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Cordas Quebradas: A Saída da Esposa da Máfia
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Capítulo 3

Entrei furiosa na sala de estar onde a tia de Dante, a formidável Matriarca da família Moretti, tomava chá em uma delicada xícara de porcelana.

"Onde está?", exigi.

Ela ergueu os olhos, sua expressão de um tédio indiferente.

"Abaixe a voz, Gianna. Você está sendo histérica."

"Meu violoncelo", eu disse, minhas mãos tremendo ao lado do corpo. "Sumiu do meu quarto. Quem o pegou?"

"Talvez as empregadas o tenham movido para a limpeza", disse ela com desdém, voltando sua atenção para a xícara.

"Ninguém toca naquele instrumento além de mim", retruquei. "Onde está Dante?"

"Ele está com Sofia", disse ela. "Ela está muito abalada."

Claro que estava.

Virei nos calcanhares e marchei pelo corredor até a Ala Leste. O domínio de Sofia.

Os guardas na porta deram um passo à frente para me parar.

"Saiam da frente", ordenei, canalizando cada grama de autoridade que meu pai, o Don do Rio de Janeiro, havia me ensinado. "Ou farei meu irmão queimar este corredor com vocês dentro."

Eles trocaram um olhar nervoso, hesitando apenas o suficiente.

Passei por eles e abri as portas duplas.

Sofia estava na cama, apoiada em uma montanha de travesseiros. Parecia uma heroína trágica de uma ópera ruim, pálida e frágil.

Mas Dante não estava sentado na cadeira ao lado da cama.

Ele estava saindo do banheiro da suíte, abotoando os punhos. Seu cabelo estava molhado, mais escuro que o normal contra sua pele.

Ele havia tomado banho aqui. No quarto dela.

A implicação me atingiu como um golpe físico.

"O que você está fazendo aqui?", Dante perguntou, sua voz cansada e irritada.

"Meu violoncelo sumiu", eu disse, minha voz trêmula. "E acho que ela está com ele."

Apontei um dedo trêmulo para Sofia.

Os olhos de Sofia se arregalaram, fingindo inocência. "Não sei do que você está falando, Gianna. Por que eu iria querer seu violoncelo? Eu nem toco."

"Você pega tudo o que me pertence", eu disse, veneno cobrindo minhas palavras. "Por que parar agora?"

"Chega", Dante retrucou. "Você está sendo paranoica."

"Estou?"

Caminhei até o grande closet no canto do quarto.

"Gianna, pare", Dante avisou, dando um passo à frente.

Abri as portas do closet.

Fileiras de vestidos de grife. Sapatos. Bolsas. O cheiro de perfume caro flutuou para fora.

E lá, enfiado no fundo, atrás de uma pilha de caixas de chapéu, estava o estojo.

Meu estojo.

Arfei e o puxei para fora. Era pesado. Abri as travas com os dedos trêmulos.

Quando levantei a tampa, um grito rasgou minha garganta.

A madeira rica e escura do violoncelo estava arranhada. Cortes profundos e feios marcavam o verniz. O cavalete estava partido ao meio.

Parecia que alguém tinha pegado uma chave e esculpido ódio na madeira.

"Sua vadia", sussurrei.

Virei-me. Sofia estava me observando, um pequeno sorriso triunfante brincando em seus lábios que só eu podia ver.

Eu não pensei. Não calculei.

Atravessei o quarto e dei um tapa nela.

O som foi como um tiro no silêncio.

A cabeça de Sofia virou para o lado. Ela soltou um grito agudo.

Dante se moveu mais rápido do que eu pude acompanhar.

Ele agarrou meu pulso, torcendo-o dolorosamente atrás das minhas costas. Ele me empurrou para longe da cama com força brutal.

"Nunca mais toque nela", ele rugiu. Seus olhos eram poços negros de fúria.

"Ela o destruiu!", gritei, apontando para o violoncelo. "Olhe para ele, Dante! Era da minha mãe!"

Dante olhou para o instrumento arruinado. Ele olhou de volta para Sofia, que segurava a bochecha, lágrimas escorrendo por seu rosto.

"É só madeira, Gianna", disse ele friamente. "É lixo. Você pode comprar outro."

Eu o encarei.

Só madeira.

"Não é só madeira", eu disse, minha voz quebrando. "É a minha voz. E ela a quebrou."

"Ela não fez isso", disse Dante, sua negação absoluta. "Ela esteve na cama o dia todo."

"Ela está mentindo!"

"Vou ordenar uma investigação interna", disse Dante, seu tom final. "Agora saia. Antes que eu esqueça que você é uma Vitiello e te trate como o soldado que você está agindo como."

Ele me deu as costas. Sentou-se na beira da cama e tocou suavemente a bochecha vermelha de Sofia.

"Me desculpe", ele sussurrou para ela.

Ele estava se desculpando com o monstro.

Agarrei a alça do meu estojo de violoncelo quebrado e o arrastei para fora do quarto.

As rodinhas estalavam no chão de mármore.

Clic. Clic. Clic.

Como a contagem regressiva de uma bomba.

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