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Prometida a Um, Entregue a Outro
img img Prometida a Um, Entregue a Outro img Capítulo 3 SILÊNCIOS QUE OBSERVAM
3 Capítulo
Capítulo 6 QUANDO O OLHAR MUDA img
Capítulo 7 O PRAZO img
Capítulo 8 O PRIMEIRO DIA img
Capítulo 9 QUANDO O PASSADO GRITA img
Capítulo 10 QUANDO NÃO HÁ MAIS VOLTA img
Capítulo 11 AS CONSEQUÊNCIAS DO SILÊNCIO img
Capítulo 12 SOB O JULGAMENTO DE TODOS img
Capítulo 13 A ÚLTIMA TENTATIVA img
Capítulo 14 A VOZ QUE ESCOLHE img
Capítulo 15 DIANTE DE TODOS img
Capítulo 16 O QUE ACONTECE QUANDO AS PORTAS SE FECHAM img
Capítulo 17 QUANDO O CONTROLE CEDE img
Capítulo 18 DEPOIS DO FOGO img
Capítulo 19 O PREÇO DA ESCOLHA img
Capítulo 20 SOB FOGO CRUZADO img
Capítulo 21 O QUE O MUNDO VÊ img
Capítulo 22 ENTRE PROMESSAS E PELE img
Capítulo 23 ENTRE SEDAS E SEGREDOS img
Capítulo 24 QUANDO O PASSADO É USADO COMO ARMA img
Capítulo 25 O ROSTO POR TRÁS DO JOGO img
Capítulo 26 QUEM ACREDITA QUE VENCEU img
Capítulo 27 QUANDO AS MÁSCARAS CAEM img
Capítulo 28 A CALMARIA QUE ENGANA img
Capítulo 29 A SEMANA EM QUE TUDO É TESTADO img
Capítulo 30 ANTES DO SIM img
Capítulo 31 A NOITE ANTES img
Capítulo 32 O DIA DO SIM img
Capítulo 33 QUANDO O MUNDO FICA DO LADO DE FORA img
Capítulo 34 ONDE O SILÊNCIO RESPIRA img
Capítulo 35 O RETORNO AO JOGO img
Capítulo 36 O ERRO QUE NÃO PODE SER DESFEITO img
Capítulo 37 O VOTO E A FENDA img
Capítulo 38 A RETALIAÇÃO img
Capítulo 39 QUANDO O PODER TENTA SE IMPOR img
Capítulo 40 O NOME POR TRÁS DO DINHEIRO img
Capítulo 41 A ESCOLHA QUE QUEBRA O TABULEIRO img
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Capítulo 3 SILÊNCIOS QUE OBSERVAM

Os dias seguintes passaram como se Elara estivesse vivendo dentro de uma casa que não reconhecia mais. A mansão Vireaux continuava imponente, organizada, perfeita. Mas agora ela via rachaduras onde antes enxergava segurança.

Ela mudou sem anunciar.

Não foi algo visível de imediato. Não houve confronto, nem lágrimas públicas. Apenas uma distância nova, firme, que se instalou em seus gestos. Elara passou a acordar mais cedo, a ocupar menos espaço, a falar apenas o necessário. Observava mais do que respondia.

E isso incomodou.

Noah percebeu primeiro.

Ele tentou falar com ela no corredor, no jardim, durante o café. Sempre recebia respostas educadas, breves, quase formais. Nada do sorriso fácil. Nada do olhar que o seguia.

- Você está estranha - disse ele, certa tarde, enquanto caminhavam pelo jardim interno.

Elara parou.

- Estranha não - respondeu. - Apenas cansada de ser previsível.

Noah franziu a testa.

- Eu fiz alguma coisa?

Ela o encarou por um segundo longo demais.

- Fez - disse. - Mas não se preocupe. Já passou.

E seguiu em frente, deixando-o parado, confuso, com uma sensação incômoda que ele não sabia nomear.

Lucien, por outro lado, não perguntava.

Ele observava.

Do escritório envidraçado no segundo andar, via Elara atravessar os jardins com passos firmes, postura ereta, como alguém que havia decidido não se curvar mais. Havia algo novo nela. Algo que despertava sua atenção de forma silenciosa, quase perigosa.

Lucien sempre fora um homem de controle.

Controlava horários, decisões, emoções. Não permitia excessos. Não criava vínculos desnecessários. Sua vida era organizada como as planilhas que revisava diariamente. Previsível. Impecável.

Elara não fazia parte de seus cálculos.

Ou pelo menos não fazia.

Até aquela tarde.

Ela fora chamada ao escritório do patriarca novamente. Edric desejava esclarecer detalhes da proposta. Elara entrou com passos firmes, o que não passou despercebido.

Lucien estava lá.

Sentado à mesa lateral, revisando documentos. Ao erguer os olhos, encontrou os dela. Não houve sorriso. Apenas um reconhecimento silencioso.

- Sente-se, Elara - disse Edric. - Precisamos falar sobre prazos.

Ela obedeceu, tentando ignorar a presença de Lucien, mas sentia o olhar dele como um peso constante, atento, quase protetor.

- A escolha não será anunciada imediatamente - explicou Edric. - Quero que tenha tempo para amadurecer sua decisão. Mas saiba que todos saberão, em breve, que você tem esse direito.

Elara assentiu.

- Entendo.

- Os rumores já começaram - continuou ele. - E isso traz consequências. Você passará a ser observada. Avaliada.

Lucien fechou a pasta que tinha em mãos.

- Não permitirão que ela seja tratada como moeda de especulação - disse, com voz baixa, firme.

Edric ergueu uma sobrancelha.

- Está se oferecendo como guardião agora, Lucien?

- Estou afirmando um limite - respondeu ele. - Elara sempre foi respeitada nesta casa. Isso não muda.

Ela sentiu o coração bater mais rápido.

Não pelo tom possessivo. Mas pela naturalidade com que ele se posicionara.

Edric observou os dois por um instante e assentiu.

- Muito bem. Pode ir, Elara.

Ela se levantou.

- Obrigada, senhor.

Ao sair, sentiu passos atrás de si.

- Elara.

Ela se virou. Lucien estava parado a poucos metros, as mãos nos bolsos, o olhar sério.

- Precisa de algo? - perguntou ela.

- Apenas... um conselho - disse ele. - Não se deixe pressionar por expectativas alheias. A escolha é sua. E deve servir a você antes de qualquer outro.

Ela respirou fundo.

- O senhor não acha estranho me aconselhar sobre isso?

Lucien inclinou levemente a cabeça.

- Acho necessário.

Houve um silêncio breve. Denso.

- Obrigada - disse ela, por fim.

- Disponha.

Ele a observou se afastar, sentindo algo raro se formar em seu peito. Não era desejo. Não ainda. Era respeito. Interesse. Cuidado.

Naquela noite, Elara permaneceu acordada, sentada à beira da cama.

Pensou em Noah. Na leveza que sempre a atraíra. No riso fácil. Na imprudência.

Pensou em Lucien. No silêncio firme. Na presença constante. No modo como ele parecia enxergar além do que ela mostrava.

Ela ainda não sabia qual seria sua escolha.

Mas considerava que talvez o amor não fosse barulho.

Talvez fosse permanência.

E, em algum ponto da mansão, Lucien também não dormia.

Porque, sem perceber, aquela escolha que não era sua começava a importar demais.

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