Ela acenou com um sorriso. "Oi, Hugh."
O senhor segurou o guidão da moto dela, ansioso para conversar. "Você sumiu por quase três semanas. Os remédios que você receitou para minha esposa estão quase acabando. Ah, e você sabe - os comprimidos que os especialistas me deram não fazem efeito algum para meu enfisema. Talvez sua receita seria melhor."
Stephanie assentiu, tranquilizando-o. "Já atualizei seu plano de tratamento, então não se preocupe com isso."
Todos que moravam lá sabiam que, apesar de ser jovem, o conhecimento médico de Stephanie era incomparável - ela era capaz de curar doenças que nem os médicos do melhor hospital da cidade conseguiam resolver.
No entanto, esse não era um bairro qualquer, onde a maioria dos moradores carregava passados interessantes.
Hugh, por exemplo, já havia sido um oficial de alto escalão do exército.
Após estacionar sua moto, Stephanie disse por cima do ombro: "Vou atender os pacientes esta noite."
Assim que ela chegou à porta de seu apartamento, uma voz feminina suave a cumprimentou: "Bem-vinda ao lar."
Seu lugar era uma maravilha de design contemporâneo - elegante, tecnológico - fruto dos 20 milhões que ela despejara para deixá-lo exatamente como queria, obra-prima da qual se orgulhava de verdade.
Depois de um banho rápido, Stephanie estava prestes a pegar o celular para jogar um joguinho quando ele começou a tocar.
Sem nem verificar o identificador de chamadas, ela atendeu.
"Soube que você finalmente cortou os laços com os Claytons. Recebemos dois pedidos enormes. Devemos aceitá-los?", perguntou Milly Wheeler do outro lado da linha, seu braço direito e assistente de confiança.
Stephanie pegou uma lata de refrigerante gelada na geladeira, abriu e murmurou: "Certo, pode falar."
"Primeiro, a família Walsh, a mais rica do país, acabou de oferecer uma recompensa de 20 milhões para encontrar sua neta, que está desaparecida há anos. Eles alegam que ela está em algum lugar de Krarville. Sinceramente, é dinheiro fácil. Não é algo que mudará nossas vidas, mas manteria nossa base funcionando por um mês."
Um sorriso entediado surgiu nos lábios de Stephanie. "Passe. Não estou interessada. O que mais tem aí?"
Milly pareceu mais entusiasmada. "Você vai querer este - já ouviu falar do lendário Waylon Elliott, não é? Ele está oferecendo 30 milhões se você, como a lendária doutora Clayton, assumir um caso. Ele quer a melhor mente médica, e essa é você."
Os olhos de Stephanie se iluminaram. "Agora me interessei. Me conte os detalhes."
"Ele é um dos principais nomes de Krarville e foi visto recentemente com o traficante de armas Rory Sawyer."
Essa informação deixou Stephanie pensativa. "Então é por isso que o Rory tem me rondado esse tempo todo. Não vou deixar que o mercado de armas do nosso país caia nas mãos de outra pessoa. Preciso encontrar Waylon pessoalmente."
"Sem dúvida! Essa é uma grande oportunidade. Mas fique atenta - ele está reunindo todos os tipos de médicos de alto nível no Hotel Pearl para uma consulta conjunta."
A curiosidade brilhou nos olhos de Stephanie. "Por que tantos médicos? Qual é o problema do paciente?"
"Os detalhes são mantidos a sete chaves, mas há rumores de que alguém próximo a Waylon está gravemente doente. Deve ser algo sério para ele ter ido tão longe."
Stephanie tomou um longo gole, saboreando o refrigerante gelado. "Tô dentro. Coloque na minha agenda."
Quanto mais difícil o caso, mais despertava a curiosidade de Stephanie, que adorava um bom desafio e, acima de tudo, precisava encontrar Waylon para reaver seu negócio de armas. ...
No dia seguinte, Stephanie saiu de casa bem cedo em sua scooter.
Quase uma hora depois, chegou ao Hotel Pearl, o lugar mais caro de Krarville.
Carros de luxo enfileiravam-se na entrada, desfilando riqueza e prestígio, enquanto a scooter de Stephanie parecia deslocada entre sedans polidos e SUVs reluzentes.
Dentro do hotel, a equipe agitava-se sob o comando da segurança dos Elliott para receber médicos renomados, socialites e políticos ansiosos pelo favor de Waylon.
Assim que ela encontrou uma vaga, o gerente do saguão se aproximou, com a irritação estampada no rosto. "Ei! Quem você pensa que é para aparecer num lugar como este? Suma daqui!"
Stephanie mantinha a calma, se equilibrando com um pé na calçada. "Sou médica e vim para uma consulta."
"Você? Não me faça rir!" O gerente caiu na gargalhada, apontando para ela com descrença. "Você mal parece ter idade para votar. É impossível que seja médica."
Virando-se em direção à entrada, ele gritou para a equipe de segurança: "Vocês dois, escoltem essa caipira e sua scooter para fora daqui agora mesmo!"