EsTUP FaTA, aP rTO sua mão. É GranD ForT , sua P l levemente bronzeada é quente enquanto seus longos dedos envolvem os meus e apertam com um poder cuidadosamente contido. Um arrepio percorre minha espinha com a sensação, meu corpo aquece todo, e preciso de todo o esforço para não tombar em direção a ele enquanto meus joelhos se transformam em gelatina.
Controle-se, Chloe. Este é um potencial empregador. Controle- se, porra.
Com um esforço hercúleo, puxo minha mão e junto o que resta da minha compostura.
- É um prazer conhecê-lo, Sr. Molotov. - Para meu alívio, minha voz sai firme; meu tom, calmo e amigável, como convém a uma pessoa que está sendo entrevistada para um emprego. Dando meio passo para trás, eu sorrio para meu anfitrião. - Desculpe, cheguei um pouco adiantada.
Seus olhos de tigre se mostram mais brilhantes.
- Sem problemas. Estava ansioso para conhecê-la, Chloe. E, por favor, me chame de Nikolai.
- Nikolai - eu repito, meu batimento cardíaco estúpido acelerando ainda mais. Não entendo o que está acontecendo comigo, por que estou tendo essa reação a este homem. Eu nunca perdi a cabeça por causa de um queixo esculpido e um abdômen bem definido, nem mesmo quando era uma adolescente cheia de hormônios. Enquanto minhas amigas estavam apaixonadas por jogadores de futebol e estrelas de cinema, eu saía com garotos
cujas personalidades eu gostava, cujas mentes me atraíam mais do que seus corpos. Para mim, a química sexual sempre foi algo que se desenvolve com o tempo, em vez de estar presente desde o início.
Mas, também, eu nunca conheci um homem que exala tal magnetismo animal cru.
Eu não sabia que homens assim existiam.
Concentre-se, Chloe. Ele provavelmente é casado.
O pensamento é como um respingo de água fria em meu rosto, me trazendo de volta à realidade da minha situação. O que diabos estou fazendo, babando pelo pai de uma criança? Eu preciso desse trabalho para sobreviver. A viagem de 64 quilômetros até aqui consumiu mais de um quarto do tanque de gasolina, e se eu não ganhar algum dinheiro logo, estarei perdida, um alvo fácil para os assassinos que vêm atrás de mim.
O calor dentro de mim esfria com o pensamento, e quando Nikolai diz: - Siga-me - e caminha de volta para a casa, meus nervos estremecem de ansiedade em vez do que quer que tenha acontecido comigo ao vê-lo.
Por dentro, a casa é tão ultramoderna quanto por fora. Ao meu redor estão janelas do chão ao teto com vistas deslumbrantes, decorações dignas de museus de arte moderna e móveis elegantes que parecem ter saído diretamente do showroom de algum designer de interiores. Tudo é feito em tons de cinza e branco, suavizados em alguns lugares por madeira natural e detalhes em pedra. É lindo e mais do que um pouco intimidador, assim como o homem na minha frente, e enquanto ele me leva por uma sala de estar aberta para uma escada em espiral de madeira e vidro nos fundos, não posso deixar de me sentir como um pombo sarnento que foi acidentalmente lançado em uma sala de concertos dourada.
Reprimindo a sensação perturbadora, eu digo: - Você tem uma bela casa. Mora aqui há muito tempo?
- Alguns meses - ele responde enquanto subimos as escadas. Ele olha para mim. - E você? Você disse em sua carta de apresentação que está em uma viagem?
- Isso mesmo. - Sentindo-me em terreno mais firme, explico que me formei em Middlebury College, em junho, e decidi conhecer
o país antes de mergulhar no mundo do trabalho. - Mas é claro que vi seu anúncio - concluo - e parecia perfeito demais para deixar passar, então, aqui estou.
- Sim, de fato - diz ele suavemente quando paramos na frente de uma porta fechada. - Aqui está você.
Minha respiração engata novamente, meu pulso acelerando incontrolavelmente. Há algo enervante na curva sombria e sensual de sua boca, algo quase... perigoso na intensidade de seu olhar. Talvez seja a cor incomum de seus olhos, mas me sinto nitidamente desconfortável quando ele pressiona a palma da mão em um painel discreto na parede e a porta se abre na nossa frente, no estilo de um filme de espionagem.
