Acordei com o coração acelerado, respiração ofegante, e a minha intimidade pingando de desejo por aquele garoto. Me enrolei no roupão que finalmente tirei da minha mala e segui para o banheiro, parando na frente e Iam saindo dele, acabamos nós trombando e ele me segurou pela cintura, o roupão estava frouxo e a manga do braço desceu um pouco deixando meu ombro a amostra e consequentemente meu seio também. Com uma mão Ian segurava minha cintura, com a outra ele segurou a borda do meu roupão e ajustou ele, para que me cobrisse, subiu sua mão para a minha bochecha e acariciou.
- Lia...- Sua voz era rouca. - Eu juro que tô tentando não ultrapassar o limite que sua tia impôs, porém fica impossível. - Ele disse me puxando para mais perto de si, e eu consegui sentir o tamanho de sua ereção.
- Juro que não faço de propósito, e juro que estou tentando te expulsar dos meus sonhos. - Digo inebriada por sua voz rouca e sexy.
Ele balançou a cabeça e se afastou em uma distância segura para nós dois.
- Meu pai e Ana foram a cidade vizinha, estamos sozinhos por três dias. Theo e Mila já estão esperando a gente na praia, te espero na camionete. - Ele disse passando por mim e entrando em seu quarto.
Puta merda!
Entrei no banheiro rapidamente, me joguei de baixo do chuveiro e deixei a água gelada cair sob meu corpo.
O que era isso? Dois dias aqui e eu já estava completamente caidinha por ele, o enteado da minha tia.
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Ian
Mas que porra de mulher!
Essa garota vai ser minha perdição, três dias, exatamente três dias e ela já dominava meus pensamentos, meus sonhos e até a porra da minha ereção.
Casete!
Isso não abaixa.
Sub: Só tem um jeito.
Não tenho tempo para isso. Antes que pudesse colocar meus pensamentos em ordem ouvi batidas na porta.
Me levantei pegando a prancha e abrindo a porta, lá estava Lia, com um biquíni preto minúsculo, chinelo no pé, cabelo solto caído sob seus seios e uma bolsa de praia no braço.
- Vamos? - Ela perguntou me analisando. - Você vai assim, Ian? - Ela pergunta apontando para o meu pai ereto.
- Isso aqui é culpa sua. A água da praia deve resolver.
- Ou não. - Ela sorrir. A primeira vez que vejo ela sorrir maliciosa. - Pelo menos eu não sou a única a estar sofrendo.
- Pirralha, não me provoca.
- Pirralha? Você tem certeza Ian? - Ela diz dando uma voltinha e eu fecho os olhos bruscamente jogando minha cabeça para trás.
- Não me provoca, Lia.
- Se não o que?
Largou a prancha que vai no chão a seguro pela cintura encurralando ela na parede, juntando ao máximo nossos corpos para que ela sinta minha ereção em sua pele.
- Eu não posso cometer essa loucura, nãoe provoca, por favor, Lia. - Suplico, mordendo o lóbulo do da sua orelha.
- Puta que pariu, Lia. Isso aqui vai explodir. - Ela disse segurando na minha ereção por cima do calção e apertando com aquelas mãos pequenas e delicadas.
- Porra, Lia. - Fecho os olhos e beijo seu pescoço, colocando minha mão entre seus cabelos e puxando levemente para trás, ela solta um gemido involuntário.
- Eu sei que você quer tanto quanto eu. - Ela sussurra manhosa.
- Querer não é poder. - Digo me afastando pegando a prancha e descendo as escadas correndo. - Vamos logo se na vou perder as ondas.
Estudo ela soltar um palavrão e passos vindo atrás de mim. Essa menina com certeza vai me enlouquecer, eu tenho medo que não consiga teve tanto alto controle da próxima vez.
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Lia
Eu queria entender duas coisas:
Primeira: como que ele teve tanto alto controle?
Segunda: como diabos eu tive coragem?
Eu, Lia Flim, 17 anos, orfá, rica e super tímida, tive coragem de dar em cima do cara que eu claramente estou afim.
Que vergonha!
