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Prometida a Um, Entregue a Outro
img img Prometida a Um, Entregue a Outro img Capítulo 2 A PROPOSTA
2 Capítulo
Capítulo 6 QUANDO O OLHAR MUDA img
Capítulo 7 O PRAZO img
Capítulo 8 O PRIMEIRO DIA img
Capítulo 9 QUANDO O PASSADO GRITA img
Capítulo 10 QUANDO NÃO HÁ MAIS VOLTA img
Capítulo 11 AS CONSEQUÊNCIAS DO SILÊNCIO img
Capítulo 12 SOB O JULGAMENTO DE TODOS img
Capítulo 13 A ÚLTIMA TENTATIVA img
Capítulo 14 A VOZ QUE ESCOLHE img
Capítulo 15 DIANTE DE TODOS img
Capítulo 16 O QUE ACONTECE QUANDO AS PORTAS SE FECHAM img
Capítulo 17 QUANDO O CONTROLE CEDE img
Capítulo 18 DEPOIS DO FOGO img
Capítulo 19 O PREÇO DA ESCOLHA img
Capítulo 20 SOB FOGO CRUZADO img
Capítulo 21 O QUE O MUNDO VÊ img
Capítulo 22 ENTRE PROMESSAS E PELE img
Capítulo 23 ENTRE SEDAS E SEGREDOS img
Capítulo 24 QUANDO O PASSADO É USADO COMO ARMA img
Capítulo 25 O ROSTO POR TRÁS DO JOGO img
Capítulo 26 QUEM ACREDITA QUE VENCEU img
Capítulo 27 QUANDO AS MÁSCARAS CAEM img
Capítulo 28 A CALMARIA QUE ENGANA img
Capítulo 29 A SEMANA EM QUE TUDO É TESTADO img
Capítulo 30 ANTES DO SIM img
Capítulo 31 A NOITE ANTES img
Capítulo 32 O DIA DO SIM img
Capítulo 33 QUANDO O MUNDO FICA DO LADO DE FORA img
Capítulo 34 ONDE O SILÊNCIO RESPIRA img
Capítulo 35 O RETORNO AO JOGO img
Capítulo 36 O ERRO QUE NÃO PODE SER DESFEITO img
Capítulo 37 O VOTO E A FENDA img
Capítulo 38 A RETALIAÇÃO img
Capítulo 39 QUANDO O PODER TENTA SE IMPOR img
Capítulo 40 O NOME POR TRÁS DO DINHEIRO img
Capítulo 41 A ESCOLHA QUE QUEBRA O TABULEIRO img
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Capítulo 2 A PROPOSTA

Elara passou a noite em claro.

O quarto que ocupava desde a adolescência parecia menor, sufocante. As paredes claras, os móveis delicados, tudo ali carregava lembranças demais. Cada canto tinha um pedaço da menina que acreditou em promessas que nunca foram feitas.

Ela não chorava mais. As lágrimas haviam secado em algum ponto da madrugada, substituídas por um vazio estranho, quase anestésico. O que doía não era apenas o que Noah dissera, mas a naturalidade cruel com que ele a descartara. Como se ela nunca tivesse sido nada além de um hábito confortável.

Ao amanhecer, Elara se levantou, lavou o rosto e se olhou no espelho.

Reconheceu ali uma mulher que precisava reaprender a existir.

Vestiu-se com simplicidade e desceu para o café da manhã. A mansão estava silenciosa demais para um lugar que abrigava tantos segredos. Alguns empregados circulavam discretos, como sombras treinadas para não ouvir nem ver demais.

Ela estava prestes a se servir quando ouviu a voz firme que fez seus ombros enrijecerem.

- Elara.

Edric Vireaux estava sentado à cabeceira da mesa principal.

O patriarca da família raramente aparecia fora de reuniões formais ou eventos estratégicos. Alto, cabelos grisalhos perfeitamente alinhados, olhar calculado. Um homem acostumado a decidir destinos com poucas palavras.

- Bom dia, senhor - respondeu ela, educada.

- Sente-se - pediu, sem levantar a voz.

Ela obedeceu.

Edric a observou por alguns segundos. Seus olhos não eram frios, mas eram afiados. Nada escapava àquele homem.

- Você parece cansada - comentou.

- Foi uma noite difícil.

Ele assentiu lentamente, como se já soubesse.

- Imagino.

