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Capítulo 5 As noites passam

Denver. Era mais perto e tem instalações médicas mais bem equipadas para a condição em que você estava. Fiz o que pude na primeira

noite da nevasca, mas, como você ainda não estava coerente no dia seguinte,

desci a montanha. A neve tinha diminuído um pouco e eu tinha que aproveitar a oportunidade para levar você a algum lugar para ser tratada.

- Perdi a noção do tempo. Por quanto tempo James me manteve lá? -

Ellie perdera os sentidos um pouco de cada vez. Os dias e as noites passaram

a se embaralhar.

- Cerca de sete meses - respondeu Zane relutantemente.

Ellie ficou de boca aberta, chocada. Por algum tempo, ela contara os dias

e as semanas que se passaram. Mas, em algum momento, ela passara a dormir durante a maior parte do tempo em que James não estava lá. Depois de tentar tudo em que conseguira pensar para se libertar, a esperança de ser resgatada

desaparecera. Pouco a pouco, sua energia se esgotara e ela começara a racionar a comida e a água, sem saber quando conseguiria mais... ou se receberia mais.

- Minha mãe. Ela deve estar desesperada. - Se ela estivera

desaparecida havia meses, a coitada da mãe provavelmente estava muito preocupada.

- Eu telefonei para ela. Dizer que ela ficou feliz seria pouco. Está vindo

de Montana para cá. - Ele aguardou um momento e perguntou: - Quer que

eu conte a Chloe?

- Não - respondeu ela imediatamente. - Ela merece algum tempo de

paz depois do que aconteceu com James. Parece que ela está em processo de

cura. Posso encontrá-la quando ela voltar. Espero estar mais saudável quando finalmente a vir. - Ellie não precisava de um espelho para saber que estava

com uma aparência horrível e a última coisa que queria era que Chloe se sentisse culpada. Agora que sabia de toda a história, Ellie sabia que Chloe passara por maus bocados.

Apesar de Ellie querer desesperadamente sua melhor amiga, não queria

que ela a visse daquele jeito. Conhecendo Chloe, ela se sentiria culpada.

- Não contamos nada a eles. Ela nem sabe que James está morto. Tenho

a sensação de que Blake provavelmente contou a Gabe. - Zane pareceu ligeiramente desconfortável. - Mas acho que ela ficará furiosa comigo por não ter contado que encontrei você.

- Provavelmente é melhor assim, mesmo que ela fique um pouco

furiosa. Direi a ela que foi ideia minha. Quando ela se sentir mais inteira, conseguirá lidar com tudo de forma melhor. Talvez não fique tão abalada se eu estiver mais forte.

- Acho que ela se sentirá melhor se souber que você está viva -

retrucou Zane em tom seco.

- Ainda não. Por favor. - Ellie conhecia Chloe e sabia que ela ficaria muito mal se a visse naquele momento, emaciada e cheia de marcas pelas surras frequentes de James. Ela não queria que sua melhor amiga a visse

como estava, não quando Chloe passara por tanta coisa.

- Pare de se preocupar com Chloe. Ela está muito melhor do que você

neste momento. Você precisa de alguma coisa? - perguntou Zane em tom

hesitante, parecendo impaciente, como se precisasse de algo com que se ocupar.

Ela precisaria de muitas coisas, mas recusou-se a pensar naquilo no momento. - Não. Há quanto tempo estou aqui?

- Dois dias - respondeu ele.

- Eu não me lembro - admitiu ela, incapaz de recordar o transporte até o hospital.

- É totalmente compreensível - informou Zane. - Você estava

confusa por causa da desidratação. Por sorte, não deverá haver nenhum dano

permanente depois de estar completamente curada. Agora que está recebendo o que precisa, tudo se ajeitará. Demorará um pouco para que ganhe peso. E você precisará de tempo para se recuperar da fraqueza. Mas tudo isso é reversível.

Ellie percebeu que Zane parecia extremamente exausto. A expressão dele

era cansada, os olhos estavam vermelhos e havia olheiras profundas sobre os olhos cinzentos expressivos.

