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A Dívida que nos Uniu
img img A Dívida que nos Uniu img Capítulo 4 O Preço do Amor
4 Capítulo
Capítulo 6 Limites img
Capítulo 7 Destino Incerto img
Capítulo 8 Todo o tempo do Mundo img
Capítulo 9 Solo Fértil img
Capítulo 10 Construído uma conexão img
Capítulo 11 Por um fio img
Capítulo 12 Um acordo silencioso img
Capítulo 13 Um bom negócio, uma noite inesquecível img
Capítulo 14 Amor Recíproco img
Capítulo 15 Vontade de Você img
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Capítulo 4 O Preço do Amor

Os dias na fazenda se tornaram uma sequência confortável de rotinas compartilhadas, onde a amizade entre Pedro e Ana florescia como as flores silvestres nos pastos após uma chuva. Não havia grandes gestos, apenas o acúmulo de momentos que teciam uma rede de confiança e afeto.

Uma manhã fresca, Ana acordou cedo e decidiu surpreender Pedro com um café da manhã completo: ovos mexidos com ervas do jardim, pão torrado e suco de laranja espremido na hora.

Ele desceu as escadas, o cheiro o guiando, e encontrou a mesa posta na varanda, com o sol nascendo sobre as montanhas.

- O que é isso? - perguntou ele, parando na porta, os olhos surpresos.

Ana sorriu, cruzando os braços.

- Só um jeito de dizer que... obrigada por me deixar ficar no meu ritmo. E por não ser tão bruto quanto eu achava que era. - disse ela sem perder a leve implicância.

Pedro sorriu e um pouco desconfiado, sentou-se devagar, pegando o garfo.

- Não sou santo, confesso, mas... você também não fica pra trás- disse dando uma boa garfada dos ovos mexido - Hum, isso tá muito bom, até melhor que os meu. -Ana sorriu faceira

-Ah que bom que gostou, disse sentando-se.

Eles comeram juntos, conversando sobre nada e tudo... o preço do gado no mercado, as histórias da infância dela na fazenda do pai, as memórias dele de viagens antigas antes de se casar com a falecida esposa e pela primeira vez, Pedro se abriu um pouco ao falar sobre a perda, não com lágrimas, mas com uma honestidade crua que fez Ana estender a mão sobre a mesa, tocando a dele por um breve instante.

- Deve ser duro carregar isso sozinho- disse ela, suavemente.

Ele assentiu, sem retirar a mão.

- Era. Agora... menos.

Ela sorriu envergonhada, colocando uma mecha de cabelo que teimava em cair nos olhos para atrás das orelhas.

Outra tarde, eles passearam a cavalo pelos limites da propriedade. Pedro ensinava Ana a identificar pegadas de animais selvagens, e ela ria das próprias tentativas desajeitadas.

- Isso é de coelho ou de raposa? - perguntou ela, apontando para uma marca na terra.

- Coelho. Raposa tem garras mais afiadas.

- Você sabe tudo, hein?

- Não tudo. Mas o suficiente pra não me perder.

Ana inclinou a cabeça, olhando para ele com um sorriso genuíno.

- Eu me sinto menos perdida aqui agora. Com você.

Pedro não respondeu com palavras, mas com o olhar dele que estava diferente para ela. Era quente, protetor.

Eles voltaram para casa ao entardecer, o silêncio entre eles agora era um companheiro acolhedor, não mais opressivo.

Mas a paz durou pouco...

Tudo mudou quando Sofia Alencar voltou. A filha de Pedro, de 26 anos, estudava medicina em Harvard e raramente visitava, mas uma pausa no semestre a trouxe de surpresa para a fazenda. Ela chegou num carro alugado, bagagens cheias de livros e roupas urbanas, o rosto bonito marcado por uma expressão dura que Ana não esperava.

Pedro a recebeu com um abraço apertado na varanda.

- Filha, que surpresa boa. Faz tempo demais.

Sofia retribuiu o abraço, mas seus olhos já vasculhavam a casa, parando em Ana, que observava da porta da cozinha. A olhou dos pés a cabeça antes de perguntar sem demora:

- Pai... quem é essa? - perguntou com a voz afiada como uma lâmina.

Pedro pigarreou.

- Essa é Ana... Minha... esposa.

Sofia congelou, depois soltou uma risada incrédula.