O silêncio se instalou entre eles. Não era constrangedor, mas pesado. Elara sentiu o estômago apertar. Tinha a estranha sensação de estar sendo avaliada, medida, colocada em uma balança invisível.

- Elara - começou Edric -, você cresceu nesta casa. Sempre foi tratada com respeito. Sempre honrou o nome que carrega, mesmo não sendo um Vireaux.

Ela engoliu em seco.

- Sou grata por tudo - respondeu, sincera.

- Eu sei. E justamente por isso, não posso fingir que não vejo o que acontece diante dos meus olhos.

Elara ergueu o olhar.

- O que o senhor quer dizer?

Edric apoiou as mãos sobre a mesa.

- Me refiro a Noah.

O nome dele ainda doía como uma ferida aberta.

- Não é necessário - disse ela, rapidamente. - O que quer que tenha acontecido... eu lido com isso.

- Não duvido - respondeu Edric. - Mas decisões tomadas por impulso nem sempre são as mais sábias. E Noah... - fez uma pausa breve - nunca foi cuidadoso com aquilo que não teme perder.

Elara permaneceu em silêncio.

- Você não pertence à margem desta família - continuou ele. - Nunca pertenceu. Apenas nunca percebeu isso.

Ela franziu a testa.

- Senhor, eu não entendo.

Edric se levantou. Caminhou até a janela, observando os jardins ainda cobertos pelo orvalho da manhã.

- Quando minha esposa morreu, prometi a mim mesmo que não permitiria que injustiças silenciosas se perpetuassem dentro desta casa. Você cresceu aqui. Foi moldada por este ambiente. Carrega o peso e a elegância do nome Vireaux mais do que alguns que nasceram com ele.

Ele se virou para ela.

- Por isso, farei algo que ninguém espera.

O coração de Elara começou a bater mais rápido.

- Quando completar dezoito anos - disse Edric, com firmeza -, você terá o direito de escolher com qual dos meus seis filhos deseja se casar.

O mundo pareceu parar.

- O quê? - sussurrou ela, incrédula.

- Não é uma brincadeira - afirmou ele. - Será um casamento legítimo, público, com todos os direitos que isso implica. Você deixará de ser apenas a jovem acolhida pela família. Tornar-se-á uma Vireaux.

Elara sentiu o chão desaparecer sob seus pés.

- Eu... eu não posso - balbuciou. - Isso é... é impossível.

- Nada que envolve poder e estratégia é impossível - respondeu Edric. - E este casamento será tanto uma escolha sua quanto uma aliança que beneficiará a família.

Ela se levantou, nervosa.

- Todos esperariam que eu escolhesse Noah.

- Exatamente - disse Edric, com um leve arquejar de sobrancelha. - E é por isso que essa escolha precisa ser sua, não deles.

Elara respirava rápido demais.

- O senhor está me pedindo para decidir o meu futuro dessa forma?

- Estou lhe oferecendo algo que poucas mulheres teriam coragem de recusar - respondeu ele. - Um lugar definitivo. Uma voz. Um destino.

Ela fechou os olhos por um instante.

Noah.

As palavras dele ecoaram com crueldade.

Diversão passageira.

Quando voltou a abrir os olhos, algo havia se endurecido dentro dela.

- Eu não darei uma resposta agora - disse, com firmeza contida. - Preciso pensar.

Edric assentiu.

- Claro. O tempo é seu. Mas saiba de uma coisa, Elara: esta proposta não é apenas sobre casamento. É sobre quem você decide ser a partir de agora.

Ela saiu da sala sentindo o corpo trêmulo.

No corredor, vozes vinham da escada principal. Risadas masculinas. Noah descia acompanhado de dois irmãos, despreocupado, bonito, intacto. Ele a viu. Sorriu.

- Bom dia, Elara.

Ela o encarou por um segundo que pareceu longo demais.

- Bom dia - respondeu, fria.

Passou por ele sem diminuir o passo.

Noah franziu a testa, confuso.

Do outro lado do salão, Lucien observava tudo em silêncio.

Seus olhos encontraram os dela por um breve instante. Não havia curiosidade ali. Havia atenção. Como se ele soubesse que algo havia sido colocado em movimento.

Elara subiu as escadas com o coração em guerra.

Ela ainda não sabia qual seria sua escolha.

Mas tinha certeza de uma coisa.

Nunca mais seria apenas uma distração.

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