6 Capítulo
Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

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André mal esperou o carro entrar na garagem antes de sair correndo, resmungando algo sobre precisar de um banho quente. O conforto morno da presença dele tinha evaporado, deixando para trás o frio amargo do engano. Observei as costas dele se afastando, um nó frio e duro se formando no meu estômago. O jantar, os olhares maliciosos da Angélica, o sono fingido do André - tudo reprisava na minha mente como um rolo de destaques cruel.
Meus olhos vagaram para a mesa de cabeceira, onde o celular dele estava. Um retângulo preto e elegante, geralmente grudado nele como um membro extra. Hoje, ele tinha deixado. Uma faísca minúscula acendeu dentro de mim. Oportunidade.
Meus dedos tremeram quando alcancei o aparelho. Não havia hesitação agora, apenas uma determinação gelada. O medo inicial de invadir a privacidade dele tinha sido substituído por uma fome feroz pela verdade. Ele tinha me despido da minha dignidade; eu o despiria de seus segredos. Lembrei de vê-lo digitar a senha, uma sequência simples que ele usava para tudo. Um, dois, três, quatro, cinco, seis. A tela desbloqueou.
Minha respiração falhou. E lá, bem no topo do aplicativo de mensagens, estava o contato da Angélica Mcfarland. Fixado. Com um emoji de coração.
Respirei fundo, trêmula, o ar queimando meus pulmões. Meu coração batia contra as costelas, um tambor frenético de desgraça iminente. Eu sabia o que encontraria, mas a verdade, a verdade crua e sem filtro, era uma besta que eu tinha que enfrentar.
Toquei no nome dela. O histórico de conversa se desenrolou diante dos meus olhos, um testamento condenatório da traição dele. As mensagens eram explícitas, cruas, repugnantemente íntimas. Apelidos carinhosos, piadas internas, declarações de amor. Confirmações de reserva de hotel para o Grand Hyatt e outros resorts de luxo. Datas e horários que contradiziam diretamente a agenda de "viagens de negócios" dele. Fotos deles juntos, rindo, se beijando, em vários locais, tudo nas últimas semanas, enquanto eu estava em casa, criando o filho dele, pagando as contas dele, escrevendo minhas histórias de amor.
Minha visão embaçou. Cada palavra, cada imagem, era uma nova facada no meu coração. Minhas mãos tremiam tão violentamente que quase deixei o celular cair. A traição era muito mais profunda, muito mais complexa do que eu tinha imaginado. Não era apenas um caso físico; era um emocional, uma vida paralela completa que ele estava vivendo.
Rolei a tela freneticamente, meu polegar voando. Mas então, notei algo. Uma lacuna distinta na conversa. As mensagens só voltavam algumas semanas. Qualquer coisa mais antiga tinha sido apagada. Ele era meticuloso. Estava tentando cobrir seus rastros.
Uma clareza fria e dura se instalou sobre mim. Isso não era mais sobre dor; era sobre estratégia. Ele achava que era esperto. Achava que podia me enganar. Ele estava errado.
Meu próprio celular estava no meu bolso. Puxei-o, mudando para o modo câmera. Minhas mãos ainda tremiam, mas minha determinação era de ferro. Clique. Clique. Clique. Fotografei cada mensagem incriminadora, cada reserva, cada foto, cada detalhe condenatório. Cada flash da câmera parecia uma pequena vitória contra a maré avassaladora das mentiras dele.
Foi excruciante. Cada foto que eu tirava era um rasgo no meu passado, uma demolição do meu futuro, um despertar brutal para o monstro que eu tinha amado. Meu estômago revirou, a bile subindo na garganta. Eu me sentia como se estivesse assistindo à minha própria morte, lenta e agonizante, reproduzida em pixels.
Quando terminei, a galeria do meu celular era um cemitério da nossa história de amor. Coloquei o celular do André de volta exatamente onde encontrei, limpei minhas digitais e me retirei para o nosso quarto. Fiquei deitada no escuro, encarando o teto, as imagens queimadas na minha mente. A dor era insuportável, um latejar físico que permeava cada célula do meu corpo. Mas sob a dor, uma nova emoção fervilhava. Um fogo frio e vingativo.
O jogo não estava apenas começando. As regras tinham sido reescritas. E eu ia terminá-lo. Nos meus termos.