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Capítulo 5 04

Lia

Naquela noite eu tenho certeza absoluta que gozei umas quatro vezes em sonho. Sim, sonhos eróticos com Ian.

Como isso podia está acontecendo?

Simplesmente eu completamente desejosa com aquele homem, que bem, tinha tudo para me dar problemas futuros, ou até mesmo eu lhe daria alguns.

Acordei com o coração acelerado, respiração ofegante, e a minha intimidade pingando de desejo por aquele garoto. Me enrolei no roupão que finalmente tirei da minha mala e segui para o banheiro, parando na frente e Iam saindo dele, acabamos nós trombando e ele me segurou pela cintura, o roupão estava frouxo e a manga do braço desceu um pouco deixando meu ombro a amostra e consequentemente meu seio também. Com uma mão Ian segurava minha cintura, com a outra ele segurou a borda do meu roupão e ajustou ele, para que me cobrisse, subiu sua mão para a minha bochecha e acariciou.

- Lia...- Sua voz era rouca. - Eu juro que tô tentando não ultrapassar o limite que sua tia impôs, porém fica impossível. - Ele disse me puxando para mais perto de si, e eu consegui sentir o tamanho de sua ereção.

- Juro que não faço de propósito, e juro que estou tentando te expulsar dos meus sonhos. - Digo inebriada por sua voz rouca e sexy.

Ele balançou a cabeça e se afastou em uma distância segura para nós dois.

- Meu pai e Ana foram a cidade vizinha, estamos sozinhos por três dias. Theo e Mila já estão esperando a gente na praia, te espero na camionete. - Ele disse passando por mim e entrando em seu quarto.

Puta merda!

Entrei no banheiro rapidamente, me joguei de baixo do chuveiro e deixei a água gelada cair sob meu corpo.

O que era isso? Dois dias aqui e eu já estava completamente caidinha por ele, o enteado da minha tia.

---

Ian

Mas que porra de mulher!

Essa garota vai ser minha perdição, três dias, exatamente três dias e ela já dominava meus pensamentos, meus sonhos e até a porra da minha ereção.

Casete!

Isso não abaixa.

Sub: Só tem um jeito.

Não tenho tempo para isso. Antes que pudesse colocar meus pensamentos em ordem ouvi batidas na porta.

Me levantei pegando a prancha e abrindo a porta, lá estava Lia, com um biquíni preto minúsculo, chinelo no pé, cabelo solto caído sob seus seios e uma bolsa de praia no braço.

- Vamos? - Ela perguntou me analisando. - Você vai assim, Ian? - Ela pergunta apontando para o meu pai ereto.

- Isso aqui é culpa sua. A água da praia deve resolver.

- Ou não. - Ela sorrir. A primeira vez que vejo ela sorrir maliciosa. - Pelo menos eu não sou a única a estar sofrendo.

- Pirralha, não me provoca.

- Pirralha? Você tem certeza Ian? - Ela diz dando uma voltinha e eu fecho os olhos bruscamente jogando minha cabeça para trás.

- Não me provoca, Lia.

- Se não o que?

Largou a prancha que vai no chão a seguro pela cintura encurralando ela na parede, juntando ao máximo nossos corpos para que ela sinta minha ereção em sua pele.

- Eu não posso cometer essa loucura, nãoe provoca, por favor, Lia. - Suplico, mordendo o lóbulo do da sua orelha.

- Puta que pariu, Lia. Isso aqui vai explodir. - Ela disse segurando na minha ereção por cima do calção e apertando com aquelas mãos pequenas e delicadas.

- Porra, Lia. - Fecho os olhos e beijo seu pescoço, colocando minha mão entre seus cabelos e puxando levemente para trás, ela solta um gemido involuntário.

- Eu sei que você quer tanto quanto eu. - Ela sussurra manhosa.

- Querer não é poder. - Digo me afastando pegando a prancha e descendo as escadas correndo. - Vamos logo se na vou perder as ondas.

Estudo ela soltar um palavrão e passos vindo atrás de mim. Essa menina com certeza vai me enlouquecer, eu tenho medo que não consiga teve tanto alto controle da próxima vez.

---

Lia

Eu queria entender duas coisas:

Primeira: como que ele teve tanto alto controle?

