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Prometida a Um, Entregue a Outro
img img Prometida a Um, Entregue a Outro img Capítulo 4 SOB OS OLHARES DE VALENOR
4 Capítulo
Capítulo 6 QUANDO O OLHAR MUDA img
Capítulo 7 O PRAZO img
Capítulo 8 O PRIMEIRO DIA img
Capítulo 9 QUANDO O PASSADO GRITA img
Capítulo 10 QUANDO NÃO HÁ MAIS VOLTA img
Capítulo 11 AS CONSEQUÊNCIAS DO SILÊNCIO img
Capítulo 12 SOB O JULGAMENTO DE TODOS img
Capítulo 13 A ÚLTIMA TENTATIVA img
Capítulo 14 A VOZ QUE ESCOLHE img
Capítulo 15 DIANTE DE TODOS img
Capítulo 16 O QUE ACONTECE QUANDO AS PORTAS SE FECHAM img
Capítulo 17 QUANDO O CONTROLE CEDE img
Capítulo 18 DEPOIS DO FOGO img
Capítulo 19 O PREÇO DA ESCOLHA img
Capítulo 20 SOB FOGO CRUZADO img
Capítulo 21 O QUE O MUNDO VÊ img
Capítulo 22 ENTRE PROMESSAS E PELE img
Capítulo 23 ENTRE SEDAS E SEGREDOS img
Capítulo 24 QUANDO O PASSADO É USADO COMO ARMA img
Capítulo 25 O ROSTO POR TRÁS DO JOGO img
Capítulo 26 QUEM ACREDITA QUE VENCEU img
Capítulo 27 QUANDO AS MÁSCARAS CAEM img
Capítulo 28 A CALMARIA QUE ENGANA img
Capítulo 29 A SEMANA EM QUE TUDO É TESTADO img
Capítulo 30 ANTES DO SIM img
Capítulo 31 A NOITE ANTES img
Capítulo 32 O DIA DO SIM img
Capítulo 33 QUANDO O MUNDO FICA DO LADO DE FORA img
Capítulo 34 ONDE O SILÊNCIO RESPIRA img
Capítulo 35 O RETORNO AO JOGO img
Capítulo 36 O ERRO QUE NÃO PODE SER DESFEITO img
Capítulo 37 O VOTO E A FENDA img
Capítulo 38 A RETALIAÇÃO img
Capítulo 39 QUANDO O PODER TENTA SE IMPOR img
Capítulo 40 O NOME POR TRÁS DO DINHEIRO img
Capítulo 41 A ESCOLHA QUE QUEBRA O TABULEIRO img
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Capítulo 4 SOB OS OLHARES DE VALENOR

Os rumores não batiam à porta.

Eles atravessavam corredores.

Elara percebeu no instante em que entrou no salão de chá naquela manhã. As conversas diminuíram de volume. Os olhares se levantaram rápido demais. Alguns curiosos. Outros avaliadores. Nenhum inocente.

Ela não precisava ouvir para saber.

Valenor já comentava.

A notícia ainda não fora anunciada oficialmente, mas a elite da cidade tinha um talento quase cruel para farejar movimentos de poder. Uma jovem criada dentro da família Vireaux. Uma proposta incomum. Um casamento possível. Era o suficiente para alimentar especulações.

Elara manteve a postura.

Caminhou até a mesa próxima à janela, sentou-se e pediu chá como se nada estivesse fora do lugar. Por dentro, o estômago se revirava. Ela nunca gostara de ser observada. Sempre preferira existir nas margens, onde o silêncio oferecia abrigo.

Agora, não havia mais margem.

- Estão todos olhando para você.

A voz veio calma, baixa.

Lucien sentou-se à frente dela sem pedir permissão.

- Eu percebi - respondeu Elara, mantendo o olhar na xícara.

- Vai se acostumar - disse ele. - Ou vai aprender a ignorar. Ambas funcionam.

Ela soltou um leve suspiro.

