É um luxo do tipo que eu só vi em filmes, e aumenta meu desconforto.
Quem são essas pessoas? Onde eles conseguiram sua riqueza? Como Nikolai soube da minha ausência nas redes sociais quando todos os meus perfis são privados?
Por que precisam de tanta segurança em um lugar tão remoto?
Eu não queria pensar muito sobre nada disso antes – meu foco era conseguir o emprego – mas agora que estou aqui, agora que isso é real, não posso deixar de me perguntar no que me meti.
Porque há uma resposta fácil para todas as minhas perguntas, uma palavra que, graças a Hollywood, vem à mente quando penso nos russos ricos.
Máfia.
É isso que meus novos patrões são?
CHLOE
Com o coraÇão marTElanDO, me vıro PARA OLHAR PARA Nikolai. Ele está me olhando com a mesma diversão perturbadora, e de repente me sinto como um rato nas garras de um gato grande e lindo.
Que pode fazer parte da máfia.
- Então - começo desconfortavelmente -, eu provavelmente deveria...
- Dê-me as chaves do seu carro. - Ele se aproxima de mim. - Vou mandar trazer suas coisas.
- Tudo bem. Eu posso fazer isso. Eu só vou... - Fecho a boca porque ele estende a palma da mão para cima, com uma expressão inflexível.
Remexendo no bolso, tiro as chaves e as coloco em sua palma grande. - Aqui estão.
- Obrigado. - Ele guarda as chaves. - Acomode-se e fique à vontade. Pavel trará suas malas em um minuto.
- Há apenas uma... uma pequena mala no porta-malas - digo, mas ele já está saindo.
Exalando um suspiro que não percebi que estava segurando, desabo na cama. Agora que a entrevista acabou, a adrenalina que me sustentava está baixando, e me sinto espremida, tão completamente esgotada que tudo que posso fazer é ficar ali deitada e olhar fixamente para o teto alto. Depois de um tempo, me recupero o suficiente para registrar o fato de que a colcha branca debaixo de mim é feita de algum material macio e felpudo, e
espalmo sobre ela, acariciando-a como se fosse um animal de estimação.
Uma batida na porta me tira do meu estado semicatatônico.
Sentando-me, grito: - Entre!
Um homem do tamanho de um urso das cavernas entra, carregando minha mala, que mais parece uma bolsa em sua mão enorme. Tatuagens percorrem os lados de seu pescoço grosso, e seu rosto envelhecido me lembra um tijolo – duro, avermelhado e intransigentemente quadrado. Seu cabelo curto militar é de um tom indeterminado de castanho generosamente salpicado de cinza, e seus duros olhos cinza me lembram balas derretidas.
- Oi - digo, oferecendo um sorriso enquanto me levanto. - Você deve ser Pavel.
Ele acena com a cabeça, sua expressão inalterada. - Onde você quer isso? - Ele pergunta em um rosnado profundo e acentuado.
- Bem aqui está bom, obrigada. Eu cuido disso. - Aproximo- me para pegar a mala dele e ao fazê-lo, percebo que ele deve ser o maior homem que já conheci, tanto em altura quanto em largura. Mais tatuagens decoram as costas de suas mãos e aparecem no decote em V do suéter que se estende firmemente sobre seus peitorais proeminentes.
Tentando não engolir em seco, nervosa, paro na frente dele e agarro a alça da mala que ele acabou de colocar no chão.
- Obrigada. - sorrio mais largo, olhando para cima. Muito para cima – meu pescoço realmente dói do quanto tenho que forçá-lo para trás.
Ele acena com a cabeça novamente, sua mandíbula larga rígida, então, se vira e sai.
Está bem então. Tanto esforço para fazer amizade com outros membros da equipe. Qual é o trabalho do homem-urso aqui, afinal? Escolta?
Executor da máfia, talvez?
Afasto o pensamento. Mesmo que o cara se enquadre perfeitamente ao estereótipo, eu me recuso a insistir nessa possibilidade. Qual seria o ponto? Mesmo que meus novos patrões sejam mafiosos, estou mais segura aqui do que lá fora.