- Você chegou a dormir? Tem uma casa aqui em Denver, certo? Talvez

seja melhor ir para casa e descansar um pouco. - Enquanto dizia aquelas

palavras, ela sentiu o coração apertado com a ideia de ele a deixar sozinha.

Racionalmente, ela sabia que estava fora de perigo, mas, de forma egoísta, queria que Zane ficasse um pouco mais.

- Acha mesmo que vou a algum lugar? Jesus! Vasculhei a maior parte

do estado do Colorado procurando você. Não vou embora - disse ele teimosamente, cruzando os braços sobre o peito largo.

- Então pelo menos durma esta noite. - Ela olhou pela janela,

percebendo que estava escuro. Havia uma cama extra no quarto, ao lado da sua.

- Não acredito que se preocupou comigo. Pelo amor de Deus, Ellie.

Você quase morreu e passou sete meses acorrentada. Meu sono não é uma merda de prioridade.

Ela sabia que, se começasse a reviver os meses anteriores, acabaria

transformando-se em um desastre. - Algumas vezes, é mais fácil não pensar

no assunto. Estou aqui agora. Estou viva. Tudo por sua causa. Estou sendo bem cuidada, estou acordada e falando. Não há motivo para você não descansar.

- Vou me deitar quando você dormir de novo. Tenho a sensação de que

não demorará muito. - As pálpebras de Ellie já estavam pesadas, mas ela

lutou contra a escuridão bem-vinda, onde sabia que se esqueceria do que

acontecera momentaneamente. - Quando poderei ir para casa?

- Quando os médicos disserem que é seguro - respondeu Zane.

- Nem sei se ainda tenho casa. Não tenho carro. Não tenho emprego. -

Ela começou a hiperventilar ao pensar em tudo o que perdera. Ela estivera

quebrada antes de aceitar o emprego com James e não trabalhara lá o

suficiente para receber o primeiro cheque. - Não se preocupe com nada

disso agora - ordenou Zane em tom firme. - Tudo se resolverá. Você pode

ir para casa comigo. Não terá recuperado as forças completamente ao sair

daqui e ainda terá ferimentos a serem curados, bem como deficiências nutricionais.

Ela ergueu o queixo. - Posso cuidar de mim mesma. - A última coisa

de que Ellie precisava era da pena de Zane.

- Você será teimosa depois de tudo o que aconteceu? Não pode aceitar

uma ajudinha dos amigos?

- Talvez eu não tenha opção - admitiu Ellie. Ela não sabia se o apartamento ainda era seu, não tinha fonte de renda e não tinha condições de

procurar um emprego.

- No que me diz respeito, você realmente não tem opção. Vou levá-la

comigo para casa, nem que tenha que colocar você sobre o ombro e arrastá-la

até lá. Você precisa de ajuda e, depois do que aconteceu, não quero que fique longe das minhas vistas.

Amigos? Ela e Zane eram realmente amigos? Sim, na época da escola,

ela diria que eram amigos, apesar de também ter se sentido muito atraída por ele. Mas ela só o vira poucas vezes desde então e não tinham conversado muito. Ele era o irmão de sua melhor amiga e apenas um cara por quem

sentira atração na escola. Ele não tinha motivo para estar grudado a ela.

Mesmo assim, ele obviamente se preocupava com o que acontecera com ela.

- Fico feliz por estar aqui - confessou Ellie. - Estou me sentindo um

pouco perdida. - Na verdade, ela estava sentindo-se muito perdida, mas não

queria admitir. Como estava fisicamente fraca, os obstáculos à frente

pareciam absurdos. Psicologicamente, ela se achava praticamente incapaz de não entrar em pânico sobre o futuro.

- Algum dia, você terá que lidar com o que aconteceu. Mas esse dia não

é hoje. Você precisa descansar e ficar boa. Estarei bem aqui, não vou a lugar

algum - disse Zane.

Ellie estremeceu, detestando o momento em que teria que lidar com o encarceramento, as lembranças de nunca saber quando James apareceria novamente para levar suprimentos... ou simplesmente matá-la.

Sentindo as pálpebras muito pesadas, ela desistiu de lutar para

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