Os seguranças apenas deram de ombros, sem se deixarem impressionar. "Doutora Clayton? Nunca ouvimos falar. Circulando, e pare de bloquear a entrada."
Com um suspiro suave, Stephanie balançou a cabeça, pois não importava o quanto ela tivesse avançado, sempre havia pessoas dispostas a julgá-la à primeira vista.
Antes que ela pudesse tentar novamente, uma voz familiar interrompeu a confusão: "Stephanie? O que está fazendo aqui? Não deveria estar voltando para o interior?"
Ao se virar, Stephanie se deparou com Aimee, que a olhava com um sorriso de desdém nos lábios. "Lugares como este não são para gente como você."
Ela havia acabado de iniciar seus estudos em pintura a óleo na Universidade de Veridia e tinha ido ao hotel na esperança de conhecer o famoso pintor Carl Russell. Encontrar Stephanie lá era a última coisa que ela esperava.
Como hoje o saguão estava repleto de pessoas conhecidas, Aimee sentiu o rosto queimar só de pensar que alguém poderia associá-la a Stephanie, cujas roupas simples e jeito desajeitado destoavam da multidão glamourosa.
Desesperada para salvar as aparências, ela tentou afastar Stephanie, que mal olhou para ela, já se virando para ir embora.
Na verdade, ela não estava muito interessada na consulta de Waylon desde o início, por isso, não tinha nenhum problema em ir embora.
De repente, gritos surgiram perto da entrada do hotel. "Socorro! Tem algum médico aqui? Alguém acabou de desmaiar!"
Rapidamente, uma multidão se formou em volta da confusão.
"Olhem para os lábios dela. Estão ficando azuis e seu rosto está tão pálido. Ela não para de tremer. Será que ela vai morrer?"
"Ela está encharcada de suor - a camisa dela está toda molhada..."
Sem hesitar, Stephanie subiu na sua scooter e acelerou em direção à confusão.
"Stephanie, para onde está indo?", Aimee gritou, correndo para alcançá-la.
Quando Stephanie chegou ao local, o que viu a fez parar: uma garota estava deitada no chão, com um lado do corpo visivelmente maior que o outro, suas feições estranhamente irregulares. Tremores violentos abalavam seu corpo, e seus membros se contorciam em ângulos estranhos, enquanto sua boca e olhos se puxavam bruscamente para um lado, com toda a sua expressão distorcida.
A condição era inconfundível: um caso extremamente raro de hemi-hipoplasia.
"Ela nasceu assim?"
"Ela parece tão estranha..."
"Pessoal, por favor, se afastem. Sou médica."
Stephanie sacou seu estetoscópio e começou um exame rápido, mas minucioso, verificando as pupilas da garota e auscultando-lhe o coração e os pulmões.
Aimee estava na beirada do círculo, atônita com a habilidade de Stephanie.
Por fim, sem conseguir se conter, ela exclamou: "Stephanie, o que pensa que está fazendo? Como ousa se passar por médica?"
Stephanie lançou um olhar firme para Aimee. "Cale a boca."
Sem se abalar com as feições distorcidas da garota, ela a moveu do sol para a sombra com cuidado.
Recusando-se a deixar Stephanie provar sua competência, Aimee elevou a voz para que todos ouvissem: "Pessoal, me escutem! Eu a conheço. Ela não é médica! Ela só está fingindo, e se deixarmos que continue, ela acabará matando essa pobre garota. Temos que impedi-la agora mesmo!"
"Sinceramente, ela parece saber o que está fazendo", discordou uma mulher na multidão.
Um homem acenou com a cabeça em apoio. "Ela tem um estetoscópio e até um monitor de pressão arterial. Pelo que sabemos, ela pode ser médica de verdade. Você não deveria julgar tão precipitadamente."
"Vocês estão errados. Ela não entende nada de medicina. Ela vai matar essa garota!", Aimee gritou ainda mais alto, se recusando a recuar.
Em seguida, ela se lançou para frente, tentando arrastar Stephanie para longe. "Pare com isso! Você já estudou medicina? Só saia do caminho!"
Sem pestanejar, Stephanie a encarou. "Se não pode ajudar, pelo menos não atrapalhe. Não dificulte as coisas."
Ignorando a comoção, ela abriu o zíper da mochila e desdobrou um estojo médico compacto de metal, cujo interior era forrado com frascos, seringas e instrumentos esterilizados, todos bem organizados.
Pegou um frasco branco, retirou um único comprimido azul e ajudou a garota a engoli-lo cuidadosamente.
Alguns segundos se passaram, as convulsões diminuíram e, em seguida, cessaram.
Por fim, a garota ficou imóvel, com a respiração regular e calma.
O silêncio era total, até que Aimee gritou: "Stephanie, o que você fez? Você a matou!"