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Entre o Desejo do Médico e o Poder do CEO
img img Entre o Desejo do Médico e o Poder do CEO img Capítulo 2 O silêncio depois do reencontro
2 Capítulo
Capítulo 6 O Dia em Que Eles Se Perderam img
Capítulo 7 Desencontros img
Capítulo 8 Adam img
Capítulo 9 Cinco Minutos img
Capítulo 10 Bennett Solutions img
Capítulo 11 O nome na tela img
Capítulo 12 Entre paredes de vidro img
Capítulo 13 Westbridge Covention Hall img
Capítulo 14 Aproximação img
Capítulo 15 Divergências img
Capítulo 16 A chuva img
Capítulo 17 O gosto do passado img
Capítulo 18 O começo da tempestade img
Capítulo 19 Tempestade img
Capítulo 20 Linhas de fogo img
Capítulo 21 Sob cinzas e desejos img
Capítulo 22 Ameaças img
Capítulo 23 Marcus img
Capítulo 24 Loft img
Capítulo 25 Em chamas img
Capítulo 26 Jogos de poder img
Capítulo 27 Mágoas img
Capítulo 28 O Gabinete img
Capítulo 29 Sinais img
Capítulo 30 Contenção de Danos img
Capítulo 31 Movimentos arriscados img
Capítulo 32 Evidências img
Capítulo 33 A Explosão img
Capítulo 34 Levada à força img
Capítulo 35 O encontro img
Capítulo 36 Termômetro img
Capítulo 37 O Ponto de Ruptura img
Capítulo 38 O homem que ele se tornou img
Capítulo 39 Proximidade img
Capítulo 40 Dante img
Capítulo 41 Convergência img
Capítulo 42 Confiança img
Capítulo 43 Reação img
Capítulo 44 Fissura img
Capítulo 45 Rendição img
Capítulo 46 Despertar img
Capítulo 47 Intersecção img
Capítulo 48 Padrões Perigosos img
Capítulo 49 Rastros invisíveis img
Capítulo 50 O Recado img
Capítulo 51 A invasão img
Capítulo 52 O peso da Culpa img
Capítulo 53 O nome que faltava img
Capítulo 54 Chamado img
Capítulo 55 Atirador img
Capítulo 56 A Sombra no Retrovisor img
Capítulo 57 A Caçada img
Capítulo 58 O preço do silêncio img
Capítulo 59 Entre a Sombra e o Fio da Vida img
Capítulo 60 A guerra começa aqui img
Capítulo 61 A isca perfeita img
Capítulo 62 Ponto Cego img
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Capítulo 2 O silêncio depois do reencontro

O caminho de volta para casa pareceu mais longo do que nunca. Camille dirigia em silêncio, o rádio desligado, o pensamento longe demais. As ruas eram as mesmas, mas dentro dela, tudo estava... deslocado. O nome de Adam ainda vibrava em algum lugar do peito, como uma música antiga que o tempo não conseguiu silenciar.

Quando estacionou diante do prédio, ficou imóvel por alguns segundos, as mãos presas ao volante. "Foi só um acaso", sussurrou para si mesma. Mas o corpo sabia a verdade, nada naquele reencontro foi simples.

Subiu o elevador com um peso estranho no peito. Entrou no apartamento silencioso, largou a bolsa, tirou os sapatos, respirou o entardecer que passava pelas cortinas. O silêncio quase a acolheu. Quase. A campainha quebrou a paz em duas. Uma, duas vezes.

Camille hesitou. Não esperava ninguém. E, ainda assim, algo dentro dela já sabia.

Ela abriu a porta.

- Oi, Cam.

A voz veio acompanhada de um sorriso ensaiado demais para ser sincero.

Lucas Miller.

O homem que ela amou. O mesmo que a destruiu sem remorso. Eles trabalhavam juntos havia mais de 6 anos. Ele, médico e ela enfermeira da Morgan & Miller Health Center, sócios desde que o projeto cresceu. Uma parceria profissional que funcionava melhor do que o relacionamento pessoal que um dia tiveram. Mas havia dias, como aquele, em que a simples presença dele parecia demais.

Ela pensou em barrar a entrada. Por um segundo, quase conseguiu. Mas o corpo agiu antes da razão como tantas vezes antes e recuou meio passo.

- Lucas... você não costuma aparecer sem avisar.

Ele ergueu a garrafa de vinho e a sacola, como se aquilo justificasse tudo.

- Pensei que a gente podia jantar juntos.