Sub: Agora sente vergonha né? Segundos atrás eu não vi toda essa vergonha.
Entrei na camionete e Ian logo acelerou rumo a praia, ele estava sério, com a camisa no colo tentando esconder o que só nos dois sabíamos o que tinha acabado de acontecer, sério e concentrado na estrada. A única coisa que se escutava era o som de nossas respirações.
Quando chegamos na praia já havíamos Mila e Theo aos beijos. Parece que os dois meio que se tornaram ficantes Premium pro Max, e estão juntos. Eu aposto que logo menos eles assumem um namoro.
E enquanto eu estou afim de um cara que hoje de mim. Eu mereço.
- IAE casal. - Digo abraçando Mila e logo após abraçando Theo.
- IAE SP, melhor? - Theo responde.
- Você e seus apelidos, Theo. - Ian diz revirando os olhos.
- Estou bem na medida do possível, Theo. Obrigada por perguntar.
- Vamos surfar, mano. - Ian diz indo até o mar e Theo vai logo atrás me deixando sozinha com minha amiga.
- O que rolou? Maior climão entre vocês.
- É melhor você pergunta o que não rolou. Só faltei me jogar na cama dele, e ele fugiu.
- Não brinca. Ele é gay?
- O que? Não! Acho que não. Ele disse que me quer, mas não pode. Creio que por eu ainda ter dezessete, mas isso muda em dois meses.
- Aí ele não terá mais desculpas.
- Isso. Mas o pior é que eu só estou aqui há três dias e estou caidinha por ele. Como pode?
Mila me olhou com aquela expressão que misturava deboche, carinho e um leve "eu avisei".
- Lia... - ela suspirou, puxando uma canga da bolsa e estendendo na areia. - Você não está caidinha. Você está emocionalmente desamparada, em luto, longe de tudo o que conhece, e ele é a única constante segura nesse caos todo.
- Obrigada por jogar a real assim, sem anestesia - murmuro, sentando ao lado dela.
- Amiga, você perdeu os pais. Sua vida virou do avesso. Seu corpo e sua cabeça estão procurando apoio, proteção, referência. E adivinha quem está ali o tempo todo?
Meu olhar seguiu automaticamente para o mar.
Ian estava em pé, com a prancha apoiada na areia, conversando com Theo. O sol batia em suas costas largas, a pele morena brilhando levemente. Ele gesticulava enquanto falava, sério, mas com aquele meio sorriso torto que parecia surgir sem que ele percebesse.
Engoli em seco.
- Ele.
- Ele. - Mila confirmou. - E ainda por cima é bonito, educado, te trata bem, te respeita... receita perfeita pra dar ruim.
- Não ajuda - resmungo.
- Eu sei. Mas ajuda a entender. - Ela se aproxima mais de mim. - Agora me conta direito. O que aconteceu antes da praia?
Respiro fundo.
- A gente trombou no corredor. Eu saindo do banheiro, ele entrando. Foi tudo muito rápido. - Aperto os dedos um no outro. - Ele me segurou pra eu não cair. E... ficou aquele silêncio estranho. Denso. Como se tudo estivesse alto demais, mesmo sem som nenhum.
- Tesão. - Mila sorri de canto.
- Ele ajeitou meu roupão. Com cuidado. Como se estivesse se policiando em cada movimento. - Fecho os olhos por um segundo. - E depois disse que estava tentando respeitar os limites que minha tia impôs... mas que estava ficando difícil.
Mila arregala os olhos.
- Difícil COMO?
- Difícil de ficar perto. De fingir que não sente. - Dou uma risada sem humor. - Aí ele se afastou. Criou distância. Como se tivesse medo de si mesmo.
- Isso, minha querida, se chama autocontrole. Coisa rara. - Ela me encara. - E também se chama interesse real.
Meu coração acelera.
- Você acha?
- Um cara que só quer se divertir não foge. Não se afasta. Não cria regra. - Ela dá de ombros. - Ele simplesmente faz.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, observando o mar. O som das ondas ajudava a acalmar, mas não silenciar meus pensamentos.
