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Das Cinzas: O Retorno da Esposa Indesejada
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Capítulo 4

Ponto de Vista de Elisa Guimarães:

Voltei à consciência em minha própria cama, a picada familiar de um soro no meu braço. A anafilaxia tinha sido severa, deixando-me fraca e esvaziada. Fiquei ali por dias, uma prisioneira em meu próprio corpo, o silêncio da cobertura quebrado apenas pelos sons distantes da vida de Caio e Fabiana continuando sem mim.

Cada tique-taque do relógio era uma contagem regressiva. Dez dias restantes. Depois nove. Oito. O número era um mantra, uma oração secreta que me impedia de me despedaçar completamente.

Na manhã do décimo dia, apenas cinco dias antes da minha fuga, fui acordada bruscamente pelo som da porta do meu quarto sendo aberta com violência. Fabiana estava lá, seu rosto contorcido de raiva.

"Sua vadia!", ela gritou, sua voz ecoando no quarto silencioso. "Onde está?"

Eu a encarei, minha mente nebulosa pelos efeitos persistentes da medicação. "Onde está o quê?"

"Não se faça de idiota comigo!" Ela caminhou em direção à cama, seus olhos em chamas. "A pulseira de safiras da minha mãe! Aquela que o Caio me deu ontem. Sumiu!"

Ela enfiou um dedo na minha cara. "Você pegou! Eu sei que pegou! Você não passa de uma ladra comum! Está no seu sangue, não é? Todo mundo em São Paulo sabe como você começou. Uma golpistazinha barata, seduzindo homens por dinheiro."

Eu recuei como se tivesse sido atingida. As palavras eram veneno, mas o que doeu mais foi o lampejo de reconhecimento sombrio nos olhos de Caio quando ele apareceu atrás dela. Ele se lembrava da aposta. O preço de cinquenta milhões de reais que ele havia pago por mim. Para ele, naquele momento, eu não era nada mais do que mercadoria danificada pela qual ele havia pago demais.

"Elisa, devolva", ele disse, sua voz plana.

"Eu não peguei, Caio", insisti, minha voz tremendo. "Eu não saí deste quarto."

"Eu não acredito em você", Fabiana rosnou. "Revistem o quarto dela! Revistem tudo!"

Caio hesitou por apenas um segundo antes de assentir para os dois guardas que haviam se materializado atrás dele. "Façam isso."

Assisti horrorizada enquanto eles começavam a destruir meu quarto. Eles foram metódicos, brutais. Abriram gavetas com violência, jogando minhas roupas no chão. Viraram minha caixa de joias, espalhando os poucos itens preciosos que eu possuía. Rasgaram páginas dos meus livros, cortaram o forro das minhas bolsas. Foi uma violação, uma destruição sistemática do último espaço privado que eu tinha.

Os funcionários se reuniram na porta, seus rostos uma mistura de pena e curiosidade mórbida. Eu estava sendo publicamente humilhada, despida na minha própria casa. Meu santuário havia se tornado um palco para minha degradação.

Claro, eles não encontraram nada.

O rosto de Fabiana ficou mais feio com a frustração. "Ela deve estar com ela! Despam-na!"

O comando pairou no ar, denso e obsceno.

Caio olhou para mim, um olhar longo e calculista. Vi um lampejo de algo - vergonha? hesitação? - antes que fosse extinto por seu desejo de apaziguar Fabiana. "Façam isso", ele disse, sua voz tensa.

"Não!", gritei, correndo para o canto mais distante da cama, puxando os lençóis ao meu redor como um escudo. "Vocês não podem!"

Mas eles podiam. Os guardas, dois homens grandes e impassíveis, avançaram sobre mim. Um arrancou os lençóis enquanto o outro agarrava meus braços, me prendendo contra a cabeceira. Minha camisola foi rasgada do meu corpo, deixando-me exposta, nua, sob os olhos frios e julgadores dos funcionários, de Fabiana, do homem que ainda era meu marido.

Eles me revistaram, suas mãos clínicas e ásperas, violando-me com seu toque tanto quanto com seus olhos. Foi um ataque lento e deliberado à minha dignidade, à minha humanidade. Fechei os olhos, uma única lágrima quente traçando um caminho pela minha bochecha. O mundo se dissolveu em um vórtice de vergonha e impotência.

Eles não encontraram nada.

Justo quando o guarda estava prestes a me soltar, o telefone de Fabiana tocou. Sua voz era afiada de irritação. "O quê? ... Você encontrou onde? ... No bolso do meu casaco de ontem? ... Não seja ridícula, eu verifiquei lá." Ela desligou, um leve rubor manchando suas bochechas.

Ela não se desculpou. Ela simplesmente se virou e saiu do quarto, de cabeça erguida, deixando-me nos destroços da minha vida.

Os funcionários se dispersaram, seus sussurros os seguindo pelo corredor.

Apenas Caio permaneceu. Ele ficou perto da porta, sem olhar para mim, seu rosto uma máscara de emoções conflitantes. Ele finalmente limpou a garganta.

"Sinto muito por isso", ele disse, as palavras soando ocas e inadequadas. Ele tirou a carteira e removeu um maço de notas de cem reais, colocando-as na cômoda devastada. "Isso deve cobrir os danos."

Ele estava tentando me pagar. Pela minha humilhação. Pela minha dor. Pela minha dignidade roubada. Ele estava colocando um preço na minha alma, assim como havia feito cinco anos atrás.

A fria finalidade daquilo me inundou. Eu não era nada mais do que uma transação para ele. Um investimento que havia azedado.

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