Segunda: como diabos eu tive coragem?

Eu, Lia Flim, 17 anos, orfá, rica e super tímida, tive coragem de dar em cima do cara que eu claramente estou afim.

Que vergonha!

Sub: Agora sente vergonha né? Segundos atrás eu não vi toda essa vergonha.

Entrei na camionete e Ian logo acelerou rumo a praia, ele estava sério, com a camisa no colo tentando esconder o que só nos dois sabíamos o que tinha acabado de acontecer, sério e concentrado na estrada. A única coisa que se escutava era o som de nossas respirações.

Quando chegamos na praia já havíamos Mila e Theo aos beijos. Parece que os dois meio que se tornaram ficantes Premium pro Max, e estão juntos. Eu aposto que logo menos eles assumem um namoro.

E enquanto eu estou afim de um cara que hoje de mim. Eu mereço.

- IAE casal. - Digo abraçando Mila e logo após abraçando Theo.

- IAE SP, melhor? - Theo responde.

- Você e seus apelidos, Theo. - Ian diz revirando os olhos.

- Estou bem na medida do possível, Theo. Obrigada por perguntar.

- Vamos surfar, mano. - Ian diz indo até o mar e Theo vai logo atrás me deixando sozinha com minha amiga.

- O que rolou? Maior climão entre vocês.

- É melhor você pergunta o que não rolou. Só faltei me jogar na cama dele, e ele fugiu.

- Não brinca. Ele é gay?

- O que? Não! Acho que não. Ele disse que me quer, mas não pode. Creio que por eu ainda ter dezessete, mas isso muda em dois meses.

- Aí ele não terá mais desculpas.

- Isso. Mas o pior é que eu só estou aqui há três dias e estou caidinha por ele. Como pode?

Mila me olhou com aquela expressão que misturava deboche, carinho e um leve "eu avisei".

- Lia... - ela suspirou, puxando uma canga da bolsa e estendendo na areia. - Você não está caidinha. Você está emocionalmente desamparada, em luto, longe de tudo o que conhece, e ele é a única constante segura nesse caos todo.

- Obrigada por jogar a real assim, sem anestesia - murmuro, sentando ao lado dela.

- Amiga, você perdeu os pais. Sua vida virou do avesso. Seu corpo e sua cabeça estão procurando apoio, proteção, referência. E adivinha quem está ali o tempo todo?

Meu olhar seguiu automaticamente para o mar.

Ian estava em pé, com a prancha apoiada na areia, conversando com Theo. O sol batia em suas costas largas, a pele morena brilhando levemente. Ele gesticulava enquanto falava, sério, mas com aquele meio sorriso torto que parecia surgir sem que ele percebesse.

Engoli em seco.

- Ele.

- Ele. - Mila confirmou. - E ainda por cima é bonito, educado, te trata bem, te respeita... receita perfeita pra dar ruim.

- Não ajuda - resmungo.

- Eu sei. Mas ajuda a entender. - Ela se aproxima mais de mim. - Agora me conta direito. O que aconteceu antes da praia?

Respiro fundo.

- A gente trombou no corredor. Eu saindo do banheiro, ele entrando. Foi tudo muito rápido. - Aperto os dedos um no outro. - Ele me segurou pra eu não cair. E... ficou aquele silêncio estranho. Denso. Como se tudo estivesse alto demais, mesmo sem som nenhum.

- Tesão. - Mila sorri de canto.

- Ele ajeitou meu roupão. Com cuidado. Como se estivesse se policiando em cada movimento. - Fecho os olhos por um segundo. - E depois disse que estava tentando respeitar os limites que minha tia impôs... mas que estava ficando difícil.

Mila arregala os olhos.

- Difícil COMO?

- Difícil de ficar perto. De fingir que não sente. - Dou uma risada sem humor. - Aí ele se afastou. Criou distância. Como se tivesse medo de si mesmo.

- Isso, minha querida, se chama autocontrole. Coisa rara. - Ela me encara. - E também se chama interesse real.

Meu coração acelera.

- Você acha?

