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Obcecada pelo mafioso
img img Obcecada pelo mafioso img Capítulo 4 O peso do poder
4 Capítulo
Capítulo 6 Ecos da traição img
Capítulo 7 Refúgio e silêncio img
Capítulo 8 Ecos da violência img
Capítulo 9 Entre o fogo e o silêncio img
Capítulo 10 Ecos do passado img
Capítulo 11 A sombra da verdade img
Capítulo 12 -Corações em Guerra img
Capítulo 13 O preço da lealdade img
Capítulo 14 Entre o Sangue e a Verdade img
Capítulo 15 As Sombras do Passado img
Capítulo 16 Sangue e Promessas img
Capítulo 17 O Que Resta Depois da Tempestade img
Capítulo 18 Entre a Vingança e o Medo img
Capítulo 19 Entre o Sangue e o Silêncio img
Capítulo 20 As Sombras Que Se Aproximam img
Capítulo 21 Verdades Enterradas, Feridas Abertas img
Capítulo 22 As Sombras Que Carregam o Meu Nome img
Capítulo 23 As Fissuras do Silêncio img
Capítulo 24 Entre o Medo e o Desejo img
Capítulo 25 As Sombras Que Voltaram img
Capítulo 26 Rastros na Escuridão img
Capítulo 27 O Toque Entre a Luz e a Sombra img
Capítulo 28 A Verdade Que Não Pode Ser Enterrada img
Capítulo 29 O Peso de Um Nome Perdido img
Capítulo 30 O Homem Que Sussurra Na Escuridão img
Capítulo 31 O Invasor Que Sabe Seu Nome img
Capítulo 32 ENTRE O MEDO E O DESEJO img
Capítulo 33 A NOITE QUEBRADA img
Capítulo 34 O NOME QUE ELA NUNCA DISSE img
Capítulo 35 ENTRE O SANGUE E O SILÊNCIO img
Capítulo 36 Entre Sombras e Cicatrizes img
Capítulo 37 A Noite em Que Tudo Desaba img
Capítulo 38 O Nome Que Nunca Deveria Ser Dito img
Capítulo 39 A Memória que Não Queria Acordar img
Capítulo 40 O Peso das Escolhas img
Capítulo 41 A Sombra Que Observa img
Capítulo 42 O Homem na Escuridão img
Capítulo 43 Entre a Vida e a Vingança img
Capítulo 44 Entre Tiros e Verdades img
Capítulo 45 A Verdade Entre Balas e Beijos img
Capítulo 46 Sangue Que Não Se Apaga img
Capítulo 47 O Homem Que Criou o Monstro img
Capítulo 48 Cinzas do Império img
Capítulo 49 O peso do silêncio img
Capítulo 50 O nome que nunca morreu img
Capítulo 51 A Voz Que Sabe Seu Nome img
Capítulo 52 A origem da dor img
Capítulo 53 Quando a verdade nos alcança img
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Capítulo 4 O peso do poder

A madrugada parecia se arrastar, interminável. O sono, para Helena, era apenas uma miragem distante.

O quarto onde Lorenzo a havia deixado tinha dimensões quase irreais. As cortinas espessas bloqueavam parte da luz da cidade, criando um ambiente abafado, silencioso demais. A cama, tão macia que parecia engoli-la, não trazia descanso.

Ela se revirava de um lado para o outro, o coração acelerado como se estivesse fugindo de algo que, na verdade, a cercava por todos os lados. Cada vez que fechava os olhos, lembrava-se do olhar de Lorenzo: escuro, fixo, ameaçador e, ao mesmo tempo, capaz de despertar nela algo que não sabia nomear.

Por fim, cansada de lutar contra os próprios pensamentos, levantou-se. Descalça, aproximou-se da janela e abriu uma fresta da cortina. O céu já se tingia de dourado, prenunciando o nascer do sol. A cidade parecia acordar aos poucos, indiferente ao fato de que a vida dela havia sido virada do avesso.

O encanto daquele momento que quase lhe devolvia paz foi quebrado por vozes abafadas vindas do andar inferior. Eram masculinas, firmes, mas havia algo de tenso no tom que fez seu estômago se contrair.

Curiosa - e assustada -, Helena abriu a porta devagar, como se temesse que até o clique da maçaneta pudesse denunciá-la. O corredor estava deserto. O elevador privativo não funcionava sem a autorização de Lorenzo, então desceu pela escada lateral, cada passo medido sobre o carpete.

