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Vidas Trocadas: A Esposa Errada do CEO
img img Vidas Trocadas: A Esposa Errada do CEO img Capítulo 4 Mudanças
4 Capítulo
Capítulo 6 A Mulher No Espelho img
Capítulo 7 Aliados img
Capítulo 8 Uma Espiã Dentro Da Mansão img
Capítulo 9 O Czar de Gelo img
Capítulo 10 A Armadura De Seda img
Capítulo 11 Peça De Bibelô img
Capítulo 12 Medusa Moderna img
Capítulo 13 Máscaras E Sombras img
Capítulo 14 O Outro Lado Do Oceano img
Capítulo 15 O Peso Das Mentiras img
Capítulo 16 O Som Do Vidro Trincando img
Capítulo 17 O Campo Minado img
Capítulo 18 O Peso Da Máscara img
Capítulo 19 Invisíveis img
Capítulo 20 Versões De Mim img
Capítulo 21 Escudo Ou Isca img
Capítulo 22 O Anzol Escondido img
Capítulo 23 A Forja img
Capítulo 24 Gelo E Fogo img
Capítulo 25 A Ironia Em Dó Maior img
Capítulo 26 Sombras No Espelho img
Capítulo 27 Alianças Invisíveis img
Capítulo 28 A Variável Imprevista img
Capítulo 29 O Outro Lado Do Espelho img
Capítulo 30 Línguas De Serpente img
Capítulo 31 A Borboleta img
Capítulo 32 Ponto Cego img
Capítulo 33 O Despertar Do Instinto img
Capítulo 34 Movimento Letal img
Capítulo 35 O Rastro img
Capítulo 36 Muralhas Internas img
Capítulo 37 Sombras img
Capítulo 38 Moeda De Troca img
Capítulo 39 A Dama img
Capítulo 40 A Noiva De Azul img
Capítulo 41 Gosto Amargo img
Capítulo 42 A Noite Anterior img
Capítulo 43 A Emboscada img
Capítulo 44 Aliança Selada img
Capítulo 45 Entre Brindes img
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Capítulo 4 Mudanças

A semana no sítio passou como um borrão de adrenalina, culpa e uma estranha intimidade entre nós duas. Tínhamos até domingo antes que o mundo, como eu conhecia, mudasse para sempre.

Foram dias em que a casa parecia pequena para tudo o que precisávamos dizer e grande demais para o que evitávamos.

Conversamos muito, mas ao mesmo tempo, quase nada.

Ela me observava com atenção: como eu me sentava à mesa, como segurava a xícara, como respondia ao meu avô. À noite, no quarto, trocávamos informações como se estudássemos para uma prova impossível.

Nomes.

Datas.

Preferências.

Antipatias.

- Eu odeio comida muito apimentada. Finjo que gosto - ela dizia.

- Você cruza as pernas para a esquerda quando está nervosa - eu respondia.

Treinamos postura no espelho. Caminhada mais firme. Olhar direto. Silêncios calculados.

Era estranho estudar minha própria imagem e aprender a ser outra pessoa dentro dela.

O ponto de virada veio na quarta-feira, com o som de uma notificação de e-mail que mudaria tudo. Minha mãe forjou a "notícia perfeita".

Reuni a família na mesa da cozinha, com o coração batendo forte, e li em voz alta: eu tinha sido selecionada para um projeto de doutorado internacional itinerante. Pesquisa de campo, intercâmbio acadêmico, contato direto com povos e culturas de vários continentes. Ligado a um programa de doutorado.

Quando expliquei que o projeto era remunerado, com seguro de saúde internacional para a família e um bom adiantamento, o peso nos ombros do meu pai pareceu sumir.

Pela primeira vez em meses, o semblante sombrio dele deu lugar a uma esperança viva.

Minha avó chorou como se estivesse se despedindo e celebrando ao mesmo tempo. Meu avô bateu a mão na mesa, orgulhoso. Meu pai... meu pai sorriu.

Um sorriso verdadeiro, raro, aliviado.

- Eu sabia - ele disse, com a voz embargada. - Sempre soube que você ia longe.

O que ele não sabia, porém, era que estava sendo salvo por um sacrifício, e decidi que ele jamais saberia.

Havia exigências, claro. Documentação. Comparecimento à capital para entrevistas, contratos, trâmites legais.

Naquele dia, o peso que havia sobre minha família pareceu menor. Pela primeira vez em meses, vi meu pai comer com vontade.

Eu vi.

E aquilo me quebrou por dentro.

Talvez, só talvez, eu estivesse fazendo a coisa certa.

Com o dinheiro depositado, fomos à cidade. Quitamos contas antigas, dívidas que rondavam a família como fantasmas. Nada de luxo, apenas paz.

Depois, o salão.

Ana Paula observava tudo com olhos críticos e precisos. Corte de cabelo. Ajustes mínimos. Sobrancelhas. Unhas. Pequenos detalhes que, somados, mudavam tudo.

Quando saímos de lá, a única diferença entre nós era o jeito de vestir.

E isso podia ser aprendido.

As noites eram curtas. Paula me ensinava a postura altiva das socialites, o jeito de segurar uma taça e, principalmente, como navegar no mundo de Leonardo Montenegro. Eu procurava absorver tudo, enquanto ela revisava os detalhes de sua viagem sabática, que agora começaria com os meus documentos.

Na manhã da partida, a mesa estava farta. Eu mastigava devagar, tentando guardar o gosto do queijo fresco, o cheiro do café coado no pano e a textura da mão áspera de meu pai na minha.

Minha família acreditava estava celebrando um começo. Estavam felizes, sorridentes, embora houvesse aquela pitada de tristeza pela partida.

Eu mal falava.

Dali a algumas horas, meu mundo deixaria de existir.

Dizer adeus ao meu pai foi a coisa mais difícil que já fiz. Ele me abraçou forte, e o cheiro de alfazema me envolveu.

- Vá e conquiste o mundo, minha pequena sábia - ele disse, com os olhos marejados. - Não se preocupe com este velho. Mande mensagens, fotos, o que puder compartilhar. Isso será o meu melhor remédio.

Eu queria gritar, queria dizer que não estava indo viajar pelo mundo, mas sim para uma prisão de luxo em São Paulo. Em vez disso, sorri e beijei suas mãos calejadas.

Saímos juntas.

Uma estrada, dois destinos.

Quando nos despedimos, ela me abraçou forte.

- Obrigada - sussurrou.

Não respondi.

Ana Paula seguiu para o aeroporto.

Eu fui para a clínica, para 'acordar' de um acidente e começar meu papel como noiva de um homem que eu já temia antes mesmo de conhecer.

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