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A Fúria de Uma Mãe: O Preço da Vida do Meu Filho
img img A Fúria de Uma Mãe: O Preço da Vida do Meu Filho img Capítulo 3
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Capítulo 3

A partida do Pedro deixou um vazio estranho no apartamento.

Era mais silencioso, mas também mais leve. O ar já não estava carregado com a sua presença opressiva.

No dia seguinte, encontrei-me com um agente imobiliário. Um homem simpático, de meia-idade, com um olhar compreensivo.

Ele olhou para os papéis da casa, depois para mim.

"A casa está em nome dos dois," disse ele suavemente. "Para a vender, vai precisar da assinatura do seu marido."

Senti o meu estômago afundar. Claro. A lei.

"Ele não vai assinar," disse eu, a minha voz um sussurro. "Ele não quer ajudar."

O agente suspirou.

"Nesse caso, a situação complica-se. Podem entrar numa batalha legal, mas isso levaria meses, talvez anos. Tempo que, pelo que me diz, o seu filho não tem."

Saí do escritório dele a sentir-me derrotada. Cada porta que eu tentava abrir, parecia que o Pedro estava do outro lado, a segurá-la fechada.

Voltei para casa e encontrei a minha mãe à minha espera. Ela tinha trazido uma panela de sopa e um abraço que me aqueceu a alma.

Contei-lhe sobre o problema da assinatura.

Ela sentou-se, o seu rosto determinado.

"Então vamos falar com a mãe dele. A Cláudia. Ela sempre gostou de ti e adora o Leo."

A ideia pareceu-me um tiro no escuro. A Cláudia, a minha sogra, era uma mulher simpática, mas sempre foi dominada pelo marido, o senhor Afonso, um homem duro e focado nos negócios, tal como o filho. E ela sempre defendeu o Pedro, independentemente do que ele fizesse.

Mas eu não tinha outras opções.

No dia seguinte, eu e a minha mãe fomos a casa dos meus sogros. Era uma casa grande e imponente num bairro rico, um mundo à parte da minha realidade.

A Cláudia recebeu-nos com um sorriso tenso. O Pedro já lhe tinha ligado, era óbvio.

"Sofia, querida. Entrem."

Sentámo-nos na sala de estar formal, cheia de móveis caros e sem vida.

Eu expliquei a situação, a minha voz a tremer ligeiramente enquanto falava da doença do Leo e da necessidade urgente da cirurgia.

A Cláudia ouvia, os seus olhos a encherem-se de lágrimas.

"Oh, meu pobre netinho," ela murmurou, a mão no peito.

"É por isso que precisamos de vender a casa," continuei. "Mas o Pedro recusa-se a assinar. Cláudia, por favor, fale com ele. Convença-o. É a vida do filho dele que está em jogo."

Ela olhou para mim, o seu rosto um misto de pena e desamparo.

"Sofia, eu... eu não sei o que posso fazer. O Pedro é teimoso. E o Afonso..."

Nesse momento, a porta da sala abriu-se e o meu sogro, o senhor Afonso, entrou. Ele era uma versão mais velha e mais dura do Pedro.

"O que é que se passa aqui?" perguntou ele, a sua voz um trovão.

A Cláudia encolheu-se.

"Querido, a Sofia estava a contar-nos sobre o pequeno Leo..."

"Eu já sei," ele cortou-a. "O Pedro contou-me tudo. Contou-me sobre a tua tentativa de o manipular para vender a propriedade dele."

Ele virou-se para mim, os seus olhos frios como gelo.

"Escuta-me bem, rapariga. O meu filho trabalhou muito para ter aquela casa. Não vamos permitir que tu a destruas por causa dos teus problemas."

"Meus problemas? É o seu neto!" exclamei, incrédula.

"É um problema que veio do teu lado da família," disse ele, repetindo as palavras do filho como um eco horrível. "Nós, os Patrícios, somos fortes. Não temos essas fraquezas. O Pedro não tem obrigação de pagar pelos erros da tua linhagem."

A minha mãe levantou-se, o seu rosto vermelho de fúria.

"Como se atreve? Estamos a falar de uma criança! Do seu sangue!"

O senhor Afonso sorriu, um sorriso que não chegou aos olhos.

"Sangue fraco não nos interessa. Se não consegues cuidar do teu filho, talvez não devesses tê-lo tido. O problema é teu. Resolve-o."

Naquele momento, percebi que a crueldade não era um defeito do Pedro. Era uma herança de família.

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