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Das Cinzas: O Retorno da Esposa Indesejada
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Capítulo 2

Ponto de Vista de Elisa Guimarães:

Os quinze dias foram uma descida a um tipo especial de inferno. Caio me mudou da clínica de volta para nossa cobertura, a gaiola dourada onde eu um dia acreditei ser feliz. Meu corpo era uma paisagem de dor, os pontos da histerectomia um lembrete constante e latejante do que ele havia roubado de mim. A dor fantasma de uma gravidez perdida era ainda pior, um luto que não tinha forma, nem voz.

Fabiana, claro, estava sempre presente. Ela havia se mudado para a cobertura, sua risada ecoando pelos corredores, seus perfumes caros pairando no ar como um miasma. Caio a mimava, cada ação sua uma torção da faca em minhas entranhas.

"Caio, querido", Fabiana arrulhou uma noite, jogando-se sobre seus ombros enquanto ele lia. "O torneio anual de polo da Fundação Sampaio é na próxima semana. Eu simplesmente preciso ir. E quero montar."

"Claro", disse Caio, sem levantar os olhos do livro. "Vou providenciar."

Os olhos de Fabiana, brilhando com malícia, me encontraram onde eu estava encolhida em um sofá, um cobertor de caxemira puxado até o queixo. "Elisa deveria ir também. Vai ser tão bom para ela tomar um ar fresco."

A ideia das multidões, dos sorrisos educados, do espetáculo público, fez meu estômago se contrair. "Não estou bem o suficiente", eu disse, minha voz mal um sussurro.

Caio finalmente olhou para mim, seu olhar frio. "Fabiana está certa. Você já está se lamentando há tempo demais. Você vai."

O dia do torneio de polo estava claro e frio. Os gramados bem cuidados do Helvetia Polo Club estavam repletos da elite de São Paulo, um mar de linho pastel e chapéus de abas largas. Eu me sentia como um fantasma assombrando uma festa, meu vestido escuro um contraste gritante com as cores vibrantes ao meu redor.

No meio da multidão, eu os vi. Os homens que haviam feito a aposta original. Eles estavam em um pequeno círculo sorridente, seus olhos me seguindo com diversão predatória. Um deles, um magnata imobiliário engomadinho chamado Marcos Tavares, veio em minha direção.

"Ora, ora, veja o que o gato trouxe", ele disse arrastado, seus olhos me percorrendo com desprezo. "Tenho que admitir, Guimarães. Você jogou o jogo longo. Mas parece que seu tempo acabou. Trocando você por um modelo mais novo, não é?"

Suas palavras foram um açoitamento público. Eu podia sentir os olhares, ouvir os sussurros. Fiquei ali parada, minhas mãos cerradas em punhos, a humilhação um peso físico me pressionando.

Fabiana, vestida com um impecável traje de montaria branco, parecia uma deusa. Ela se jogou em um magnífico garanhão preto, seus movimentos fluidos e confiantes. "Oh, Elisa", ela chamou, sua voz ecoando pelo campo. "Você não quer montar? Pedi para o Caio arranjar um cavalo só para você. Um bem mansinho."

Ela apontou para uma égua de aparência triste amarrada por perto.

"Eu não posso", eu disse, a memória da cirurgia uma nova pontada de dor. "Eu fiz... uma operação."

A testa de Fabiana se franziu em falsa preocupação antes de seus lábios se curvarem em um sorriso cruel. "Ah, é verdade. O procedimento. Que falta de jeito a minha esquecer. Bem, certamente um trotezinho não vai fazer mal."

Caio apareceu ao meu lado, sua mão agarrando meu braço. "Não seja difícil, Elisa. Fabiana se deu ao trabalho de arranjar. Suba no cavalo."

"Caio, eu não posso", implorei, minha voz quebrando. "O médico disse-"

"Eu estou mandando você subir no cavalo", ele disse, sua voz baixa e ameaçadora. Seus dedos cravaram em meu braço, uma ameaça silenciosa.

Derrotada, permiti que um tratador me ajudasse a subir na égua. Cada movimento enviava um choque de agonia pelo meu abdômen. A multidão observava, uma mistura de pena e curiosidade mórbida em seus rostos.

Fabiana, enquanto isso, era uma visão de graça equestre. Ela galopava pelo campo, sua risada ecoando enquanto a multidão aplaudia. Caio a observava, seu rosto iluminado de orgulho e adoração. Ele jogou um beijo para ela, uma declaração pública de que eu era o passado e ela era o futuro.

Minhas próprias tentativas de montar foram um desastre desajeitado e doloroso. A égua era arisca e meu corpo estava fraco demais para controlá-la adequadamente. Tornei-me motivo de chacota, a esposa desgraçada lutando para acompanhar.

Em um ponto, a égua tropeçou, me jogando no chão. Caí com força de lado, um grito de dor escapando dos meus lábios. O impacto rasgou algo dentro de mim; uma agonia aguda e lancinante irrompeu na parte inferior do meu corpo.

Caio nem sequer olhou em minha direção. Ele estava muito ocupado parabenizando Fabiana por sua volta da vitória, envolvendo-a em um abraço apaixonado enquanto a multidão aplaudia.

Fiquei deitada na grama, o mundo girando, dor e humilhação me inundando em ondas. Ninguém veio ajudar. Eventualmente, arrastei-me para ficar de pé, meu vestido manchado de grama e sujeira, e manquei de volta para o clube, uma figura solitária e quebrada.

Quando pedi a um dos funcionários de Caio um kit de primeiros socorros, ele me olhou com desdém aberto. "O Sr. Sampaio está com a Sra. Valente. Ele deixou instruções para não ser perturbado."

O resto da noite foi um borrão de dor. Encontrei um canto deserto e me encolhi em uma cadeira, observando Caio e Fabiana na pista de dança, seus corpos pressionados, seus lábios sussurrando em seu ouvido. Mais tarde, vi uma foto deles em um blog de sociedade, postada apenas alguns minutos antes. A legenda dizia: "Amor Reunido: Caio Sampaio e Fabiana Valente, o casal que todos esperávamos."

Meu coração, que eu pensei que não poderia se quebrar mais, se estilhaçou em mil outros pedaços.

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