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Vidas Trocadas: A Esposa Errada do CEO
img img Vidas Trocadas: A Esposa Errada do CEO img Capítulo 2 A Proposta
2 Capítulo
Capítulo 6 A Mulher No Espelho img
Capítulo 7 Aliados img
Capítulo 8 Uma Espiã Dentro Da Mansão img
Capítulo 9 O Czar de Gelo img
Capítulo 10 A Armadura De Seda img
Capítulo 11 Peça De Bibelô img
Capítulo 12 Medusa Moderna img
Capítulo 13 Máscaras E Sombras img
Capítulo 14 O Outro Lado Do Oceano img
Capítulo 15 O Peso Das Mentiras img
Capítulo 16 O Som Do Vidro Trincando img
Capítulo 17 O Campo Minado img
Capítulo 18 O Peso Da Máscara img
Capítulo 19 Invisíveis img
Capítulo 20 Versões De Mim img
Capítulo 21 Escudo Ou Isca img
Capítulo 22 O Anzol Escondido img
Capítulo 23 A Forja img
Capítulo 24 Gelo E Fogo img
Capítulo 25 A Ironia Em Dó Maior img
Capítulo 26 Sombras No Espelho img
Capítulo 27 Alianças Invisíveis img
Capítulo 28 A Variável Imprevista img
Capítulo 29 O Outro Lado Do Espelho img
Capítulo 30 Línguas De Serpente img
Capítulo 31 A Borboleta img
Capítulo 32 Ponto Cego img
Capítulo 33 O Despertar Do Instinto img
Capítulo 34 Movimento Letal img
Capítulo 35 O Rastro img
Capítulo 36 Muralhas Internas img
Capítulo 37 Sombras img
Capítulo 38 Moeda De Troca img
Capítulo 39 A Dama img
Capítulo 40 A Noiva De Azul img
Capítulo 41 Gosto Amargo img
Capítulo 42 A Noite Anterior img
Capítulo 43 A Emboscada img
Capítulo 44 Aliança Selada img
Capítulo 45 Entre Brindes img
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Capítulo 2 A Proposta

A cozinha foi se esvaziando aos poucos.

Meu avô saiu primeiro, ajeitando o chapéu de palha, reclamando do sol que já castigava cedo demais. Minha avó foi atrás, levando uma cesta de pano e a lista mental dos afazeres do dia: galinhas, horta, roupas no varal.

Meu pai caminhou devagar até a varanda e voltou a se sentar na cadeira de sempre, como se aquele fosse o único lugar onde ainda se sentia inteiro. Ficou ali, observando o nada, com os cotovelos apoiados nos joelhos e o olhar perdido no pasto.

Fiquei na cozinha, terminando de lavar a louça. O barulho da água caindo na pia era quase hipnótico. Pratos simples, copos antigos, tudo no seu devido lugar. Sempre foi assim. Ordem era a forma que encontrei de manter o caos longe.

Senti o olhar dela antes mesmo de virar o rosto.

Ana Paula estava encostada no batente da porta, em silêncio. Sem celular, sem pressa. Só me observava, como se tentasse entender como alguém podia viver assim ou, talvez, criando coragem.

Ela acompanhava meus movimentos com atenção. Minhas mãos molhadas, o avental já gasto, o cabelo preso de qualquer jeito.

Eu terminei de enxaguar o último prato e o guardei no armário.

Foi então que ela falou:

- Preciso falar com você. Sozinha.

O tom baixo e contido fez meu estômago se contrair.

Não era um pedido, era um aviso.

Enxuguei as mãos com calma, mesmo sentindo o coração acelerar.

- Agora?

Ela assentiu, já se afastando pelo corredor.

O quarto antigo nos recebeu com o mesmo cheiro de madeira e de lembranças. Ana Paula fechou a porta atrás de nós e, por alguns segundos, ficou parada no meio do cômodo, como se tivesse esquecido o motivo de estar ali.

Então, a máscara caiu.

- Clara, eu não aguento mais! - disparou. - O Pedro quer me vender! Ele e aquela aliança maldita de empresários!

Caminhava de um lado para o outro, as mãos trêmulas.

Ela parou, abriu a bolsa e tirou o celular. Encarou a tela apagada por alguns segundos, como se buscasse coragem.

- Eu vou me casar.

Senti o mundo girar.

- O quê?

- Não por escolha - apressou-se. - É um acordo antigo. Entre famílias.

- Com quem?

Ela engoliu em seco.

- Leonardo Montenegro.

O nome soou como uma sentença.

Eu o conhecia pelas notícias. O "Czar de Gelo" do mercado financeiro. O homem que perdera a noiva semanas antes do casamento, em um acidente que chocara o país. Desde então, diziam que seu olhar era feito de lâminas.

- Paula, ele tem quase dez anos a mais do que você. Dizem que ele é...

- Um monstro de terno? - ela interrompeu, a voz quebrada. - Sim. Ele é. Quer uma esposa troféu enquanto tenta derrubar as regras daquele grupo de velhos poderosos. Sem esposa, não pode continuar liderando as empresas.

Ela começou a chorar. Não era um choro calmo, mas de quem chegou ao limite.

Então me contou sobre o pacto. Sobre como a fortuna do padrasto dependia desse acordo. Então, lançou a bomba.

- Eu sei sobre o papai. Vi as contas médicas. Ouvimos boatos sobre o sítio. Vocês vão perder tudo, não vão?

Baixei a cabeça. O silêncio respondeu por mim.

- Eu tenho um plano - ela segurou minhas mãos. - A mamãe já concordou. Ela vai garantir o dinheiro.

Meu coração disparou.

- Troque de lugar comigo. Só por alguns meses. Leonardo não quer uma esposa de verdade; ele odeia a ideia desse casamento. Ele vai te deixar em um canto da mansão e esquecer que você existe. Em troca, a mamãe transfere o dinheiro para o tratamento do papai e quita as dívidas do sítio. Hoje mesmo.

Imagens da infância invadiram minha mente. Nós duas trocando roupas, nomes, identidades. Enganando professores, confundindo adultos.

Olhei para minhas mãos calejadas. Imaginei anéis de diamante.

Olhei pela janela. Vi meu pai curvado pela tosse.

- Ele vai perceber - sussurrei.

- Ele nunca me olhou nos olhos por mais de dois segundos. Para ele, sou apenas um item em um contrato.

Parecia absurdo.

Perigoso.

E talvez fosse a única saída.

Naquele momento, entendi: o 'sim' que eu diria no altar não seria para Leonardo Montenegro.

Seria para salvar a vida do meu pai.

Eu seria a esposa errada, no mundo errado, torcendo para que o Czar de Gelo jamais descobrisse que a mulher em sua casa era apenas uma impostora do interior.

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