- Então não vou levar este, não quero sair nas capas das revistas com o mesmo vestido que outra já saiu, você não tem algum modelo único? - Eduarda perguntou toda trabalhada na cara de rica.
A vendedora abriu um sorriso que dava pra ver até de costas.
- Temos, é um modelo muito bonito e bastante caro, mas eu garanto que a senhorita será a noiva mais elegante da década! - ela sempre dizia isso, mas puxar o saco sempre fazia Madu se derreter todinha. - Me acompanhem.
As duas irmãs acompanharam a vendedora. A rosada estava quase saltitando, era a primeira vez que entrava em uma loja tão chique em sua vida sem ser só para fotografar escondido os modelos dos vestidos e mandar fazer com alguma costureira.
E quando estava frete a frente com o vestido, quase teve um infarto do miocárdio catastrófico, ele era lindo de matar. Branco como a neve, todo revestido em uma renda fina e bordada, as mangas longas em tule e os ombros nus, sem falar no corte impecável do busto, Eduarda estava em frente ao seu vestido dos sonhos.
Estilo Barbie no castelo de diamantes.
- Não tem mais papo, vou levar!
[...]
Horas depois, lá estava Rafael sentado em seu escritório, terminando de preparar tudo para o seu tão querido casamento, agora só faltava acertar tudo com o juiz e terminar a lista de convidados, que era o que mais estava lhe dando trabalho. A maioria de seus amigos eram brigados com outros amigos, se convidasse todos, certamente acabaria em briga.
- Você acha que eu devo chamar os Oliveira para o casamento? - perguntava ele olhando para a lista com o cenho franzido.
- Você não disse que seria uma cerimônia íntima? Não se convida alguém que não tem intimidade para uma cerimônia íntima! - Shin respondeu como quem responde ao óbvio, já que era mesmo isso.
Rafael continuou olhando para o papel, a lista estava mesmo ficando muito grande, estava na hora de tirar algumas pessoas. Parabéns, você quase foi convidado para o casamento de Rafael Rocha.
Foi quando recebeu uma mensagem em seu celular, era do banco informando uma compra em seu cartão de crédito, quase se engasgou com a própria saliva quando olhou os valores, valores, no plural.
- Nem casei ainda e essa mulher já está me custando uma fortuna!