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Três Anos, Uma Grande Mentira
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Capítulo 5

Rodrigo ergueu os olhos, seu sangue gelando. Júlia Campos, a melhor amiga de Clara, estava parada sobre a mesa deles, o rosto uma máscara de pura fúria. Seus olhos estavam vermelhos, mas queimavam com uma intensidade que o fez recuar fisicamente.

"Júlia", disse ele, a voz tensa. "O que você está fazendo aqui?"

"O que eu estou fazendo aqui?" Ela soltou uma risada áspera e incrédula que fez as pessoas nas mesas próximas se virarem. "Eu estou ligando para ela há dois dias, seu canalha. Dois dias com o celular dela caindo direto na caixa postal. Onde ela está?"

"Como eu vou saber?" disse Rodrigo, empurrando a cadeira para trás. "Ela foi embora. Se você quer encontrá-la, ligue para ela, não para mim."

"Não minta para mim", cuspiu Júlia, a voz perigosamente baixa. "Eu te conheço. Eu sei o que você é. A Clara não desapareceria assim. O que você fez com ela?"

Bianca, que observava com olhos arregalados e assustados, finalmente encontrou sua voz. "Quem é essa mulher, Rodrigo? Por que ela está gritando com você?"

O olhar ardente de Júlia se voltou para Bianca. "Ah, me desculpe", disse ela, a voz pingando veneno. "Eu sou a amiga da mulher cujo rim está te mantendo viva neste momento. A mulher que seu marido fingia amar para poder usá-la como um banco de órgãos ambulante."

Bianca ofegou, agarrando o braço de Rodrigo. "Rodrigo, faça ela ir embora. Ela está me assustando."

"Você precisa ir, Júlia", disse Rodrigo, levantando-se para criar uma barreira entre ela e Bianca. "Você está fazendo uma cena."

"Uma cena?" A voz de Júlia subiu novamente. "Você quer ver uma cena? Eu te mostro uma cena. Onde. Está. A Clara?"

Ele estava convencido de que isso era algum drama coordenado. Clara provavelmente a havia instigado a isso, para maximizar sua vergonha pública. "Ela provavelmente está enfiada em algum hotel por aí, curtindo a festa da autopiedade. Ela vai aparecer quando se cansar."

"Ela nunca faria isso!" insistiu Júlia, seus olhos se enchendo de lágrimas de frustração. "Algo está errado. Eu posso sentir."

"A única coisa errada aqui é você, assediando uma mulher doente", retrucou Rodrigo, sua raiva subindo para encontrar a dela. Ele odiava ser encurralado, odiava essa perda de controle.

"Doente?" Bianca interveio, sua voz trêmula, mas com uma corrente de aço. "A única pessoa doente aqui é você. Fique longe de nós."

Júlia olhou para Bianca, uma expressão de profundo nojo em seu rosto. "Você é uma peça, sabia? Uma sanguessuga. Você a sangrou até secar e está sorrindo sobre isso."

O rosto de Bianca ficou pálido. Ela balançou ligeiramente, a mão voando para o peito. "Rodrigo... não me sinto bem. Meu coração..."

Isso foi tudo o que foi preciso. O foco de Rodrigo se voltou inteiramente para Bianca. "É isso. Estamos de saída." Ele jogou algum dinheiro na mesa e pegou uma Bianca ofegante nos braços.

"Não se afaste de mim!" Júlia gritou atrás dele enquanto ele carregava Bianca para fora do restaurante.

Ele não olhou para trás. Dirigiu direto para o pronto-socorro de seu próprio hospital, sua mente a mil. Ele passou pela enfermeira da triagem, mostrando seu crachá e conseguindo um quarto particular para Bianca imediatamente.

Ele mesmo a conectou aos monitores, suas mãos se movendo com eficiência praticada. Seus sinais vitais estavam estáveis. Seu eletrocardiograma estava normal. Não havia nada fisicamente errado com ela.

"Estou bem", ela sussurrou alguns minutos depois, sua cor voltando. "Ela só... ela me assustou."

Ele sentou na beirada da cama, o alívio lutando com uma irritação persistente com Júlia. "Eu sei. Me desculpe."

"Não podemos sair de novo, podemos?" disse Bianca, seus olhos arregalados de medo fingido. "Não se ela estiver por aí, nos procurando."

Ele sabia que seus planos para uma noite comemorativa estavam arruinados. "Não. Vamos apenas para casa. Vou pedir algo para comer."

Ele a ajudou a voltar para o carro e eles dirigiram de volta para o apartamento. Em seus braços, Bianca se aninhou contra seu peito, o rosto escondido de sua vista. Ela estava sorrindo. O confronto não fazia parte de seu plano, mas funcionou perfeitamente. Confirmou que Clara havia partido e posicionou Bianca como a vítima frágil que precisava da proteção de Rodrigo.

"Ela realmente assinou os papéis do divórcio?" Bianca perguntou suavemente enquanto entravam no apartamento.

"Sim", disse Rodrigo, colocando-a no sofá. "Acabou, B. De verdade."

Ela estendeu a mão e puxou o rosto dele para o dela, seus lábios pressionando os dele. "Bom", ela murmurou. "Agora somos só nós."

Suas mãos se moveram do rosto dele para o peito, desabotoando sua camisa. Ele a deixou, seu corpo respondendo no piloto automático. Este era o culminar de tudo. O prêmio no final da corrida.

Mas enquanto ela o empurrava para o sofá, o corpo dela pressionando o dele, sua mente ficou em branco. Ele sentiu uma frieza súbita e inexplicável. Ele viu o rosto de Clara em sua mente, seus olhos arregalados de dor.

Ele parou, suas mãos congelando na cintura de Bianca.

Algo estava errado.

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