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Enfermeira Fugitiva: O Remorso do Rei da Máfia
img img Enfermeira Fugitiva: O Remorso do Rei da Máfia img Capítulo 8
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Capítulo 8

Eu voltei por um único motivo: meu passaporte.

Estava trancado no cofre da Propriedade, guardado no pequeno e modesto quarto que eu costumava ocupar perto da cozinha.

Eu presumi que a casa estaria vazia a essa hora.

Eu estava errada.

Entrei pela entrada lateral, sacudindo a chuva pesada do meu casaco, tremendo enquanto o frio úmido se agarrava à minha pele.

Risadas flutuavam pelo corredor, leves e despreocupadas.

Vinha da sala de música.

Eu deveria ter dado meia-volta naquele momento.

Mas meus pés se moveram por conta própria, atraídos por uma força que eu não conseguia resistir.

Caminhei até as portas duplas abertas e congelei.

Dante estava sentado ao piano de cauda, sua postura rígida, mas elegante.

Ele estava tocando *Liebestraum*. Um sonho de amor.

Era a música que ele havia escrito quando estava cego, composta na escuridão que uma vez o consumiu.

Ele costumava tocá-la para mim às 3:00 da manhã, nas horas silenciosas em que a dor em seus olhos se tornava insuportável.

Ele me disse, uma vez, que a melodia era o próprio som da minha voz.

Agora, ele a estava tocando para ela.

Sofia sentou-se no banco ao lado dele, perto demais.

Ela encostou a cabeça no ombro dele, seus dedos passando divertidamente sobre as teclas, fingindo tocar junto em uma zombaria de intimidade.

Ela olhou para cima, seu olhar pousando em mim, parada na porta.

Seus olhos se iluminaram com pura malícia.

"Oh, olhe, Dante", ela arrulhou, sua voz pingando de falsa doçura. "A criada voltou."

As mãos de Dante vacilaram nas teclas.

A música morreu abruptamente.

Ele se virou.

Seus olhos encontraram os meus do outro lado da sala.

"Elena", disse ele, sua voz baixa e cautelosa. "O que você está fazendo aqui?"

"Pegando minhas coisas", respondi.

Minha voz soou oca, como o vento assobiando por uma casa abandonada.

"Não seja rude, Dante", Sofia repreendeu levemente, colocando uma mão possessiva em seu peito. "Toque o resto. Eu amo essa música. Você a escreveu para mim, não foi?"

Dante olhou para mim.

Ele sabia.

Ele sabia que eu sabia.

Mas ele não a corrigiu.

"Sim", disse ele, seus olhos escuros nunca deixando os meus, frios e inflexíveis. "Eu a escrevi para você, Sofia."

Algo dentro de mim se partiu.

Um último e vital cordão se rompeu.

Sofia sorriu, vitoriosa.

Ela se inclinou.

Ela pressionou seus lábios nos dele.

Não foi um selinho rápido; foi uma reivindicação de propriedade.

Dante não a empurrou.

Ele não recuou.

Ele simplesmente fechou os olhos e a deixou beijá-lo.

Fiquei ali e os observei.

Observei o homem que eu havia banhado, o homem que eu havia alimentado, o homem que eu havia salvado da beira do desespero, beijar a mulher que o havia deixado para apodrecer.

Eu não gritei.

Eu simplesmente me virei.

Saí pela porta da frente.

Estava chovendo forte agora, a chuva se transformando em uma tempestade.

Não corri para me abrigar.

Caminhei direto para o dilúvio.

A água se misturou com as lágrimas no meu rosto, tornando-as indistinguíveis.

Eu estava livre.

Eu não tinha mais nada a perder, porque ele acabara de levar a última coisa que eu realmente possuía.

Minhas memórias.

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