"Por que agora?" ele rugiu. "Três anos atrás, você estava tomando remédios para fertilidade para me prender, e agora você quer evitar?"
Não me dei ao trabalho de corrigi-lo. Os "remédios para fertilidade" tinham sido outro "erro" de uma empregada, outra parte do plano para forçar este casamento. Não importava.
"Por que você está tão bravo?" perguntei, minha voz monótona. "Você nem gosta de mim."
Meu olhar endureceu. "Ou é por causa dela? Te revira o estômago ver o rosto dela, uma cópia barata do de Isabela? Isso te faz sentir como se estivesse traindo os mortos?"
Levantei-me, minha voz se elevando. "Você costumava me dar sermão sobre decência, sobre como eu não podia ter sentimentos pelo meu 'tio por afinidade'. Então por que para ela está tudo bem?"
Ele apenas me olhou com um sorriso frio e zombeteiro. "Você realmente não entende, não é, Laura?"
O homem que eu conhecia, o garoto que me protegeu e enxugou minhas lágrimas, havia desaparecido. Ele me defendeu de valentões, afastou garotos que tentaram flertar comigo. Ele tinha sido meu herói.
Tudo mudou no aniversário dele, no ano em que fiz quinze anos.
Eu estava tão feliz, tão ousada. Vesti o vestido branco que ele me deu e, em um acesso de coragem, confessei meu amor por ele.
Seu rosto se fechou instantaneamente. "Laura Navarro", ele disse, sua voz fria e formal. "Você não tem vergonha? Ter tais pensamentos sobre seu mais velho?"
Meu coração se partiu. "Mas não somos parentes de sangue!" eu implorei.
Ele apenas riu. "Saiba o seu lugar, Laura."
O bolo de aniversário daquele ano foi a coisa mais amarga que eu já provei.
Agora, olhando para ele, eu finalmente entendi. Não era sobre sermos parentes. Nunca foi sobre isso.
Era apenas eu. Ele não me queria.
Mas uma cópia de uma mulher morta? Ela era perfeitamente aceitável.
Ele simplesmente não me amava. Essa era a verdade simples e brutal.
Enquanto eu estava ali, perdida em pensamentos, ele de repente avançou sobre mim, suas mãos agarrando o tecido da minha camisola branca.
"Você não merece usar branco", ele rosnou, seus olhos selvagens. "Você é suja, Laura. Suja."
Lembrei-me então. Esta camisola foi um presente de aniversário dele, de anos atrás. Uma relíquia de um tempo em que ele parecia se importar.
Eu não lutei. Deixei que ele rasgasse o tecido, o som do pano se rasgando enchendo o quarto. A camisola caiu em pedaços, me deixando exposta. Tropecei e caí, a poeira do chão grudando na minha pele.
Eu me senti suja. Verdadeiramente suja.
Ele olhou para o meu corpo com total desprezo, depois se virou para sair.
"Não se atreva a tomar aquelas pílulas de novo", ele avisou, sua voz uma ameaça fria. Então ele se foi, deixando um arrepio em seu rastro.
Eu não entendi por que o vestido o deixou tão bravo. Era apenas um pedaço de pano. Mas agora jazia em farrapos no chão, um símbolo perfeito do meu coração.
Entorpecida, rastejei até minha mesinha de cabeceira e procurei pelo frasco de pílulas reserva. Sacudi algumas na minha palma e as engoli secas.
O aviso dele ecoou na minha cabeça. Eu não podia deixar que ele descobrisse. Ele apenas zombaria de mim, me chamaria de fraca.
Freneticamente, encontrei um frasco vazio de pílulas anticoncepcionais e despejei meus antidepressivos nele. Ele nunca olharia de perto. Ele não se importava o suficiente para isso.