- O que tem a minha mãe? - Alícia perguntou, o coração batendo forte.
Mas Cássio já havia desligado.
Uma dor aguda atravessou sua têmpora.
Na manhã seguinte, a notícia do noivado de Guilherme e Helena estava em toda parte. Seus rostos sorridentes zombavam dela em todas as telas.
Ela entrou no escritório do Sr. Matos, o rosto uma máscara de pedra, e entregou-lhe sua carta de demissão.
- O que é isso? - ele perguntou, perplexo. - Você acabou de começar. Você tem a maior matéria da sua carreira!
- Estou saindo do país - disse Alícia, a voz sem emoção.
Seus colegas se aglomeraram, tentando fazê-la mudar de ideia, mas sua decisão estava tomada.
Ela não veria nenhum deles novamente.
Ela reservou um voo para Las Vegas.
A cidade das emoções baratas e dos erros rápidos. A cidade onde Guilherme havia lhe comprado um sonho falso.
Ela foi direto ao cartório de registro civil de Clark County.
A funcionária olhou para a certidão de casamento que ela apresentou, depois digitou seu nome no sistema.
- Sinto muito, senhora - disse a funcionária, olhando para ela com pena. - Esta certidão é uma falsificação. Não está em nosso sistema.
Alícia arrancou o papel de volta, as mãos tremendo.
- Isso é impossível. Nós assinamos aqui mesmo.
- O número da certidão é falso - disse a funcionária gentilmente. - De acordo com nossos registros, nesta data, três anos atrás, Guilherme Dantas se casou com uma mulher chamada Helena Torres.
O chão pareceu sumir debaixo dela.
Suas pernas cederam, e ela teria desabado se não tivesse se agarrado ao balcão para se apoiar.
Era tudo mentira. Desde o início.
Ele não tinha apenas encontrado uma substituta; ele havia orquestrado um casamento completamente falso, uma peça de teatro cruel com ela como a protagonista desavisada. Enquanto ela ingenuamente desempenhava o papel de sua esposa, ele estava legalmente ligado à mulher que ela estava personificando.
A certidão falsa escorregou de seus dedos, flutuando até o chão.
Ela se lembrou dele lhe dando um acordo de divórcio pré-assinado um ano após o "casamento" deles. Ele havia chamado isso de precaução, uma forma de protegê-la se a família dele descobrisse.
Ela ficou comovida com sua previdência, seu suposto cuidado com ela.
Agora ela via o que era: outra camada de seu engano doentio. Ele sabia que o casamento era falso. Ele sabia que ela nunca assinaria porque o amava demais. Era uma ferramenta para mantê-la dócil, para garantir que ela nunca questionasse seu papel.
Ela caiu no chão, juntando os papéis sem valor, e soluçou. Chorou pela tola que havia sido, pelos três anos que havia desperdiçado, pelo amor que havia dado a um monstro.
Quando finalmente voltou cambaleando para o apartamento que eles compartilhavam, aquele que ele chamava de lar, encontrou-o sentado na sala de estar.
A mesa estava posta com seus pratos favoritos.
- Alícia - disse ele, levantando-se, o rosto um retrato perfeito de preocupação. - Eu estava tão preocupado. Você não atendia minhas ligações.
Ele se moveu para abraçá-la, mas ela se encolheu.
- Eu... eu só estava cansada - ela murmurou, evitando seus olhos. Ela não podia deixá-lo ver a verdade neles. Ainda não.
Ele tentou tocar sua testa.
- Você está quente. Está doente?
Novamente, ela se esquivou de sua mão.
- Eu só preciso descansar.
- Tudo bem - disse ele, a voz tingida daquela ternura falsa que ela agora desprezava. - Vou manter o jantar aquecido para você.
Ela se trancou no quarto, o corpo tremendo.
Como ele podia ser tão bom nisso? O ato de marido amoroso. Algo daquilo tinha sido real? Ele alguma vez, por um único momento, sentiu algo por ela?
Ou foi tudo apenas uma performance?
Ela deitou na cama, a mente um turbilhão de dor e confusão. Ela precisava de respostas. Precisava entender a profundidade de sua traição.