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Meu Coração Frio: Rejeitar o Chefe da Máfia
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Capítulo 2

Ponto de Vista de Helena Vitti:

A clínica particular cheirava a lavanda e antisséptico, uma máscara estéril sobre a podridão por baixo.

Dante me mandara para lá para "descansar" depois do meu surto. Era menos uma necessidade médica e mais um jogo de poder. Um lembrete de que minha liberdade era um privilégio que ele concedia, não um direito que eu possuía.

Sentei-me na cadeira de couro de encosto alto, olhando para o jardim lá fora. Eu tinha parado de chorar. Lágrimas eram um desperdício de hidratação preciosa.

A porta se abriu.

Sara, a estagiária de direito de Dante, entrou. Ela era jovem, ambiciosa e felizmente alheia ao fato de que trabalhava para o diabo. Ela segurava um tablet contra o peito como um escudo.

"Sra. Russo", disse ela, com a voz ensaiada e suave. "Dante enviou alguns papéis. Ele quer garantir que seu tratamento seja totalmente coberto e que ele possa administrar o patrimônio enquanto você... se recupera."

Olhei para o tablet. Era a armadilha que ele havia ameaçado: uma Procuração.

Se eu assinasse isso, ele seria meu dono. Ele poderia me internar indefinidamente. Ele poderia me drogar até o estupor e me manter como um belo ornamento em uma prateleira.

Mas eu estava pronta.

"Claro", eu disse, minha voz tremendo o suficiente para vender a atuação. "Eu só quero me sentir segura de novo, Sara. Eu só quero que ele cuide de tudo."

Peguei o tablet. Minhas mãos tremiam com uma fragilidade fingida. Rolei pelo documento. Era exatamente o que eu esperava. Uma jaula digital.

"Preciso de um copo d'água", eu disse, olhando para ela com olhos grandes e úmidos. "Por favor."

"Claro." Sara se virou para a mesa lateral para servir da jarra.

Nessa janela de três segundos, meu tremor cessou. Minimizei o documento da Procuração.

Abri o arquivo que eu havia carregado para o servidor na nuvem dias atrás, astuciosamente disfarçado com um nome de arquivo semelhante. Não era um acordo de cuidados.

Era uma sentença de divórcio, estipulando uma transferência completa de bens para uma conta offshore em troca do meu silêncio, e uma dissolução irrevogável do nosso casamento.

Sara se virou de volta. A tela mostrava uma caixa de assinatura.

"Dante também vai assinar isso?", perguntei.

"Ele está em uma linha segura agora", disse ela. "Ele está esperando sua assinatura para autorizar a chave digital dele."

"Ok." Assinei meu nome. "Diga a ele que eu o amo. Diga a ele que sinto muito."

Sara sorriu, aliviada. Ela tocou na tela, enviando a autorização para Dante.

Um momento depois, o tablet apitou.

Dante Russo: Verificado.

Ele acabara de assinar sua própria destruição sem ler uma única palavra. Ele pensou que estava assinando um formulário de internação. Ele era arrogante demais para acreditar que eu poderia enganá-lo.

"Obrigada, Sara", eu disse. "Acho que estou pronta para ir para casa agora."

"Dante disse que você poderia voltar para a cobertura esta tarde se assinasse", ela confirmou.

Saí da clínica para a luz ofuscante do sol. Fui ao pequeno canteiro do jardim onde minha mãe costumava ser voluntária. Enfiei meus dedos na terra. Parecia real. Parecia um voto silencioso.

Quando o motorista me deixou na propriedade, senti uma calma estranha. Peguei o elevador. As portas se abriram.

Risadas flutuavam do terraço.

Entrei na sala de estar. As portas de vidro estavam escancaradas. Dante estava sentado à beira da piscina, com uma bebida na mão. E deitada na espreguiçadeira ao lado dele, usando um biquíni branco, estava Sofia Moretti.

Ela me olhou por cima dos óculos de sol.

"Você voltou cedo", disse Dante, sem se dar ao trabalho de levantar. "Confio que esteja se sentindo melhor."

"Por que ela está aqui?" Minha voz era gelo.

"Meu pai está reformando meu apartamento", disse Sofia, espreguiçando-se como um gato. "Dante ofereceu a ala de hóspedes. Ele me deve, afinal."

Ela se levantou e caminhou até mim. Ela usava uma saída de praia transparente.

Eu a reconheci imediatamente.

Era o xale de caxemira da minha mãe. Aquele que ela usara na noite em que morreu.

Minha visão ficou turva nas bordas.

"Isso não é seu", eu disse.

"Estava no armário de hóspedes", Sofia deu de ombros, fingindo inocência. "Tinha uma mancha de qualquer maneira. Vinho, eu acho."

Ela riu. Era um som leve e tilintante. O som de vidro quebrado.

Dante se levantou então. "Helena, sirva uma bebida para a Sofia. Temos coisas a discutir."

"O quê?" Olhei para ele.

"Você queria mostrar que era uma esposa dedicada", disse Dante, com os olhos duros. "Mostre-me. Sirva a bebida."

Ele estava me testando. Ele estava me quebrando na frente dela para provar sua lealdade ao Capo, para provar seu controle absoluto sobre sua casa.

Fui até o bar. Minhas mãos estavam firmes. Servi a vodca. Fui até Sofia e entreguei a ela.

"Obrigada, queridinha", ela arrulhou.

"Você vai ficar na ala de hóspedes?", perguntei a Dante.

"Não", disse Dante, tomando um gole de seu bourbon. "Sofia está na ala de hóspedes. Você vai se mudar para a ala dos empregados por enquanto. Até eu ter certeza de que seus... episódios pararam."

Ele estava me banindo do meu próprio quarto. Da casa da minha mãe.

Olhei para a água da piscina. Era azul e profunda.

"Entendido", eu disse.

Virei-me e me afastei. Não fui para a ala dos empregados.

Fui para a biblioteca, para o cofre escondido atrás dos livros. Eu precisava de dinheiro. Eu precisava de uma arma.

E eu precisava ter certeza de que, quando saísse desta casa, a queimaria até o chão.

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