- Esposa? Você tá brincando, né? Ela tem o quê, 20 anos? Quase a minha idade!

Pedro ficou sem reação, enquanto Ana deu um passo à frente, tentando ser educada.

- Tenho 22. Prazer, Sofia. Seu pai me falou muito de você.

Sofia ignorou a mão estendida.

- Ah, falou? Que bom. Mas ele não me falou nada sobre você. O que é isso, pai? Um casamento arranjado? Ela é uma vigarista ou o quê? Veio atrás do dinheiro da fazenda?

Pedro franziu a testa, começando a se irritar.

- Sofia, mais respeito! -Esbravejou ele.

- Respeito? - rebateu ela, entrando na casa e jogando a bolsa no sofá. - Uma garota nova, bonita, casando com um viúvo rico e recluso? Parece oportunismo pra mim.

Ana sentiu o rosto queimar, mas manteve a compostura.

-Não se preocupe Sofia, que eu não quero nada do que é seu, se é isso que te preocupa. Foi um acordo com meu pai, mas...

- Acordo? - interrompeu Sofia, rindo com desdém. - Claro, "acordo". Você acha que eu sou idiota? Estudo em Harvard, sei reconhecer uma golpista quando vejo uma.

-Chega Sofia! -Gritou Pedro assustando-a.

-Deixa Pedro, -Ana tentou acalmá-lo-Ela tem razão, disse Ana. -Eu no lugar dela também agiria assim

-Razão? Você ainda a defende Ana? Aqui ninguém vai te tratar mal. Ela vai ter que te respeitar, aqui é sua casa também - Disse ele defendendo Ana.

Sofia fechou a cara mais ainda, pegou sua bolsa,

-Eu vou pro meu quarto, se é que ainda tenho um. - disse deixando os dois sozinhos.

Os dias seguintes viraram um inferno sutil. Sofia implicava com tudo: criticava a comida que Ana cozinhava -"Isso é o que você chama de jantar? Meu pai merece o melhor, escondia itens pessoais de Ana -Ops, sumiu? Deve ser o vento.

Aprontava pequenas sabotagens. Como soltar o cavalo favorito de Ana no pasto distante, forçando-a a passar horas procurando, ou "acidentalmente" derrubar um vaso antigo na sala, culpando o "vento" novamente.

- Você não pertence aqui - sussurrou Sofia certa noite, encurralando Ana no corredor enquanto Pedro dormia.

- Meu pai é um homem bom, mas ingênuo. Você é só uma parasita. Vá embora antes que eu conte pra todo mundo na cidade o que você realmente é: uma oportunista que se vendeu por dinheiro.

Ana tentava ignorar, focando na amizade com Pedro. Ele notava a tensão e tentava mediar.

- Sofia, para com isso. Ana não fez nada errado, ela é mais inocente que todos nós juntos.

- Nada? Inocente? Ah para pai! Ela invadiu nossa casa! Mamãe se foi e você arrumou uma substituta da minha idade, ou melhor, mais nova que eu. Isso é nojento!

Pedro suspirava, exausto.

- Não é substituta. É... companhia.

Mas os problemas escalavam. A fazenda, antes um refúgio, agora ecoava discussões. Sofia ligava para amigos da cidade espalhando fofocas, e Ana via olhares curiosos dos empregados. O sossego se foi: noites sem dormir, refeições tensas, caminhadas solitárias interrompidas por comentários venenosos.

Então algo terrível aconteceu.

Após uma briga feia na cozinha onde Sofia acusou Ana de "roubar" uma joia da mãe falecida, que na verdade estava guardada no quarto de Pedro.

Ana quebrou, explodiu.

- Chega! - gritou ela, lágrimas nos olhos. - Eu não aguento mais isso. Seu pai me deu liberdade pra ficar ou ir, e eu escolho ir. Não vou destruir sua família por causa de um erro do passado.

Pedro tentou intervir.

- Ana, espera. A gente resolve.

Mas Ana já arrumava a mala.

- Não, Pedro. Eu gosto muito de você, como um amigo, como alguém que me cuidou. Mas isso... isso tá me matando. Eu vou embora. Amanhã cedo.

Sofia observava da porta com um sorriso triunfante disfarçado.

A noite caiu pesada na fazenda, e Ana, sozinha no quarto, se perguntou se a amizade que construíra valia o preço de tanta dor.

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