- Mas eu não devia nem estar pensando nisso - digo, mais pra mim do que pra ela. - Eu devia estar focada em... sobreviver. Em organizar minha vida. Não em desejar alguém que pode virar um problema enorme.
- Você pode fazer as duas coisas, Lia. - Mila fala com suavidade. - Sentir não te torna fraca. Só humana.
Olho de novo para Ian.
Ele já estava no mar agora, subindo na prancha com facilidade, como se o corpo soubesse exatamente o que fazer. Theo vinha logo atrás, rindo, tentando acompanhá-lo.
- Ele nem olha pra trás - comento.
- Olha sim. - Mila aponta discretamente com o queixo.
E era verdade.
Ian olhou.
Rápido. Disfarçado. Mas olhou.
E nossos olhos se encontraram por um segundo.
Não houve sorriso. Não houve aceno. Apenas aquele olhar intenso, carregado de coisas não ditas. Depois disso, ele voltou a atenção para o mar, como se nada tivesse acontecido.
Mas tinha.
Dentro de mim, tudo tinha.
- Ele está se protegendo - Mila diz, como se lesse meus pensamentos. - E tentando te proteger também.
- De mim mesma? - pergunto, amarga.
- Do caos. - Ela corrige. - Do julgamento. Da sua tia. Da cidade. De decisões que podem machucar vocês dois.
Suspiro.
- Eu odeio ser sensata. - Digo. - Preferia ser inconsequente por uns cinco minutos.
Mila ri.
- Eu posso ser inconsequente por você. Já estou sendo. - Ela se levanta. - Vou dar uma volta. Preciso postar umas fotos e fingir que minha vida é perfeita.
- Vai lá, influencer do caos.
Ela me manda um beijo no ar e sai andando pela areia.
Fico sozinha.
O sol estava alto, mas uma brisa fresca vinha do mar. Abraço meus joelhos, sentindo a areia quente sob mim, tentando organizar os pensamentos.
Eu não planejei nada disso.
Não planejei perder meus pais. Não planejei morar naquela casa. Não planejei cruzar o caminho de Ian daquele jeito.
E, principalmente, não planejei sentir.
Mas o sentir veio. Forte. Confuso. Intenso.
Ian saiu do mar algum tempo depois. Caminhou até onde eu estava, pingando água, o cabelo bagunçado, a prancha debaixo do braço.
- Tá tudo bem? - ele pergunta, parando a uma distância respeitosa.
- Tá. - Minto mal.
Ele percebe.
- Quer ir pra água? Ou prefere ficar aqui?
- Aqui tá bom.
Ele se senta ao meu lado, deixando a prancha apoiada na areia. Não encosta em mim. Não invade meu espaço. Mas a presença dele é suficiente para me deixar alerta.
- Mila te interrogou? - ele pergunta, tentando soar casual.
- Como sempre.
- Imagino. - Ele solta um riso baixo. - Ela não tem filtro nenhum.
- Não mesmo. - Dou uma risada pequena. - Mas ela é sincera.
- Às vezes até demais.
O silêncio se instala de novo, mas agora não é desconfortável. É carregado.
- Lia... - ele começa, e depois para.
- O quê?
Ele passa a mão pelos cabelos, claramente lutando com as próprias palavras.
- Eu não quero que você se sinta... pressionada. Ou confusa por minha causa.
- Tarde demais - penso, mas não digo.
- Você está passando por muita coisa. E eu... - ele suspira. - Eu não quero ser mais um problema.
Olho pra ele.
- Você não é um problema, Ian.
Ele me encara, sério.
- É exatamente isso que me assusta.
Meu coração aperta.
- Então o que a gente faz? - pergunto, a voz quase um sussurro.
Ele olha para o mar, depois para mim.
- A gente vai com calma. - diz. - Um dia de cada vez.
Assinto.
Não era a resposta que meu corpo queria.
Mas talvez fosse a que minha vida precisava naquele momento.
E, mesmo assim, enquanto ele se levantava para voltar ao mar, eu sabia:
Aquilo estava longe de acabar.
{...}