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O Alfa e a Criança da Lua
img img O Alfa e a Criança da Lua img Capítulo 4 A Estrelinha no Céu
4 Capítulo
Capítulo 8 A Escolha de Um Coração Pequeno img
Capítulo 9 A Proposta de Mary img
Capítulo 10 O Novo Lar img
Capítulo 11 A Primeira Noite Longe img
Capítulo 12 Primeira Manhã img
Capítulo 13 O Peso de Ser Alfa img
Capítulo 14 Primeiro dia de aula img
Capítulo 15 O Olhar de Longe img
Capítulo 16 Sorvete Antes da Despedida img
Capítulo 17 Blackwood img
Capítulo 18 A Promessa de Tyler img
Capítulo 19 O Resgate img
Capítulo 20 O Inimigo na Sombra img
Capítulo 21 Reencontro img
Capítulo 22 Companheiro Predestinado img
Capítulo 23 O Superpoder da Família img
Capítulo 24 A Marca do Destino img
Capítulo 25 O Coração Esquecido img
Capítulo 26 O Destino Cruel da Lua img
Capítulo 27 A Criança e a Sombra img
Capítulo 28 O Elo Desperto img
Capítulo 29 O Silêncio de Lynn img
Capítulo 30 O Fardo da Escolha img
Capítulo 31 Vou Ser Boazinha img
Capítulo 32 Promessa Sob Lágrimas img
Capítulo 33 O Silêncio do Lobo img
Capítulo 34 O Recado da Lua img
Capítulo 35 O Peso do Recado img
Capítulo 36 Muito mais que um amigo img
Capítulo 37 Borboletas no Estômago img
Capítulo 38 Entre o Desejo e a Culpa img
Capítulo 39 Presente de Aniversário img
Capítulo 40 O Jogo de Harper img
Capítulo 41 Quando o Mundo Desmorona img
Capítulo 42 O Abismo entre nós img
Capítulo 43 Um Pressentimento de Perigo img
Capítulo 44 O Sorteio da Caçada img
Capítulo 45 Com o Alfa img
Capítulo 46 O Pesadelo Ganha Vida img
Capítulo 47 A Batalha e o Medo img
Capítulo 48 A Sombra do Pesadelo img
Capítulo 49 Revelações img
Capítulo 50 A Cicatriz do Segredo img
Capítulo 51 Lágrimas sob a lua img
Capítulo 52 Um porto em meio à tempestade img
Capítulo 53 O que não pode ser img
Capítulo 54 Fragmentos de um coração partido img
Capítulo 55 A Linha que Não Pode Ser Cruzada img
Capítulo 56 O Plano img
Capítulo 57 O conselho de Tyler img
Capítulo 58 O festival da Lua img
Capítulo 59 Desejo Contido img
Capítulo 60 O começo do fim img
Capítulo 61 Eu Não Sinto Nada img
Capítulo 62 O Silêncio que Fica img
Capítulo 63 A Angústia Dela img
Capítulo 64 O Laço Quebrado img
Capítulo 65 O Olhar de Um Estranho img
Capítulo 66 O Grito Silencioso img
Capítulo 67 O Fim da Distância img
Capítulo 68 No Quarto do Alfa img
Capítulo 69 O Fim da Aliança img
Capítulo 70 De Volta Para Casa img
Capítulo 71 Você é Minha img
Capítulo 72 Eu Não Deixei Claro img
Capítulo 73 O Comunicado de Zane img
Capítulo 74 A Noite da Convocação img
Capítulo 75 O Luto Cai Sobre a Matilha img
Capítulo 76 O Grito Que Quebrou o Silêncio img
Capítulo 77 O Funeral de Samantha img
Capítulo 78 A Caçada ao Beta img
Capítulo 79 Um Pressentimento Frio img
Capítulo 80 Rastros perdidos img
Capítulo 81 Uma memória antiga img
Capítulo 82 Encontrando Tyler img
Capítulo 83 Um telefonema inesperado img
Capítulo 84 O Cheiro Familiar img
Capítulo 85 O Retorno ao Lar img
Capítulo 86 O Tempo Certo img
Capítulo 87 A Definição de Lar img
Capítulo 88 Visitando Tyler img
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Capítulo 4 A Estrelinha no Céu

POV Lyra ( 4 anos)

Lyra acordou assustada. Um som estranho fazia bip... bip... bip..., como se fosse um passarinho de ferro que não sabia cantar direito. O barulho era constante, insistente, e parecia zombar do silêncio pesado ao redor.