- Por favor - ele murmura, gesticulando para que eu entre, e eu o faço, dando o meu melhor para ignorar a sensação perturbadora de que estou entrando no covil de um predador.
O covil acabou sendo um grande escritório iluminado pelo sol. Duas das paredes são feitas inteiramente de vidro, revelando vistas das montanhas de tirar o fôlego, enquanto uma elegante mesa em forma de L no meio contém vários monitores de computador. Ao lado está uma pequena mesa redonda com duas cadeiras, e é para onde Nikolai me leva.
Escondendo um suspiro de alívio, eu me sento e coloco meu currículo na mesa na frente dele. Claramente, estou no limite, meus nervos tão à flor da pele depois do ultimo mês que vejo perigo em toda parte. Esta é uma entrevista para um cargo de tutor, nada mais, e preciso me controlar antes de estragar tudo.
Apesar da advertência, meu pulso dispara novamente quando Nikolai se inclina para trás em sua cadeira e me olha com aqueles olhos inquietantemente bonitos. Posso sentir a umidade crescente nas palmas das mãos, e faço tudo o que posso para não limpá-las novamente no meu jeans. Por mais ridículo que seja, sinto-me nua sob aquele olhar, todos os meus segredos e medos expostos.
Pare com isso, Chloe. Ele não sabe nada. Você está sendo entrevistada para ser tutora, nada mais.
- Então - digo alegremente para esconder minha ansiedade
-, posso perguntar sobre a criança que eu estaria dando aulas particulares? É seu filho ou filha?
Seu rosto assume uma expressão indecifrável.
- Meu filho. Miroslav. Nós o chamamos de Slava.
- É um ótimo nome. Ele...
- Fale-me sobre você, Chloe. - Inclinando-se para frente, ele pega meu currículo, mas não olha para ele. Em vez disso, seus olhos estão fixos no meu rosto, fazendo-me sentir como uma borboleta presa ao microscópio. - O que há nessa posição que te intriga?
- Oh, tudo. - Respirando fundo para firmar minha voz, descrevo todos os trabalhos de babá e aulas particulares que fiz ao longo dos anos e, em seguida, repasso meus estágios, incluindo meu último emprego de verão em um acampamento para necessidades especiais, onde trabalhei com crianças de idades variadas. - Foi uma grande experiência - concluo -, ao mesmo tempo desafiadora e gratificante. Minha parte favorita, porém, era ensinar matemática e ler para as crianças mais novas – e é por isso que acho que seria perfeita para esse papel. Ensinar é minha paixão, e eu adoraria a chance de trabalhar com uma criança individualmente, para adaptar o currículo aos seus interesses e habilidades.
Ele coloca o currículo de lado, ainda sem se preocupar em olhar para ele.
- E como você se sente morando em um lugar tão distante da civilização? Onde não há nada além de natureza selvagem por dezenas de quilômetros ao redor e apenas um contato mínimo com o mundo exterior?
- Isso soa... - Como um refúgio. - surpreendente. - Sorrio para ele, minha excitação não fingida. - Sou uma grande fã do ermo e da natureza em geral. Na verdade, minha alma mater – Middlebury College – foi escolhida em parte por causa de sua localização rural. Adoro fazer caminhadas e pescar, e me dou bem num acampamento. Morar aqui seria um sonho que se tornou realidade. - Especialmente dadas todas as medidas de segurança que localizei no caminho, mas não digo isso, é claro.
Eu não posso parecer outra coisa senão uma recém-formada da graduação em busca de aventura.
Ele arqueia as sobrancelhas.
- Você não vai sentir falta dos seus amigos? Ou família?
- Não, eu... - Para meu temor, minha garganta se contrai com uma onda repentina de tristeza. Engolindo, tento novamente. - Eu sou muito independente. Tenho viajado pelo país sozinha no último mês e, além disso, sempre há telefones, aplicativos de videoconferência e rede social.
Ele inclina a cabeça. - Ainda assim, você não postou em seus perfis de rede social no mês passado. Por que isso?
Eu fico olhando para ele, meu coração dispara. Ele olhou minha rede social? Como? Quando? Eu tenho as configurações de privacidade mais altas; ele não deveria ser capaz de ver nada sobre mim além do fato de que existo e uso as redes sociais como uma pessoa normal. Ele me investigou? Invadiu minhas contas de alguma forma?
