Gênero Ranking
Baixar App HOT
Casamento Trocado, Destino Reescrito
img img Casamento Trocado, Destino Reescrito img Capítulo 2
3 Capítulo
Capítulo 5 img
Capítulo 6 img
Capítulo 7 img
Capítulo 8 img
Capítulo 9 img
Capítulo 10 img
img
  /  1
img

Capítulo 2

O noivado foi selado. Joana mal conseguia esconder a satisfação, como se já estivesse sentada em uma montanha de dinheiro. Minha madrasta, Lúcia, embora contrariada por Joana ter escolhido o "pior" noivo, estava feliz por ter resolvido a situação sem grandes dramas.

Agora, era a minha vez de jogar.

Alguns dias depois, encontrei Lúcia sozinha na cozinha. Aproximei-me dela com os olhos baixos, parecendo a mesma garota submissa de sempre.

"Mãe...", comecei, com a voz um pouco trêmula.

Lúcia me olhou com desconfiança. Ela nunca gostou de mim. Eu era a filha da primeira esposa do meu pai, um lembrete constante de que ela não foi a primeira.

"O que foi, Maria?"

"É sobre o dote", eu disse, em voz baixa. "Eu sei que a Joana vai receber muitas coisas boas. Mas eu... eu só queria pedir uma coisa. Uma máquina de costura."

Naquela época, uma máquina de costura era um item de luxo, um bem valioso que poderia gerar renda. Na minha vida passada, Lúcia riu da minha cara quando pedi uma. Disse que era um desperdício para alguém como eu.

"Uma máquina de costura? Para quê? Você mal sabe pregar um botão."

"Eu quero aprender", respondi, mantendo a aparência de humildade. "O diretor Carlos tem um bom salário, mas eu não quero ficar em casa sem fazer nada. Quero ajudar, talvez fazer pequenos consertos para os vizinhos. Qualquer dinheirinho extra ajuda."

Eu sabia exatamente que tecla tocar. Lúcia era avarenta. A ideia de eu gerar minha própria renda, por menor que fosse, e não depender totalmente do genro, a agradava. Além disso, me dar a máquina agora, que eu ia casar com o "bom partido", a faria parecer uma madrasta generosa aos olhos do meu pai e dos vizinhos.

Ela pensou por um momento, seus olhos pequenos me avaliando.

"Tudo bem," ela cedeu, com um ar de grande magnanimidade. "Vou colocar a máquina de costura no seu dote. Mas veja lá, não vá me envergonhar."

"Obrigada, mãe! Muito obrigada!", eu disse, com uma gratidão que a fez se sentir superior.

Mas eu não tinha terminado. A máquina de costura era apenas o começo.

No dia seguinte, voltei a procurá-la. Desta vez, eu não estava pedindo, estava exigindo, mas de uma forma que ela não podia recusar.

"Mãe," comecei de novo, "eu estive pensando sobre o dote. A máquina de costura é maravilhosa, mas tem outra coisa."

"O que mais você quer, garota?", ela perguntou, já impaciente.

"Eu não quero os móveis antigos nem as roupas de cama que a senhora separou para mim. Eu quero o dinheiro."

Lúcia ficou boquiaberta. "Dinheiro? Que dinheiro?"

"O dinheiro que meu pai deu para a minha mãe quando eles se casaram. A minha mãe biológica."

O rosto de Lúcia empalideceu. Minha mãe biológica morreu quando eu era muito pequena, em um suposto acidente. Ela caiu de uma escada. Meu pai, devastado, casou-se com Lúcia pouco tempo depois. Eu era muito jovem para entender, mas na minha vida passada, pouco antes de morrer, ouvi fragmentos de conversas, sussurros maldosos de parentes distantes que sugeriam que a morte da minha mãe não fora um acidente. E que Lúcia, que era viúva de um mineiro morto em um desabamento, havia se beneficiado muito.

"O dinheiro da sua mãe foi usado para criar você!", ela sibilou, recuperando a compostura.

"Isso não é verdade", eu disse, minha voz calma, mas firme. "Minha mãe tinha economias, joias. Ela me contou, antes de... antes de morrer. Ela disse que era para mim. Eu sei que o pai lhe deu o controle de tudo, mas essa parte era minha. Eu não quero tudo, só a minha parte. O suficiente para começar minha vida sem ser um peso para o meu marido."

Eu estava blefando, claro. Minha mãe morreu quando eu mal falava. Mas a semente da dúvida estava plantada. Lúcia sabia que havia se apossado de tudo.

"Isso é um absurdo! Seu pai nunca permitiria!"

"Então vamos perguntar a ele", eu disse, calmamente. "Vamos sentar todos juntos e conversar sobre o que a minha mãe deixou para mim."

Ela ficou em silêncio. A última coisa que Lúcia queria era ter essa conversa na frente do meu pai. Ele era um homem fraco, mas tinha um profundo sentimento de culpa pela morte da minha mãe. Se eu insistisse, ele poderia ceder, apenas para aliviar sua consciência.

A guerra fria começou. Eu parei de fazer minhas tarefas em casa. Passava os dias no meu quarto, quieta. Quando Lúcia gritava comigo, eu não respondia. Apenas a olhava com uma tristeza profunda, como uma órfã injustiçada. A pressão estava aumentando.

O que acelerou tudo foi Joana. Duas semanas depois do noivado, ela passou mal. O médico veio e o diagnóstico foi rápido: gravidez.

Joana estava grávida do alcoólatra.

O escândalo foi abafado, mas a notícia se espalhou como fogo na vizinhança. O casamento teve que ser adiantado. Lúcia estava desesperada para casar a filha o mais rápido possível, para diminuir a vergonha. E para isso, ela precisava que o meu casamento também acontecesse, pois os noivados foram anunciados juntos.

Ela veio até meu quarto, o rosto uma máscara de fúria contida.

"Você venceu", ela disse, entredentes. "Quanto você quer?"

"Eu não quero nada que não seja meu", respondi. "Quero o valor das joias da minha mãe."

Ela jogou um maço de notas na minha cama. Não era tudo, eu sabia, mas era uma quantia considerável. O suficiente para o meu plano.

"Pegue. E case-se logo. Não quero mais olhar para a sua cara."

Eu peguei o dinheiro. No dia do casamento duplo, Joana se casaria com o homem que ela acreditava ser seu futuro milionário, grávida e apressada. E eu, me casaria com o homem que ela desprezou, com o capital inicial para construir o meu próprio império e a determinação de desenterrar os segredos sombrios que minha madrasta tanto se esforçava para esconder. A vitória dela era uma ilusão. A minha, estava apenas começando.

Anterior
            
Próximo
            
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022