Ela piscou várias vezes, os olhinhos violeta se esforçando contra a luz branca que doía. O teto era liso, frio, com uma lâmpada tão forte que fazia seus olhos arderem. Não parecia casa. Não parecia lugar nenhum que conhecesse.

Tentou mexer o braço e sentiu um puxão. Um tubo transparente estava preso na sua pele, e por dentro dele corria uma água que entrava em seu corpo. Doía. Doía como se milhares de formiguinhas estivessem mordendo a pele dela por dentro.

- Ai... - gemeu baixinho, apertando os lábios.

A cabeça latejava. Tentava se lembrar do que tinha acontecido, mas tudo vinha em pedaços: a estrada escura, o carro sacudindo, o grito da mamãe, os homens grandes com cheiro ruim. Depois, escuridão.

- Mamãe...? - chamou, com a voz fraca, quase sumindo.

Ninguém respondeu. O coraçãozinho dela apertou tanto que parecia que ia estourar.

A porta se abriu com um rangido suave.

Lyra arregalou os olhos. Um homem entrou. Mas não era qualquer homem: ele era tão alto que parecia tocar o teto. O cabelo preto brilhava como a noite sem estrelas, e os olhos eram azuis, iguais a pedacinhos de céu limpo depois da tempestade.

Ele sorriu. Não um sorriso assustador, era quente. Quente como quando mamãe assava bolo de morango e deixava esfriar na janela.

E o cheiro dele! Não era de remédio ou fumaça, mas de canela. Canela com mel. O cheiro mais seguro do mundo.

O homem se aproximou devagar, sem pressa, como se tivesse medo de que ela fugisse. Sua voz saiu calma, profunda, como a canção que a mamãe costumava cantar antes de dormir:

- Olá, pequena. Você se lembra de mim?

"Esse é Zane, Lyra." A voz de Lynn ecoou suave dentro dela. "Ele é bom. Vai nos proteger."

Lyra respirou fundo. - Você... é Zane? - perguntou desconfiada.

Ele assentiu, os olhos azuis fixos nela, pacientes.

- E você? Qual é o seu nome?

Lyra engoliu em seco, tentando parecer corajosa. - Eu sou Lyra.

- É um nome bonito - disse ele, e parecia acreditar de verdade.

O coração dela bateu mais rápido. Mas então lembrou da mamãe. A garganta apertou.

- Minha mamãe... -

O sorriso de Zane desapareceu. O olhar dele ficou triste, pesado como nuvem cinzenta prestes a chover. Ele puxou uma cadeira e se sentou bem perto, inclinado para que seus olhos ficassem na altura dos dela. A voz saiu baixinha, como se as palavras fossem delicadas demais para o ar suportar:

- Sua mãe... infelizmente se foi, pequena.

Os olhos de Lyra se encheram de lágrimas na mesma hora. O coraçãozinho dela parecia quebrar em mil pedacinhos de vidro.

- Então... então ela virou uma estrelinha? Como a Lynn disse? - perguntou, soluçando.

Zane respirou fundo e assentiu.

- Sim, pequena. Ela virou uma estrela. Lá no céu, brilhando forte só por você.

As lágrimas desceram de vez, escorrendo pelo rosto infantil. A mamãe agora era uma estrelinha. Não ia mais cantar. Não ia mais cheirar a morangos. Não ia mais abraçar.

O soluço sacudiu o corpinho frágil, e Lyra mal percebeu quando braços fortes e quentes a envolveram. O cheiro de canela ficou mais forte, como um cobertor invisível.

Era Zane. Ele a abraçava. E, naquele instante, Lyra sentiu algo estranho: protegida.

Não era igual ao abraço da mamãe - aquele era único, doce como bolo recém-saído do forno. Mas o abraço de Zane... fazia com que ela sentisse que o mundo não podia machucá-la ali dentro. Era como se ele fosse uma casa.

Lyra apenas chorou mais forte, enterrando o rosto no peito largo dele.

- Lynn me disse... - balbuciou entre soluços.

Zane franziu o cenho. - Quem é Lynn, pequena? - perguntou, passando a mão devagar pelos cabelos dela.

Lyra se afastou só um pouquinho, os olhos vermelhos de tanto chorar. Mordeu o lábio. Lynn havia dito para nunca contar a ninguém sobre ela. E agora tinha falado sem querer.

Mas a voz de Lynn veio de novo, doce, serena:

"Ele é confiável."

Lyra respirou fundo e, com o dedinho, apontou para a própria cabeça.

- Ela vive aqui.

