Patricia não se intimidou e elevou a voz, dizendo: "Raegan desapareceu agora há pouco. Você deve ter algo a ver com isso, não é? Se tem amor à vida, vá embora agora antes que o senhor Elliott perca a paciência!"
Por fim, Stephanie se virou para ela, com a voz calma, mas firme: "Não vou a lugar nenhum. A situação da menina é grave. Fui eu que a salvei de uma morte certa e preciso falar diretamente com a família dela."
Patricia revirou os olhos, pois achava quase cômico que essa jovem tão discreta pudesse ter feito o que os melhores médicos não conseguiram.
Apesar de Waylon ter trazido especialistas de todos os lugares, Raegan nunca melhorou. Sendo assim, ela não via razão para considerar que Stephanie pudesse realmente fazer o que eles não foram capazes.
"Saia daqui agora e nem pense em tentar se aproveitar da família Elliott. Se ainda estiver aqui quando o senhor Elliott aparecer, você vai se arrepender."
Stephanie bufou, embora a preocupação com Raegan persistisse, então respondeu, firme e inabalável: "Tudo bem, vou embora se você insiste. Mas se a saúde da Raegan piorar porque você não quis me ouvir, ninguém poderá consertar isso, nem mesmo um milagre."
A paciência de Patricia se esgotou, e ela apontou o dedo para Stephanie. "Quem você pensa que é para falar assim? Está tentando agourar a Raegan? Alguém tire ela daqui, agora!"
Ao sinal do grito, um grupo de seguranças - todos de terno preto impecável, expressões vazias e passos pesados - convergiu sobre Stephanie para intimidá-la.
A jovem se viu cercada pelos seguranças, cada um deles alto e esbanjando a confiança de anos de treinamento. No entanto, seus olhares severos não a abalaram.
Ela apenas os mediu calmamente, certa de que nenhuma quantidade de músculos faria diferença, pois seu foco estava concentrado no estado frágil de Raegan - ninguém mais ali entendia o que precisava ser feito.
Stephanie fitou os seguranças com desdém e, antes que pudessem erguer as mãos, moveu-se num estalo de rapidez e precisão: num piscar de olhos, todos jaziam no chão, gemendo e apertando membros doloridos.
Patricia só pôde ficar boquiaberta com a cena, sua incredulidade evidente. Mesmo depois de ver Stephanie derrubar um punhado de homens treinados com pouco esforço, ela custou a processar o que tinha acontecido.
"Você... você..."
Sem dizer uma palavra, Stephanie pegou um caderno e uma caneta da mochila, rabiscou uma lista cuidadosa, arrancou a página e a entregou a Patricia. "Se quiser que a Raegan fique estável, siga este tratamento por enquanto."
Ainda atordoada, a governanta pegou o papel com a mão trêmula, incapaz de dizer mais nada.
Sem perder mais um segundo, Stephanie passou por ela, afastou-se com uma confiança silenciosa e foi em direção ao elevador.
Nesse momento, outro elevador se abriu do outro lado do corredor, e um homem apareceu, segurando Raegan gentilmente pela mão enquanto saíam - era ninguém menos que o próprio Waylon Elliott.
Um terno feito sob medida lhe caía perfeitamente, a postura esguia e ereta irradiava autoridade silenciosa, e os olhos penetrantes sob traços bem definidos tornavam-no impossível de ignorar.
Quando ele ergueu a mão, as abotoaduras de diamante em seu pulso brilharam com a luz.
Estreitando o olhar, ele seguiu a direção para onde Raegan olhava e perguntou: "Foi aquela pessoa que te ajudou?"
Quando a menina virou a cabeça, as portas do elevador já tinham se fechado.
Stephanie estava lá segundos atrás, mas desapareceu sem deixar vestígios.
Na hora, Raegan soube quem era a responsável.
Virando-se bruscamente, ela fuzilou Patricia com o olhar e gritou: "Você a mandou embora?"
O pânico tomou conta de Patricia assim que viu a expressão no rosto de Raegan, que mesmo com a saúde debilitada, era muito perspicaz.
O gênio da menina era legendário na casa, a ponto de os funcionários aprenderem a pisar em ovos ao seu redor, e só o irmão e a avó conseguiam acalmá-la.
Atrapalhada, Patricia tentou se explicar: "Ela... ela parecia tão comum. Achei que estava aqui para enganar sua família e tirar dinheiro, então eu..."
A raiva tomou o rosto de Raegan enquanto ela a interrompia: "E quem te deu o direito de decidir que ela não podia me ajudar? Enquanto você estava ocupada bajulando convidados importantes, eu desmaiei do lado de fora do hotel, sem ninguém por perto. Se ela não tivesse aparecido, eu nem estaria aqui agora."
"Foi isso que aconteceu?" A voz de Waylon era gélida enquanto ele cravava em Patricia um olhar penetrante.
A governanta se encolheu sob o olhar dele, traída pelo nervosismo. Por um longo momento, não conseguiu pronunciar uma única palavra.
Sem esperar por uma resposta, a ordem de Waylon foi ríspida e final: "Levem-na."
"Sim, senhor." Dois seguranças agarraram Patricia pelos braços e, sem deixar que os protestos ganhassem voz, arrastaram-na pelo corredor até desaparecer de vista.
Raegan se virou, a urgência arregalando seus olhos. "Waylon, por favor. Você tem que me ajudar a encontrá-la!"
"Não se preocupe." A voz de Waylon se abrandou ao ver o desespero da irmãzinha, tornando-se gentil apenas para ela. "Vou garantir que a encontremos."
Essa promessa trouxe alívio ao rosto de Raegan, que assentiu, esperançosa.
Nesse instante, um homem se aproximou apressado e entregou um pedaço de papel a Waylon. "Senhor, encontramos isto. A mulher que salvou sua irmã deixou para trás."
Waylon estudou a caligrafia elegante e a lista de instruções cuidadosamente escritas, e o respeito brilhou em seus olhos ao observar as notas médicas claras e detalhadas.
Quem quer que fosse essa mulher, sua competência era inquestionável.
Uma esperança brotou em seu peito - se conseguisse localizá-la, haveria uma chance real de salvar sua irmã.