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Vidas Trocadas: A Esposa Errada do CEO
img img Vidas Trocadas: A Esposa Errada do CEO img Capítulo 3 O Peso da Decisão
3 Capítulo
Capítulo 6 A Mulher No Espelho img
Capítulo 7 Aliados img
Capítulo 8 Uma Espiã Dentro Da Mansão img
Capítulo 9 O Czar de Gelo img
Capítulo 10 A Armadura De Seda img
Capítulo 11 Peça De Bibelô img
Capítulo 12 Medusa Moderna img
Capítulo 13 Máscaras E Sombras img
Capítulo 14 O Outro Lado Do Oceano img
Capítulo 15 O Peso Das Mentiras img
Capítulo 16 O Som Do Vidro Trincando img
Capítulo 17 O Campo Minado img
Capítulo 18 O Peso Da Máscara img
Capítulo 19 Invisíveis img
Capítulo 20 Versões De Mim img
Capítulo 21 Escudo Ou Isca img
Capítulo 22 O Anzol Escondido img
Capítulo 23 A Forja img
Capítulo 24 Gelo E Fogo img
Capítulo 25 A Ironia Em Dó Maior img
Capítulo 26 Sombras No Espelho img
Capítulo 27 Alianças Invisíveis img
Capítulo 28 A Variável Imprevista img
Capítulo 29 O Outro Lado Do Espelho img
Capítulo 30 Línguas De Serpente img
Capítulo 31 A Borboleta img
Capítulo 32 Ponto Cego img
Capítulo 33 O Despertar Do Instinto img
Capítulo 34 Movimento Letal img
Capítulo 35 O Rastro img
Capítulo 36 Muralhas Internas img
Capítulo 37 Sombras img
Capítulo 38 Moeda De Troca img
Capítulo 39 A Dama img
Capítulo 40 A Noiva De Azul img
Capítulo 41 Gosto Amargo img
Capítulo 42 A Noite Anterior img
Capítulo 43 A Emboscada img
Capítulo 44 Aliança Selada img
Capítulo 45 Entre Brindes img
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Capítulo 3 O Peso da Decisão

Balancei a cabeça devagar, tentando organizar os pensamentos que se atropelavam dentro de mim.

- Paula... não é só vestir suas roupas e repetir seu nome - falei, finalmente. - Sua vida é outra. Seus amigos, seus hábitos, sua forma de falar... Eu não sei viver naquele mundo.

Ela respirou fundo, como se já esperasse por aquilo.

- Eu sei. - Aproximou-se da janela, apoiando as mãos no parapeito. - Você sempre foi... inteira. Eu sempre fui moldada.

Virei o rosto para ela.

- Isso não é verdade.

- É, sim - respondeu, sem me olhar. - Você sabe quem é. Eu sei o que esperam que eu seja.

O silêncio caiu entre nós.

- E sua profissão? - perguntei. - Seus colegas, seus contatos... Eu não posso fingir entender coisas que nunca vivi.

Ela se virou então, com um meio sorriso cansado.

- Nossas áreas são diferentes, mas conversam entre si. Você entende o suficiente para não levantar suspeitas. E o resto... - deu de ombros - ninguém realmente presta atenção quando acha que já sabe quem você é.

Aquilo me arrepiou.

- E seus amigos? - insisti. - Eles te conhecem. Sabem como você age.

- Os mais próximos já se afastaram desde que esse casamento foi anunciado - respondeu, amarga. - E os outros... gostam mais do que eu represento do que de mim.

Caminhou até a cama e se sentou.

- Clara, eu pensei em tudo.

Essa frase nunca é reconfortante. Nunca.

- Antes de voltarmos pra cidade, vamos fingir um acidente doméstico.

Meu coração falhou uma batida.

- Um... o quê?

- Uma queda - disse com naturalidade demais. - Nada espetacular. Escada, banheiro, algo comum. Mamãe vai anunciar tudo com aquele tom dramático que ela sabe usar tão bem.

Engoli em seco.

- Você bate a cabeça - ela continuou. - Fica desacordada por um dia inteiro. Na clínica particular de uma amiga dela. De confiança.

- Eu?

- Sim. Você. Sedada. Quando acordar, vai dizer que está confusa. Pequenos lapsos. Esquecimentos pontuais. Nada grave demais para justificar um afastamento, mas o suficiente para explicar mudanças.

Meu estômago embrulhou.

- Isso explica, caso eu não reconheça algumas pessoas... - murmurei, começando a entender.

- Exatamente. - Os olhos dela brilharam. - Médicos adoram zonas cinzentas. E pessoas ricas não gostam de questionar diagnósticos quando eles são convenientes.

Fiquei em silêncio.

- Temos a semana toda pela frente. Nós vamos estudar juntas - Paula continuou. - Meus gostos, minhas manias, meus amigos mais citados. A mansão. Os empregados. O que cada um espera ouvir.

- E Leonardo? - perguntei, sentindo o nome pesar na língua.

Ela deu de ombros.

- Não temos muito contato. E isso joga a nosso favor.

A ideia crescia diante de mim, assustadora e cada vez mais possível.

- E nossos avós? - minha voz saiu baixa. - E papai?

Ela hesitou pela primeira vez.

- É a parte mais difícil - admitiu. - Talvez... não contemos tudo. Inventamos uma desculpa para sua ausência. Um trabalho. Um projeto temporário.

- Você quer que eu minta para o homem que nunca me escondeu nada?

- É para salvá-lo, Clara! Se dissermos a verdade, ele morre antes da doença. Deixe que ele pense que você está feliz, realizando seu sonho.

- E o dinheiro?

- Pagamento adiantado. - respondeu rápido. - Algo que seja justificado por uma proposta de emprego ou por um projeto remunerado.

Fechei os olhos.

Mentir para estranhos era uma coisa.

Mentir para quem me criou... era outra.

- Eu não posso ficar aqui - Paula acrescentou, quase em defesa. - Não aguentaria. Isso me sufocaria.

- Então você vai pra onde? - perguntei.

Ela respirou fundo, como quem finalmente fala de algo que ama.

- Vou viajar. Como sempre planejei. Um descanso sabático. Europa, Ásia, África... - sorriu de leve. - Termino no Canadá.

Meu peito apertou.

- Tudo já está organizado - continuou. - Agência, roteiro, hotéis. Só vou mudar o nome do pacote.

- Para o meu.

- Sim.

Olhei para ela. Para o mesmo rosto que o meu refletia. Para a distância invisível entre nossas escolhas.

- Você nem vai viver minha vida... enquanto eu vivo a sua - murmurei.

- Quase. Pelo que me lembro, você também sempre quis conhecer o mundo. Estar entre as culturas e os povos que você tanto estuda. Serão apenas alguns meses. É só uma troca temporária.

A palavra "temporária" nunca pareceu tão frágil.

Lá fora, ouvi a tosse do meu pai. Seca. Dolorosa.

Abri os olhos.

- Se eu fizer isso - falei, sentindo o peso da decisão esmagar meus ombros -, não é por você. Nem por esse acordo maldito.

Ela se aproximou.

- Eu sei.

- É por ele - completei. - E só por ele.

Ana Paula assentiu, emocionada.

Naquele quarto simples, entre lembranças de infância e um futuro que eu jamais planejei, entendi que minha vida acabara de se dividir em duas.

A que eu conhecia.

E a que eu estava prestes a roubar.

E, pela primeira vez, senti medo não do que eu perderia, mas de quem eu poderia me tornar.

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