Ao chegar ao térreo, espiou discretamente. E congelou.

Lorenzo estava diante de três homens. Todos vestiam ternos impecáveis, os rostos marcados por anos de poder, mas nenhum deles ousava encarar diretamente o homem à frente. Eram figuras que, em outro contexto, pareceriam perigosas. Ali, porém, diante de Lorenzo, pareciam apenas subordinados.

Ele falava em italiano, a voz grave e cortante, cada palavra soando como um veredito. Helena não compreendia totalmente, mas não era preciso entender a língua: o tom bastava.

O ar estava carregado, como se qualquer resposta errada pudesse custar caro.

- Non ci saranno più errori. - Lorenzo concluiu, e os olhos brilharam com uma ameaça silenciosa. - Ou vocês responderão a mim.

Os homens assentiram rapidamente. Um deles chegou a enxugar o suor da testa, nervoso.

Helena recuou instintivamente, mas o pequeno movimento foi suficiente para chamar a atenção de Lorenzo. Ele levantou os olhos, encontrando os dela no alto da escada. Por um instante, o tempo parou.

- Todos fora. - A ordem foi seca, irrefutável.

Os três homens saíram apressados, como se mal conseguissem respirar no mesmo espaço que ele. O silêncio voltou, preenchendo cada canto do ambiente.

Lorenzo começou a subir as escadas. Seu passo era firme, calculado, lembrando a aproximação de um predador. Helena tentou sustentar o olhar, mas a intensidade que ele carregava a fez estremecer.

- Eu disse para ficar no quarto. - Sua voz soou baixa, mas impregnada de autoridade.

Ela engoliu em seco.

- Eu ouvi vozes... - respondeu, tentando parecer firme, mas a voz vacilou. - Eu só queria saber quem eram aquelas pessoas.

Ele parou diante dela e, por alguns segundos, ficou em silêncio, como se medisse até onde deveria revelar.

- Homens que me devem lealdade. Às vezes, precisam ser lembrados disso.

Um arrepio correu pela espinha de Helena.

- Você... os ameaçou?

O canto da boca dele se ergueu em algo que não chegava a ser um sorriso.

- Ameaça é uma palavra fraca. Eu apenas estabeleço verdades.

Ela recuou, mas Lorenzo segurou levemente seu braço. Não havia força suficiente para machucá-la, apenas o bastante para impedir que ela se afastasse.

- Não me olhe como se eu fosse um monstro - disse, os olhos fixos nos dela. - Eu faço o que é necessário para manter de pé aquilo que construí.

- E eu? - a voz dela saiu embargada, quase um sussurro. - Onde eu entro nisso, Lorenzo?

Os olhos dele suavizaram por um instante, antes de voltarem a endurecer.

- Você ainda não percebeu? - murmurou, inclinando-se levemente para ela. - Estar perto de você me faz sentir algo que não posso controlar. Isso me torna vulnerável. E vulnerabilidade, no meu mundo, é uma sentença de morte.

O coração dela disparou.

- Então... por que não me deixa ir?

Ele soltou devagar o braço dela. O silêncio se estendeu, pesado, até que ele finalmente respondeu:

- Porque já é tarde demais.

As palavras atingiram Helena como um golpe invisível. Respirou fundo, tentando manter a calma, mas não sabia se tinha mais medo dele... ou do que começava a sentir por ele.

Antes que pudesse falar algo, a campainha soou. Um dos seguranças entrou, trazendo um envelope. Lorenzo rasgou o lacre com pressa, leu e, sem hesitar, rasgou o papel em dois. O olhar escureceu.

- Temos uma reunião. - Ele virou-se para Helena. - E você vai comigo.

Os olhos dela se arregalaram.

- O quê? Eu?

- Precisa ver quem eu sou com seus próprios olhos. - O tom dele não admitia discussão. - Só assim vai entender por que não pode mais voltar atrás.

O coração de Helena batia em disparada, tão alto que ela tinha certeza de que ele poderia ouvir. Parte dela queria gritar, recusar, correr para longe dali. Mas outra parte, talvez a mais perigosa, queria descobrir.

E, naquele instante, Helena compreendeu que estava prestes a atravessar uma linha invisível.

E do outro lado, não havia retorno.

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