Quem é esse homem?
- Na verdade, não tenho telefone no momento. - Um filete de suor desce pela minha espinha, mas consigo manter o meu tom. - Eu me livrei dele porque queria ver se conseguiria funcionar nessa viagem sem todos os eletrônicos. Uma espécie de desafio pessoal.
- Entendo. - Seus olhos são mais verdes do que âmbar nesta luz. - Então, como você mantém contato com a família e os amigos?
- Principalmente por e-mail - minto. Não tenho como admitir que não mantive contato com ninguém e não tenho planos de fazer isso. - Tenho visitado bibliotecas públicas e uso os computadores de lá de vez em quando. - Percebendo que meus dedos estão fortemente entrelaçados, eu abro minhas mãos e forço um sorriso em meus lábios. - É bastante libertador não estar amarrada a um telefone, sabe. Conectividade extrema é uma bênção e uma maldição, e estou aproveitando a liberdade de viajar pelo país como as pessoas faziam no passado, com apenas um mapa de papel para me guiar.
- Uma Geração Z ludista. Que refrescante.
Eu coro com a zombaria suave em seu tom. Eu sei como minha explicação soa, mas é a única coisa que posso inventar para justificar minha falta de atividade recente nas redes sociais e, caso ele olhe meu currículo com atenção, a ausência de um número de
telefone celular. Na verdade, é uma boa desculpa para tudo, então, posso muito bem seguir em frente.
- Você está certo. Eu sou um pouco ludista - digo. - É provavelmente por isso que a vida na cidade tem tão pouco apelo para mim, e porque achei seu anúncio de emprego tão intrigante. Viver aqui - eu aponto para as vistas deslumbrantes do lado de fora - e dar aulas particulares para seu filho é o tipo de trabalho que eu sempre quis, e se você me contratar, vou me dedicar completamente a ele.
Um sorriso lento e misterioso curva seus lábios. - Mesmo?
- Sim. - Mantenho seu olhar, mesmo quando minha respiração fica superficial e lufadas de calor percorrem minha pele. Eu realmente não entendo minha reação a este homem, não entendo como posso considerá-lo tão magnético, mesmo quando ele dispara todos os tipos de alarmes em minha mente. Paranoia ou não, meus instintos gritam que ele é perigoso, mas meu dedo coça para estender a mão e traçar as linhas claramente definidas de seus lábios carnudos e de aparência macia. Engolindo em seco, afasto meus pensamentos desse território traiçoeiro e digo com o máximo de seriedade que consigo: - Serei a tutora mais perfeita que você pode imaginar.
Ele me olha sem piscar, o silêncio se estende por vários segundos, e quando sinto que meus nervos vão explodir como um elástico esticado, ele se levanta e diz: - Siga-me.
Ele me leva para fora do escritório e por um longo corredor até chegarmos à outra porta fechada. Esta não deve ter segurança biométrica, pois, apenas bate na porta e, sem esperar resposta, entra.
No interior, outra janela do chão ao teto oferece vistas mais deslumbrantes. No entanto, não há nada elegante e moderno neste quarto. Em vez disso, parece o resultado da explosão de uma fábrica de brinquedos. O caos colorido está em todo lugar que olho, com pilhas de brinquedos, livros infantis e peças de LEGO
espalhadas por todo o chão, e uma cama infantil coberta por um lençol com o tema do Super-Homem no canto. Os travesseiros e cobertores com o tema do Super-Homem da cama estão empilhados em outro canto, e não é até que meu anfitrião diga em um tom de comando: - Slava!- que eu percebo que há um garotinho construindo um castelo de LEGO próximo a essa pilha.
Ao ouvir a voz de seu pai, a cabeça do menino se ergue, revelando um par de enormes olhos verde-âmbar – os mesmos olhos hipnotizantes que o homem ao meu lado possui. Em geral, o menino é Nikolai em miniatura, seu cabelo preto caindo em volta das orelhas em uma cortina lisa e brilhante e seu rosto redondo de criança já mostrando uma sugestão daquelas maçãs do rosto marcantes. Até a boca é a mesma, faltando apenas a curva cínica e sábia dos lábios de seu pai.
- Slava, idi syuda - Nikolai ordena, e o menino se levanta e se aproxima de nós com cautela. Quando ele para na nossa frente, noto que ele está vestindo uma calça jeans e uma camiseta com uma foto do Homem-Aranha na frente.
