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Vingança é Doce, Amor é Mais Doce
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Capítulo 2

"Você ainda quer ser a mulher desta casa, Laura?" A voz de Heitor era afiada, cortando meu torpor.

Ele gesticulou em direção à cozinha. "Gigi é uma convidada. Você vai ficar aí parada e deixar que ela faça todo o trabalho?"

Abaixei a cabeça, não querendo que ele visse as lágrimas se formando em meus olhos. Passei por ele sem dizer uma palavra.

Ele provavelmente pensou que eu estava com vergonha. Ele estava errado. Eu só estava cansada de ele me ver desmoronar.

Na cozinha, Giovanna Kelly estava se movendo como se fosse a dona do lugar. Ela preparava uma bandeja de frutas, seus movimentos graciosos e praticados. Isadora estava ao seu lado, ajudando a cortar legumes, tagarelando como se fossem melhores amigas.

Era irônico. Isadora costumava me seguir como um cachorrinho, sempre me dizendo o quanto me admirava. Tudo isso mudou depois que Isabela morreu.

"Laura", disse Gigi, sua voz escorrendo falsidade. "Você poderia me ajudar a cortar essas mangas?"

Ela não esperou por uma resposta, apenas empurrou a tigela de frutas e uma faca afiada em minhas mãos.

Eu recuei. "Eu não posso."

Eu sou alérgica a mangas. Uma alergia mortal.

A tigela escorregou da minha mão, caindo no chão com um estrondo. A faca bateu ao lado, quicando no azulejo e fazendo um corte fino e profundo na panturrilha de Gigi.

O sangue brotou instantaneamente, vermelho vivo contra sua pele pálida.

"Ah!" ela gritou, agarrando a perna. Ela caiu no chão, lágrimas escorrendo pelo rosto. "Laura, eu sei que você não gosta de mim, mas precisava fazer isso?"

Ela começou a se balançar para frente e para trás, sua respiração se tornando irregular. "A faca... o sangue... é como naquele dia..."

Era uma performance. Uma imitação perfeita de alguém tendo um ataque de estresse pós-traumático.

"Foi um acidente!" eu disse, minha voz tremendo. "A faca caiu!"

Ninguém estava ouvindo.

Heitor entrou correndo, seu rosto uma máscara de fúria. Ele viu Gigi no chão, sangrando e histérica, e não hesitou. Ele me empurrou com força.

Eu tropecei para trás, meu pé prendendo na perna de uma cadeira. Eu caí, meu quadril bateu no chão duro com uma dor excruciante.

"Eu sou alérgica a mangas!" gritei, tentando me levantar. "Está nos meus registros médicos! Eu tenho o laudo!"

Isadora zombou. "Alérgica? Nunca ouvi falar disso. Você só está inventando desculpas."

"Aconteceu depois que eu tive os gêmeos!" insisti, a dor no meu quadril me deixando tonta. "O laudo está no meu quarto. Eu posso provar."

Tentei me levantar, para ir buscar o pedaço de papel que me inocentaria.

"Chega", a voz de Heitor era um rosnado baixo. Ele nem estava olhando para mim. Seus olhos estavam fixos no rosto pálido e manchado de lágrimas de Gigi. Era o mesmo rosto de Isabela.

Ele se ajoelhou, pegando Gigi em seus braços como se ela fosse feita de vidro. "Está tudo bem", ele murmurou, sua voz suave e calmante. "Eu estou aqui."

Ele a carregou para fora da cozinha, passando por mim como se eu não estivesse ali, como se eu não estivesse caída no chão com dor.

Trinquei os dentes, forçando-me a não chorar. Com cada grama de força que eu tinha, me levantei, apoiando-me no balcão. Minha perna latejava com uma dor ardente.

Mancando, voltei para o meu quarto, o silêncio da casa me pressionando.

Assim que alcancei a maçaneta, uma mão apareceu e me parou.

Isadora.

Ela me deu um tapa, o som ecoando no corredor. "Isso foi pela Gigi", ela sibilou.

"E isso", disse ela, seus olhos queimando com um ódio de três anos, "é pela Isabela. Você a matou, sua desgraçada. Eu disse a todos que foi você, e vou continuar dizendo."

Uma raiva incandescente que eu não sentia há anos surgiu dentro de mim. Eu levantei a mão e dei um tapa nela, com força.

"Eu não a matei!"

Isadora apenas riu, um som cruel e triunfante. "Não importa. Ninguém nunca vai acreditar em você. Nem o Heitor. Nem meus avós. Nem mesmo sua própria mãe. Ela gosta mais da Gigi do que de você, sabia?"

A luta se esvaiu de mim. Ela estava certa.

Tropecei para dentro do meu quarto e encontrei o laudo de alergia. Minhas mãos tremiam enquanto eu olhava para a assinatura do médico, as palavras clínicas que provavam minha inocência.

Qual era o sentido?

Rasguei o papel em pedacinhos, deixando-os cair no chão como folhas mortas. Evidências não significavam nada em um mundo onde ninguém estava disposto a ouvir.

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