- Nunca quis isso.

- Poder raramente nasce do desejo - respondeu Lucien. - Ele surge quando alguém percebe que pode escolher.

Ela ergueu os olhos.

- E o senhor? Sempre quis poder?

Lucien sustentou o olhar por um instante.

- Eu quis controle. O poder veio como consequência.

Houve uma pausa curta. Densa.

- Noah não lida bem com isso - acrescentou ele.

- Com o quê? - perguntou ela.

- Com o fato de não ser mais o centro da sua atenção.

Elara sentiu um aperto breve no peito. Não de culpa. De constatação.

- Isso não é problema meu - disse, com firmeza contida.

Lucien inclinou levemente a cabeça, aprovando.

- Exatamente.

Naquela mesma tarde, Elara foi convidada para um evento que não estava em sua agenda: um coquetel beneficente promovido por uma das famílias mais influentes de Valenor. O convite veio acompanhado de um bilhete elegante, escrito à mão.

Sua presença será muito apreciada.

Ela leu aquilo como o que realmente era.

Um teste.

Vestiu-se com cuidado. Não para impressionar, mas para se proteger. Um vestido em tom vinho, simples, bem cortado. Os cabelos presos de forma elegante. Nenhuma joia excessiva.

Quando desceu as escadas, encontrou Noah no saguão.

Ele a observou dos pés à cabeça, surpreso.

- Você está... diferente - disse ele.

- As pessoas mudam - respondeu Elara, ajustando a bolsa no ombro.

- Desde quando? - insistiu ele, dando um passo à frente.

- Desde que aprendem - respondeu, passando por ele.

Noah fechou o maxilar.

- Você está fazendo isso para me provocar?

Ela parou.

Virou-se devagar.

- Não - disse, com calma absoluta. - Estou fazendo isso para sobreviver.

Ele ficou sem resposta.

No evento, Elara sentiu o peso do nome Vireaux mais do que nunca. Pessoas se aproximavam com sorrisos calculados, perguntas disfarçadas, elogios vazios. Cada palavra parecia medir o quanto ela valia naquele novo tabuleiro.

Foi Lucien quem permaneceu por perto. Não colado. Não invasivo. Apenas presente.

Sempre a um passo de distância.

Sempre atento.

Quando alguém ultrapassava o limite, era o olhar dele que intervinha antes das palavras.

E isso não passou despercebido.

- Vocês formam um belo casal - comentou uma senhora de cabelos prateados, sorrindo de forma sugestiva.

Elara sentiu o rosto aquecer.

- Não somos um casal - respondeu, educada.

Lucien, ao seu lado, apenas disse:

- Ainda não.

Ela o encarou, surpresa.

Ele manteve a expressão neutra.

Mais tarde, já perto do fim do evento, Elara se afastou para o jardim externo, precisando de ar. A noite estava fria, silenciosa. As luzes refletiam no mármore como pequenos fragmentos dourados.

- Está fugindo de novo?

Ela se virou.

Noah.

- Não estou fugindo - respondeu. - Só escolhendo onde quero estar.

- Desde quando Lucien se tornou seu guardião? - perguntou ele, com um tom que beirava o ciúme.

- Desde quando você deixou de ser - respondeu ela, sem elevar a voz.

As palavras pairaram entre eles.

Noah deu um passo atrás, como se tivesse sido atingido.

- Você não é assim - disse ele. - Essa frieza não combina com você.

Elara respirou fundo.

- Não confunda frieza com dignidade.

Ela se afastou antes que ele pudesse responder.

Do outro lado do jardim, Lucien observava a cena. Não interveio. Não precisou. Havia algo em Elara que já não pedia proteção. Apenas respeito.

Naquela noite, ao voltar para a mansão, Elara entendeu algo com clareza dolorosa.

Valenor não a via mais como a garota acolhida.

Via como uma possibilidade.

E Lucien... começava a vê-la como uma escolha.

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