vá, Zane. Por favor. Acho que estou tendo alucinações, mas quero que elas durem.
Tirando as botas, ele virou o corpo e deitou ao lado dela. - Você não
está sonhando e eu não sou uma ilusão. James está morto e nunca mais voltará. Não posso descer a montanha com você agora. Estamos no meio de uma nevasca. Mas vou levar você para um lugar seguro assim que possível.
Ele gentilmente passou os braços em volta dela. Em seguida, apoiou a cabeça dela em seu peito, passando a mão pelos seus cabelos agora secos. -
Acho que já estou segura - disse ela em tom hesitante, aconchegando-se a ele.
- Pode ter certeza disso. Não vou deixar que nada aconteça com você,
Ellie. Prometo.
Ela suspirou de leve. Em seguida, sua respiração ficou regular e profunda. Zane percebeu que ela estava dormindo e não em um estado
inconsciente. O alívio o invadiu quando seu corpo relaxou. Ele colocou os
dois braços protetoramente em volta de Ellie, embalando o corpo dela de forma gentil em um esforço de reconfortá-la. Mas talvez também fosse para reconfortar a si mesmo. Ele estava muito grato por tê-la encontrado com vida.
Finalmente, com Ellie aconchegada em segurança e aquecida contra ele,
Zane adormeceu.
Ellie abriu os olhos, confusa.
Onde estou? O que aconteceu? James!
O pânico a invadiu ao olhar em volta, aterrorizada pelo retorno de James
à cabana que a acordara. O medo e o terror a deixaram com a garganta apertada, mas ela notou que a boca não estava mais seca como o deserto.
Com o coração batendo depressa e a respiração irregular, a reação de Ellie foi de puro terror. Freneticamente, ela olhou ao redor da cabana,
torcendo para que não houvesse ninguém lá.
Exceto... que ela não estava mais na cabana. A parte racional de sua mente começou a funcionar e ela lentamente tentou absorver os arredores.
Não demorou muito para perceber que estava no hospital, com enfermeiros e médicos passando rapidamente no corredor em um ritmo que a deixou tonta.
Os lençóis e cobertores brancos que a cobriam ajudaram a confirmar sua localização, bem como a agulha em seu braço e todos os fios presos em seu corpo.
Ela começou a sentir o terror aumentando, sem entender por que estava
lá nem como chegara a um hospital, quando ouviu a voz dele.
- Graças a Deus! Você acordou.
Ela virou a cabeça rapidamente e viu um Zane Colter com aparência exausta ao lado da cama. As roupas dele estavam amarrotadas e os cabelos desgrenhados, como se ele tivesse passado a mão neles repetidamente.
As suspeitas dela foram confirmadas quando ele passou a mão pelos
cabelos novamente, em alívio ou frustração. Algumas vezes, em se tratando de Zane, era difícil saber o que ele estava pensando. Mas, estoico ou não, ela estava feliz com a presença dele e sentiu o corpo relaxar pela primeira vez em muito tempo. - O que aconteceu? - A voz dela estava tão fraca quanto o
corpo. - Como cheguei aqui?
- Você não se lembra de nada? - perguntou Zane com a testa franzida.
Ellie vasculhou o cérebro, lembrando-se vagamente de ouvir a voz de
Zane dizendo que tudo ficaria bem. - Achei que você fosse um sonho.
- Não acho que eu seja o sonho de ninguém - retrucou Zane em tom seco.
Ellie subitamente se lembrou de como chegara àquela situação, para
começo de conversa. Lembranças horríveis surgiram em seu cérebro enquanto ela se esforçava para se sentar na cama. - Ai, meu Deus. Preciso falar com Chloe. James...
Ele a empurrou de volta gentilmente. Ela não tinha forças para se mexer, muito menos para se sentar.
- Está morto - terminou Zane. - Ele se matou, Ellie. Antes disso,
ficou no hospital porque foi idiota o suficiente para machucar nossa irmã. Foi por isso que você não recebeu comida nem água. Você estava muito mal
quando finalmente a encontrei naquela cabana.
- Chloe...
- Minha irmãzinha está em lua de mel. Ela se casou com Gabe Walker, um homem que cuidará muito bem dela.
A cabeça de Ellie girava quando ele terminou de contar o que acontecera
com Chloe e como ela fora chantageada. Ellie perdera tanta coisa, e muito acontecera desde que fora aprisionada por James.
- Graças a Deus - sussurrou Ellie, deixando a cabeça cair sobre o
travesseiro. - Depois que vi aqueles vídeos, fiquei com muito medo por ela.
- Ele sabia que você sabia sobre os vídeos?
Ellie assentiu. - Ele me pegou com o notebook dele. Eu estava indo procurar Chloe quando ele me sequestrou no escritório e jogou-me no porta-
malas do carro.
- Caralho! - xingou Zane veementemente.
- Fiquei inconsciente por algum tempo e não sei o quanto ele dirigiu.
Nem sei exatamente onde ele me escondeu. Eu só sabia que estava em uma
cabana e supus que fosse um lugar remoto. Nunca entendi por que ele simplesmente não me matou.
- Garantia - resmungou Zane. - Não tenho dúvidas de que, depois do
casamento, ele não se importaria mais se você estava viva ou morta.
- Todo mundo achou que eu estava morta? - perguntou ela baixinho.
- Praticamente todo mundo - concordou ele. - Mas Chloe e eu nunca deixamos de procurar. Como seu carro tinha desaparecido, a maioria das pessoas achou que você tinha ido embora ou já estava morta.
Ellie estremeceu. O coitado do Tartaruga Azul estivera no
estacionamento. Obviamente, James se livrara dele. - Acho que eu estava
quase morta. Perto do fim, não sabia mais se queria que James aparecesse ou
simplesmente deixasse que eu morresse. - As visitas dele não tinham sido frequentes, mas sempre eram dolorosas.
- Não diga isso - retrucou Zane. - Sei que ele bateu muito em você.
Ele a estuprou, Ellie?
- Não - respondeu ela constrangida. - Eu era gorda demais para ele no começo. E acho que ele sentia mais prazer em me torturar. Quando fiquei mais magra, ele me disse que eu era uma porca suja e nojenta.
Zane acariciou os cabelos dela distraidamente. - Lamento tanto não ter encontrado você antes.
Ela abriu um sorriso fraco para ele. - Fico grata por ter conseguido me
encontrar. - Ela hesitou antes de dizer: - Eu queria saber o que ele fez com
o meu carro. Pode ter levado a chave, mas queria saber onde ele escondeu meu velho Tartaruga Azul.
- Seu o quê? - perguntou Zane confuso.
Ellie suspirou. - Eu chamava o meu carro de Tartaruga Azul. Eu o tinha
há muito tempo e ele não parava de funcionar. Só ficou um pouco mais lento
no decorrer do tempo.
- Ele nunca foi encontrado - confirmou Zane.
- Suponho que, depois de me encontrar, você me trouxe para cá.