Zane sorriu de canto, como se tivesse entendido algo importante.

- Ah... você quer dizer o seu lobo? O nome dela é Lynn?

Lyra balançou a cabeça.

- Lynn não é um lobo. Ela é só... uma voz que mora aqui dentro.

Ele não a contradisse. Apenas sorriu de novo e a abraçou, como se dissesse que tudo estava bem.

Nos braços dele, Lyra chorou até o sono pesado vir buscar seu corpo cansado. Dormiu ali, sentindo-se segura pela primeira vez desde que a mamãe se tornara uma estrelinha.

Quando acordou, já era de manhã. O quarto estava silencioso demais. O canto do passarinho de ferro ainda soava, mas Zane não estava mais lá.

O medo veio como uma onda. O coração acelerou.

- Zane? - gritou, a voz falhando. - Zane!

A sensação ruim voltou. O mesmo peso que tinha sentido quando os homens apareceram.

"Lyra, calma." disse Lynn dentro dela. "Ele vai voltar."

- Não! Ele foi embora! Igual a mamãe! - gritou, já chorando.

O corpo dela começou a doer, um calor estranho subindo pelos ossos. Ela só queria Zane. Ele era seu amigo. Seu único amigo agora.

A porta se abriu, e uma mulher entrou, falando algo que Lyra não escutou. A dor crescia, a cabeça latejava, a visão escurecia.

E então, como um sopro de vento que afasta nuvens de tempestade, a voz que ela queria ouvir ecoou:

- O que foi, pequena? Estou aqui. Está tudo bem.

Era Zane. Ele entrou apressado, os olhos cheios de preocupação. Lyra se jogou da cama direto para o colo dele.

- Alfa, acho que você tem uma fã - disse a mulher, rindo baixinho.

Zane a olhou sério. - Saia. - E ela saiu sem protestar.

Ele acariciou os cabelos dela, paciente.

- Quer me contar o que aconteceu?

Lyra fungou. - Eu fiquei com medo de você me abandonar igual a mamãe...

Zane suspirou, abraçando-a mais forte. - Oh, pequena... eu não vou te abandonar.

Lyra ergueu o dedinho mindinho, as lágrimas ainda escorrendo. - Jura juradinho?

Ele riu baixinho. - Juro juradinho.

Ela sorriu entre soluços, e algo dentro dela acreditou de verdade.

Mas Zane ficou sério de novo.

- Pequena, sei que não é uma boa hora... mas precisamos conversar, ok?

Ela assentiu. - Ok.

- Você se lembra do que aconteceu? Do acidente?

Lyra pensou, mas só lembrava de dormir e acordar depois.

- Não. Eu estava dormindo.

- E você tem alguma família além da sua mãe?

Ela balançou a cabeça. - Vovô e vovó já viraram estrelinha também.

- E seu pai?

- Mamãe nunca me falou dele, não importava o quanto eu perguntasse. Eu nunca conheci ele.

Zane apertou os lábios. - Você se lembra do nome completo da sua mãe?

- Melissa Miller - respondeu baixinho.

Antes que pudessem continuar, uma batida forte ecoou na porta.

- Entre, Carson - disse Zane.

Um homem enorme entrou, tão grande quanto Zane. Os olhos eram verdes, como folhas novas.

- Alfa, precisamos de você para resolver um assunto - disse Carson.

Zane suspirou. - Ok, me dê um minuto.

- Você vai embora? - perguntou Lyra em um tom choroso.

- Por pouco tempo, pequena, mas vou pedir para alguém especial ficar com você, ok?

- Okay... - disse Lyra, insegura.

- Carson, peça a Mary para vir até aqui - disse Zane.

- Claro, Alfa. - Carson saiu, deixando Lyra sozinha com ele.

Zane se inclinou, encurtando a distância até que seus olhos encontrassem os dela.

- Eu volto logo, prometo. Enquanto isso, Mary vai cuidar de você.

Lyra assentiu devagar, mesmo sem querer.

Algum tempo depois, a porta se abriu de novo. Uma mulher de cabelos ruivos entrou, com um sorriso tão radiante que parecia o sol entrando pela janela.

- Oi, Lyra! Eu sou Mary. Trouxe biscoitos e um filme pra gente assistir.

Lyra olhou para Zane, desconfiada.

- Está tudo bem, pequena. Você está segura com ela - afirmou Zane, firme.

Lyra respirou fundo e assentiu, agarrando o lençol.

E, pela primeira vez, percebeu que talvez pudesse confiar em mais alguém além de Zane.

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