Camille cruzou os braços.

- Foi um dia cheio.

- Como todos.. Ele completou, tentando suavizar o clima.

Ela não respondeu. O peso da presença dele parecia ocupar o ar inteiro.

Quando Lucas colocou o jantar na bancada, Camille respirou fundo para não perder a paciência.

- Um jantar seria ótimo. Só não sei se precisava ser aqui.

O sorriso dele hesitou. Quase rachou.

- Eu só queria ver você.

- A gente se vê todos os dias, Lucas. O expediente inteiro.

Ele estudou o rosto dela, procurando algo, tentando invadir um espaço que não lhe pertencia mais.

- Você tá diferente.

- Cansada.

- Não. Eu conheço seu cansaço. Isso... é outra coisa.

Camille se afastou até a janela.

- Não começa.

- Não tô começando nada. Só queria entender.

- Não tem nada pra entender.

Ele deu um sorriso curto, incrédulo.

- Tem, sim. Você não tá bem.

- Eu tô bem, ela corrigiu, firme. Só quero silêncio hoje.

- Silêncio... ou distância?

Ela não respondeu. Não precisava.

Lucas mexeu na garrafa, evitando olhar diretamente para o que tinha causado.

- Eu sei que você ainda guarda mágoa. E eu sei que errei. Mas achei que... depois de tudo... a gente tinha reconstruído alguma coisa.

- Reconstruído? Ela deu uma risada amarga. Lucas, o que aconteceu não desaparece. O tempo não apaga. Ele só cobre de poeira.

O silêncio caiu pesado entre eles.

Ele se aproximou um passo.

- Eu quero você inteira de novo.

O peito dela apertou, não de emoção, mas de cansaço.

- Destruíram essa parte de mim... disse baixo.

Lucas engoliu seco, sem saber o que fazer com aquela verdade.

- Eu ainda acho que ela pode voltar.

- Lucas, a gente trabalha bem juntos. Isso já é mais do que eu imaginava que conseguiríamos depois de tudo. Não força o que não existe mais. Agora só quero tomar um banho e dormir.

Ele pareceu querer dizer algo, mas desistiu. Foi até a porta.

- Um dia você ainda vai deixar alguém te amar de novo.

E saiu.

Camille fechou a porta devagar. A quietude voltou, mas não trouxe paz. Porque, no fundo, outra lembrança latejava, o olhar de Adam, tão firme, tão contido, tão diferente de tudo que Lucas era. Ela se deixou cair no sofá e fechou os olhos, exausta. Mas o problema era este: o corpo dela não queria descanso. Queria lembrança. E a lembrança dele era devastadora.

Porque quando a imagem de Adam surgia, vinha inteira: o terno moldando os ombros largos, as mãos firmes, o perfume discreto, a voz grave que percorria a espinha dela como um toque. E o corpo dela reagia antes mesmo que ela percebesse: o estômago apertou, a pele esquentou, um calor lento, profundo, perigoso, começou a se espalhar.

Sete anos... Sete malditos anos... e bastou um olhar dele para o desejo que ela achava enterrado voltar com a força de um soco. Ela odiava isso. Odiava o jeito como o corpo dela ainda reconhecia o dele. Odiava lembrar do que sentia quando ele a tocava. Odiava imaginar, mesmo sem querer, como seria sentir aquele homem agora, mais forte, mais maduro, mais... proibido.

Camille respirou fundo, tentando retomar o controle. Mas não adiantava. O passado estava vivo. E o desejo também.

Era impressionante e revoltante como o corpo dela reagia sem pedir permissão. Como se tivesse acordado algo que ela passou anos enterrando. Algo que não deveria mais existir.

Ela levou a mão ao peito, tentando acalmar o coração acelerado, mas a verdade era simples demais para negar: havia sentimentos que o tempo não apagava... só adormecia. E, às vezes, tudo o que precisavam era de um único olhar para despertar outra vez. E foi nesse pensamento que a comparação, inevitável e amarga, surgiu sozinha:

Lucas nunca provocou aquilo nela. Nunca. Com ele havia rotina, convivência, amizade. Com ele havia história, mas não havia profundidade.

Mas Adam... Adam era outra coisa. Outra intensidade. Outra presença. O tipo de homem que não precisava tocar para incendiar, bastava existir por perto.

E isso era cruel. Cruel porque ela não queria sentir, mas sentia mesmo assim. Cruel porque o corpo dela lembrava. Lembrava dele.

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