- Um cara que só quer se divertir não foge. Não se afasta. Não cria regra. - Ela dá de ombros. - Ele simplesmente faz.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, observando o mar. O som das ondas ajudava a acalmar, mas não silenciar meus pensamentos.

- Mas eu não devia nem estar pensando nisso - digo, mais pra mim do que pra ela. - Eu devia estar focada em... sobreviver. Em organizar minha vida. Não em desejar alguém que pode virar um problema enorme.

- Você pode fazer as duas coisas, Lia. - Mila fala com suavidade. - Sentir não te torna fraca. Só humana.

Olho de novo para Ian.

Ele já estava no mar agora, subindo na prancha com facilidade, como se o corpo soubesse exatamente o que fazer. Theo vinha logo atrás, rindo, tentando acompanhá-lo.

- Ele nem olha pra trás - comento.

- Olha sim. - Mila aponta discretamente com o queixo.

E era verdade.

Ian olhou.

Rápido. Disfarçado. Mas olhou.

E nossos olhos se encontraram por um segundo.

Não houve sorriso. Não houve aceno. Apenas aquele olhar intenso, carregado de coisas não ditas. Depois disso, ele voltou a atenção para o mar, como se nada tivesse acontecido.

Mas tinha.

Dentro de mim, tudo tinha.

- Ele está se protegendo - Mila diz, como se lesse meus pensamentos. - E tentando te proteger também.

- De mim mesma? - pergunto, amarga.

- Do caos. - Ela corrige. - Do julgamento. Da sua tia. Da cidade. De decisões que podem machucar vocês dois.

Suspiro.

- Eu odeio ser sensata. - Digo. - Preferia ser inconsequente por uns cinco minutos.

Mila ri.

- Eu posso ser inconsequente por você. Já estou sendo. - Ela se levanta. - Vou dar uma volta. Preciso postar umas fotos e fingir que minha vida é perfeita.

- Vai lá, influencer do caos.

Ela me manda um beijo no ar e sai andando pela areia.

Fico sozinha.

O sol estava alto, mas uma brisa fresca vinha do mar. Abraço meus joelhos, sentindo a areia quente sob mim, tentando organizar os pensamentos.

Eu não planejei nada disso.

Não planejei perder meus pais. Não planejei morar naquela casa. Não planejei cruzar o caminho de Ian daquele jeito.

E, principalmente, não planejei sentir.

Mas o sentir veio. Forte. Confuso. Intenso.

Ian saiu do mar algum tempo depois. Caminhou até onde eu estava, pingando água, o cabelo bagunçado, a prancha debaixo do braço.

- Tá tudo bem? - ele pergunta, parando a uma distância respeitosa.

- Tá. - Minto mal.

Ele percebe.

- Quer ir pra água? Ou prefere ficar aqui?

- Aqui tá bom.

Ele se senta ao meu lado, deixando a prancha apoiada na areia. Não encosta em mim. Não invade meu espaço. Mas a presença dele é suficiente para me deixar alerta.

- Mila te interrogou? - ele pergunta, tentando soar casual.

- Como sempre.

- Imagino. - Ele solta um riso baixo. - Ela não tem filtro nenhum.

- Não mesmo. - Dou uma risada pequena. - Mas ela é sincera.

- Às vezes até demais.

O silêncio se instala de novo, mas agora não é desconfortável. É carregado.

- Lia... - ele começa, e depois para.

- O quê?

Ele passa a mão pelos cabelos, claramente lutando com as próprias palavras.

- Eu não quero que você se sinta... pressionada. Ou confusa por minha causa.

- Tarde demais - penso, mas não digo.

- Você está passando por muita coisa. E eu... - ele suspira. - Eu não quero ser mais um problema.

Olho pra ele.

- Você não é um problema, Ian.

Ele me encara, sério.

- É exatamente isso que me assusta.

Meu coração aperta.

- Então o que a gente faz? - pergunto, a voz quase um sussurro.

Ele olha para o mar, depois para mim.

- A gente vai com calma. - diz. - Um dia de cada vez.

Assinto.

Não era a resposta que meu corpo queria.

Mas talvez fosse a que minha vida precisava naquele momento.

E, mesmo assim, enquanto ele se levantava para voltar ao mar, eu sabia:

Aquilo estava longe de acabar.

{...}

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