Olhando para seu filho, Nikolai começa a falar com ele em um russo rápido. Não tenho ideia do que ele está dizendo, mas deve ter algo a ver comigo porque o menino continua olhando para mim, sua expressão ao mesmo tempo curiosa e amedrontada.
Assim que Nikolai termina de falar, eu sorrio para a criança e me ajoelho no chão, então, estamos no mesmo nível.
- Oi, Slava - digo suavemente. - Eu sou Chloe. Prazer em conhecê-lo.
O menino me olha sem expressão.
- Ele não fala inglês - diz Nikolai, com a voz dura. - Alina e eu tentamos ensiná-lo, mas ele sabe que falamos russo e se recusa a aprender conosco. Então, esse seria o seu trabalho: ensinar inglês a ele, junto com qualquer outra coisa que uma criança da idade dele deveria saber.
- Entendo. - Mantenho meu olhar no menino, sorrindo para ele calorosamente, mesmo quando mais alarmes disparam em minha mente. Há algo estranho na maneira como Nikolai fala com e sobre a criança. É como se seu filho fosse um estranho para ele. E se Alina – que presumo ser sua esposa e mãe da criança – sabe inglês
tão bem quanto meu anfitrião, por que Slava não fala pelo menos algumas palavras? Por que ele se recusaria a aprender o idioma com seus pais?
Em geral, por que Nikolai não pega o menino e o abraça? Ou bagunça seu cabelo de maneira divertida?
Onde está a facilidade calorosa com que os pais costumam se comunicar com os filhos?
- Slava - digo baixinho para o menino -, eu sou Chloe. - aponto para mim mesma. - Chloe.
Ele me olha com o olhar fixo de seu pai por vários longos momentos. Em seguida, sua boca se move, moldando as sílabas.
- Klo-ee.
Eu sorrio para ele. - Isso mesmo. Chloe. - Eu bato no meu peito. - E você é Slava. - Eu aponto para ele. - Miroslav, certo?
Ele acena com a cabeça solenemente. - Slava.
- Você gosta de quadrinhos, Slava? - Eu gentilmente toco a imagem em sua camiseta. - Este é o Homem-Aranha, não é?
Seus olhos brilham. - Da, Homem-Aranha. - Ele pronuncia com sotaque russo. - Ti znayesh o nyom?
Eu olho para Nikolai, apenas para encontrá-lo me olhando com uma expressão sombria e indecifrável. Um formigamento de consciência indesejada percorre minha espinha, minha respiração engata com uma sensação repentina de vulnerabilidade. Não é onde eu quero estar de joelhos com este homem.
É como expor minha garganta para um lindo lobo selvagem.
- Meu filho está perguntando se você sabe sobre o Homem- Aranha - diz ele após um momento de tensão. - Presumo que a resposta seja sim.
Com esforço, eu tiro meu olhar dele e me concentro no menino.
- Sim, eu sei sobre o Homem-Aranha - digo, sorrindo. - Eu amava o Homem-Aranha quando tinha sua idade. Também Super- Homem e Batman e Mulher Maravilha e Aquaman.
O rosto da criança se ilumina mais com cada super-herói que eu nomeio, e quando chego ao Aquaman, um sorriso malicioso aparece em seu rosto.
- Aquaman? - Ele franze o narizinho. - Nyet, nye Aquaman.
- Sem Aquaman? - Eu arregalo meus olhos exageradamente.
- Por que não? O que há de errado com o Aquaman?
Isso atrai uma risadinha. - Nye Aquaman.
- Ok, você venceu. Sem Aquaman. - Solto um suspiro triste.
- Pobre Aquaman. Poucas crianças gostam dele.
O menino ri de novo e corre para uma pilha de gibis ao lado da cama. Pegando um, ele o traz de volta e aponta para a foto na frente.
- Super-Homem samiy sil'niy - declara ele.
- Super-Homem é o melhor? - Eu chuto. - Seu favorito?
- Ele disse que é o mais forte - diz Nikolai uniformemente, depois, muda para o russo, sua voz assumindo o mesmo tom de comando.
O rosto do menino cai, e ele abaixa o livro, sua postura abatida.
- Vamos voltar para o meu escritório - diz Nikolai para mim, e sem outra palavra para seu filho, ele se dirige à porta.