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O Casamento Que Nunca Aconteceu
img img O Casamento Que Nunca Aconteceu img Capítulo 4 A Versão Que Eles Escolheram Acreditar
4 Capítulo
Capítulo 6 Um Encontro Sem Promessas img
Capítulo 7 Quando Ela Disse Não img
Capítulo 8 Pequenas Decisões img
Capítulo 9 O Dia Em Que Ela Quase Voltou img
Capítulo 10 Quando Não Havia Como Evitar img
Capítulo 11 Quando Lívia Perdeu o Ritmo img
Capítulo 12 Onde Ele Já Não Cabia img
Capítulo 13 O Que Mudou Entre Um Olhar e Outro img
Capítulo 14 O Silêncio Que Ficou img
Capítulo 15 O Apoio Que Não Pediu Permissão img
Capítulo 16 O Lugar Onde Ela Abaixou a Guarda img
Capítulo 17 Quando Ela Sentiu a Ameaça img
Capítulo 18 O Lugar Onde Ele Começou a Cair img
Capítulo 19 Onde o Corpo Falou Antes da Razão img
Capítulo 20 O Calor Que Eles Fingiram Não Sentir img
Capítulo 21 O Que Quase Aconteceu img
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Capítulo 4 A Versão Que Eles Escolheram Acreditar

Helena descobriu pela internet.

Não por Caio.

Não por alguém próximo.

Mas por uma notificação que apareceu no celular enquanto ela tentava, inutilmente, tomar café da manhã.

Uma foto.

Não era recente o suficiente para parecer invasiva, nem distante o bastante para ser irrelevante. Caio estava sentado em uma cadeira de hospital, o corpo inclinado para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos. O rosto cansado, os olhos baixos. A mão dele segurava outra mão - frágil, pálida, feminina.

Lívia Dornelles.

A legenda vinha logo abaixo, escrita com cuidado:

Algumas pessoas não entendem que o amor também é cuidado. Que, às vezes, escolher ficar é mais importante do que cumprir promessas.

Helena sentiu o estômago revirar.

Não havia nomes.

Não havia acusações diretas.

Mas havia uma mensagem clara demais para ser ignorada.

Os comentários se multiplicavam.

Que homem incrível.

Isso é amor de verdade.

Promessas podem esperar, vidas não.

Ela teve sorte de ter alguém assim.

Sorte.

Helena fechou o aplicativo, mas era tarde. Outras notificações surgiram, como se o mundo tivesse decidido falar tudo de uma vez.

Uma conhecida marcou Helena em um comentário sem perceber.

Difícil julgar, né? No lugar dele, qualquer um faria o mesmo.

Qualquer um.

Ela largou o celular sobre a mesa e apoiou as mãos ali, sentindo o corpo inteiro vibrar com algo que não era mais choro.

Era indignação.

Naquela mesma manhã, uma matéria discreta apareceu em um site local.

"Noivo abandona casamento para cuidar de ex-namorada em estado grave."

O texto era curto. Objetivo. Quase respeitoso.

Dizia que Caio Montenegro havia tomado uma "decisão difícil".

Que Lívia Dornelles enfrentava uma condição delicada.

Que o amor verdadeiro, às vezes, exigia sacrifícios.

Helena não era mencionada pelo nome.

Ela era apenas "a noiva".

Um detalhe inconveniente.

- Você viu isso? - perguntou a mãe, entrando na sala com o tablet nas mãos.

Helena assentiu.

- Estão tratando como se fosse um ato heroico - continuou. - Como se você fosse... um dano colateral aceitável.

Helena respirou fundo.

- Porque é assim que ela quer - respondeu, com calma. - Lívia não precisa me atacar. Basta parecer frágil.

Como se tivesse sido invocada, o celular vibrou novamente.

Uma nova postagem.

Dessa vez, no perfil pessoal de Lívia.

Uma foto dela sozinha, deitada na cama do hospital. O rosto sem maquiagem, os olhos grandes demais no rosto magro. Um soro preso ao braço.

A legenda dizia:

Não escolhi ficar doente. Também não escolhi que alguém abrisse mão de algo importante por mim. Mas sou grata. E espero que, um dia, todas as feridas possam cicatrizar.

Nenhuma menção a Helena.

Mas o recado estava ali.

Ela era a ferida.

Os comentários vieram como uma avalanche.

Você é um anjo.

Força, guerreira.

Que Deus conforte todos os envolvidos.

Algumas pessoas precisam aprender a ser menos egoístas.

Egoísta.

Helena sentiu o peso daquela palavra se instalar no peito.

Ela, que havia esperado.

Ela, que havia sido deixada sozinha diante de um altar.

Agora precisava carregar a culpa de não "entender".

- Ele não disse nada? - perguntou o pai, entrando na conversa.

- Não - respondeu Helena. - E não vai dizer.

Porque Caio Montenegro não precisava falar.

Lívia falava por ele.

Cada postagem, cada palavra cuidadosamente escolhida, cada silêncio estratégico construía uma versão dos fatos em que Helena era fria, insensível, incapaz de compreender o amor em sua forma mais nobre.

- Ela está ganhando isso - murmurou a mãe. - As pessoas acreditaram.

Helena assentiu lentamente.

- Não porque seja verdade - disse. - Mas porque é mais confortável.

Era mais fácil admirar um homem que "sacrificou tudo".

Mais fácil acolher uma mulher "doente e grata".

Do que encarar a crueldade de um abandono.

Helena pegou o celular pela última vez naquele dia e bloqueou as notificações.

Não responderia.

Não se explicaria.

Não imploraria por compreensão.

Mas, enquanto se afastava da janela e do mundo que escolhia acreditar em outra versão, ela fez uma promessa silenciosa a si mesma:

Lívia Dornelles podia controlar a narrativa por enquanto.

Mas o tempo tinha uma forma curiosa de revelar quem realmente escolhe...

e quem apenas se aproveita de ser escolhido.

E Helena Avelar não seria a vilã da própria história.

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